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21 de Maio de 2014 - 06:00

Thiago Miranda comemora dez anos de carreira, mesclando autorais, clássicos da MPB e samba no CCBM

Por JÚLIA PESSÔA

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Show de Thiago Miranda integra o projeto "Mascarenhas minha música"
Show de Thiago Miranda integra o projeto "Mascarenhas minha música"

Ao contrário das histórias clichês de artistas que crescem cercados pela vertente musical que viria a consagrá-los, Thiago Miranda conta que seu amadurecimento artístico e a ampliação dos horizontes musicais foi acontecendo ao passo que já fazia a trilha sonora das noites nos bares de Juiz de Fora. "No início da minha carreira, uma vez me pediram para tocar Cartola e Chico Buarque, achei que Cartola era uma música do Chico, olha só! (risos). Não gostava de Chico Buarque, não cresci acostumado a ouvir essa estética musical, mal conhecia Tom Jobim. Buscando me aperfeiçoar, fui conhecendo a MPB e me apaixonando, e isso aconteceu com o samba também. A música me tornou mais brasileiro, e estas vertentes hoje são grande parte do meu trabalho", conta Thiago, que comemora dez anos de carreira com um show que integra o projeto "Mascarenhas minha música".

Para Thiago, a apresentação é um marco de uma década vivendo integralmente de e para a música, em um cenário ainda desafiador para a arte local. "Se o cara não desiste nestes dez primeiros anos, não desiste mais (risos). Mas acho que vou viver mais 50 anos, porque me entrego por inteiro e busco ter um trabalho muito versátil", conta o artista, dono de um vozeirão inconfundível que, além do trabalho solo, também marca presença atualmente no Samba do Miranda, projeto do gênero em que se apresenta com uma banda e passeia por clássicos e versões contemporâneas, e no Trio de Janeiro, em que faz uma divertida miscelânea musical ao lado de Serjão Silveira e Fred Fonseca.

Consagrado como intérprete de grande compositores - sendo vencedor do concurso nacional de interpretação do Prêmio da Música Brasileira (antigo Prêmio Tim) em 2012, do qual também foi finalista em 2010 e 2011-, Thiago, nos últimos anos, também vem se dedicando a sua faceta como compositor. "Vou inserindo minhas autorais no repertório de músicas já conhecidas com as quais elas possam se relacionar. O compromisso com as músicas conhecidas para quem toca na noite é algo inevitável. Busco introduzir coisas novas mesmo quando toco outros artistas, se me pedem Djavan, por exemplo, toco, sim, "Oceano", "Sina", mas toco algo menos conhecido em seguida, é preciso ter essa flexibilidade", comenta o músico.

Este princípio norteará, inclusive, o repertório do show desta noite, que terá canções que se consagraram na noite juiz-forana na voz de Thiago - canções de seu primeiro disco, "Música e palavras" - e será encerrado pelo batuque dos integrantes do Samba do Miranda.

"A ideia é levar o bar para o teatro. O formato será minimalista, com voz, violão e percussão, um show intimista com um final mais 'para cima', com canções que foram representativas da minha carreira", adianta o artista, que estará em família no palco, ao lado do irmão Arthur Miranda, de somente 13 anos, que arrebata o público na percussão e no cavaquinho. "Qualquer limitação que ele pudesse ter por conta da pouca experiência se esvai porque ele lê minha musicalidade, conhece como ninguém meu repertório e sabe o que quero e como quero. Basta um olhar para que a gente se entenda no palco, só isso", conta o irmão mais velho.


Show virtual sem fronteiras


Antenado com os tempos, Thiago Miranda vem ganhando espaço com uma proposta inovadora de shows virtuais, realizados toda quarta (com exceção desta, quando será realizado o show comemorativo e presencial), a partir do site www.thiagomiranda.com.br. "A receptividade tem sido uma grata surpresa, batendo mais de cem pessoas conectadas e não só no Brasil, mas em outros países como Estados Unidos, Alemanha e Colômbia. É uma maneira diferente e barata de conquistar o público, atendo a pedidos feitos pela fan page no Facebook e toco minhas músicas, uma coisa movimenta a outra. E tenho chamado convidados especiais para participarem", conta ele, que já tocou na rede com Serjão Silveira e, na próxima semana, estará ao lado de Nando Costa, produtor do Estúdio Versão Acústica.

Ainda sem previsão para lançamento, "Música e palavras", que tem apoio da Lei Murilo Mendes, está em fase de finalização e terá canções da autoria de artistas locais como Roger Resende, Kadu Mauad, Dudu Costa e outros artistas locais, além de músicas de artistas consagrados no cenário nacional e três autorais de Thiago, que vê o samba como um norte para sua criação. "Se o Trio de Janeiro me ajudou a relaxar e ter uma postura mais descontraída no palco, o samba ajudou a fazer meu trabalho como compositor fluir. Era muito crítico com minhas criações e vi no samba um pulo do gato: escrevo e depois analiso. Também tenho pensado muito na temática da mulher e pretendo juntar estas duas referências em um trabalho futuro", diz o músico.

THIAGO MIRANDA

Hoje, às 20h30

CCBM

(Avenida Getúlio Vargas 200)

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