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21 de Fevereiro de 2014 - 04:00

Bailes resgatam festa tradicional em clubes, com direito a brilho, máscaras, marchinhas, confete e serpentina

Por BÁRBARA RIOLINO

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Cesar Romero e a rainha do carnaval na primeira edição do Bal Masqué, em 1979, no Vivabella
Cesar Romero e a rainha do carnaval na primeira edição do Bal Masqué, em 1979, no Vivabella

Confetes e serpentinas davam o tom aos saudosos bailes de carnaval. Com as mais diferentes fantasias, muitos incorporavam pierrôs, arlequins e colombinas para pular o carnaval ao som das marchinhas, que embalaram muitos flertes e histórias de amor. Seja durante os quatro dias de folia, ou nas semanas que os antecediam, os clubes da cidade eram enfeitados e tomados por pessoas que brincavam o carnaval.

"O carnaval de Juiz de Fora mudou, assim como o comportamento das pessoas. É hora de repensar sobre a retomada dos bailes. São muitas desculpas por parte das diretorias, dizendo que os desfiles das escolas de samba ajudaram a esvaziar os bailes, ou que as famílias têm preferido o 'carnaval de praia', e até questões envolvendo viabilização financeira. A antecipação, neste sentido, pode valer a pena para os clubes", ressalta o colunista social da Tribuna, Cesar Romero, idealizador da Noite Borbulhante, que acontece hoje no Clube Bom Pastor.

Nestes 14 anos de realização, o evento, segundo Cesar, tem cumprido o papel de reavivar as memórias da folia de antigamente. A edição deste ano da Noite Borbulhante traz, entre as atrações, a Banda Daki, com as tradicionais marchinhas, e a banda Akikalô, comandando o repertório de axé e música baiana. Segundo o colunista, a ornamentação do baile, assinada pelo decorador Wagno Gáudio, é baseada na tropicalidade do país.

Entre os poucos clubes, o Sport Club Juiz de Fora oferece aos sócios o Baile Verde e Branco, marcado para amanhã, com a presença da bateria da União da Ilha, do Rio de Janeiro. A festa acontece no local há 40 anos, e, de forma ininterrupta, nos últimos dez anos. O diretor-secretário do clube, Jaime Morgado faz parte de uma geração que pulou carnaval em clubes. "As famílias aguardavam de forma ansiosa pelos bailes para se reunir e se divertir. A gente faz o baile no Sport para atender os sócios, mas com o orçamento pé no chão. As atuais exigências quanto a segurança e toda a burocracia que envolve a realização do evento acabam por deixá-lo inviável", comenta. Ainda segundo ele, os bailes chegavam a reunir mais de três mil pessoas, eram grandiosos. Hoje, a expectativa é reunir cerca de 800 sócios.

 

 

Máscaras na pista

No sábado de carnaval, dia 1º de março, está de volta a Juiz de Fora, após 26 anos, o tradicional baile Bal Masqué XX, idealizado e produzido pelo jornalista juiz-forano Henrique Leal. A festa, que originalmente fazia parte dos eventos pré-carnavalescos, acontece no Café Muzik. "Era uma época que não havia programação. O baile era um esquenta para a folia que estava por vir."

O jornalista conta que tudo começou em 1979, a partir de uma brincadeira envolvendo a redação do extinto jornal "Diário Mercantil" e, de lá para cá, passou a ser realizado na cidade até 1997, contabilizando 19 edições sem interrupções, porém em diferentes locais, como Vivabella, Dream's, Clube Bom Pastor, Marrakech, Casa D'Itália e Clube de Tênis Dom Pedro II. Depois deste ano, cinco edições da festa foram realizadas em Belo Horizonte. O Bal Masqué de Juiz de Fora chegou a ganhar o posto de segundo maior baile de máscaras do país, ficando atrás do Bal Masqué de Recife (PE), que chega a 66ª edição em 2014.

"Poder voltar a Juiz de Fora, onde nasci e fui criado, para realizar a 25ª edição da festa é uma honra. Isso significa a celebração das bodas de prata com o carnaval da cidade", destaca Leal. Com o tema "De volta ao futuro", desenvolvido pelo artista plástico Paulo Talarico e pela mascareira Chintia Pucci, o baile terá, entre as atrações, a Banda Daki e o DJ Marquinhos Vovô, que assinou a sonoplastia nas primeiras edições, prometendo sambas-enredos clássicos na pista.

Além de estar presente na Noite Borbulhante e no Bal Masqué XX, a Banda Daki promove, na quinta (27), a oitava edição do Baile da Banda Daki, no Univershow. O general da Banda, Zé Kodak, assegura que a proposta é retomar toda a magia do carnaval de antigamente, embalado apenas pelas marchinhas e marcha-rancho. "Não só no baile, mas em todas as apresentações da Banda Daki, queremos oferecer as brincadeiras de antes, com confete e serpentina, para que as crianças e adolescentes de hoje possam saber como era o carnaval."

 

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