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13 de Dezembro de 2013 - 07:00

O Rappa vem a Juiz de Fora com novo disco depois de cinco anos sem inéditas

Por Júlia Pessôa

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O Rappa vem a Juiz de Fora com novo disco depois de cinco anos sem inéditas
O Rappa vem a Juiz de Fora com novo disco depois de cinco anos sem inéditas

"Pra quem tem fé/A vida nunca tem fim". É no espírito deste verso de "Anjos" que O Rappa, habitué em Juiz de Fora, está de volta com seu novo disco: para mostrar que a banda continua em plena atividade, sim senhor. Depois de um jejum de cinco anos sem gravar inéditas, o grupo lançou, em setembro deste ano, o disco "Nunca tem fim...", uma das mais esmeradas e ambiciosas produções dos rapazes, nas mãos do conceituado Tom Saboia, apresentado na íntegra pela primeira vez por aqui.

O álbum traz a tradicional mistura de rock com reggae, com pegadas contagiantes de guitarra, pinceladas de piano e a inconfundível voz de Falcão distorcida em uma série de efeitos. O 'plus' fica por conta da capa, assinada pelo premiado artista de HQs Mike Deodato. Tons eletrizados, belo naipe de metais e letras que transitam entre mensagens de fé e cutucadas em feridas abertas da sociedade - este é o novo filho do Rappa, o oitavo CD em 20 anos de carreira.

Primeira faixa de trabalho, "Anjos", segundo o vocalista Falcão, traduz o momento de superação do grupo, que esteve para acabar. Apesar de fazer menções à Bíblia, chamada na letra de "livro antigo", o cantor e compositor diz que a música não é associada a religião alguma, mas fala de esperança, de "crer em alguma coisa", e o recado chegou ao público: a música é sucesso nas rádios. Marcelo também disse em entrevistas que a canção é dedicada a Chorão, do Charlie Brown Jr., morto em março deste ano. "Ele nunca vai morrer pra mim", declarou o cantor à Veja, na ocasião do lançamento do álbum.

 

Indignação e questionamentos

"Auto reverse", investida atual da banda, quase parece falar do mesmo trabalhador de "Rodo cotidiano" (2003), que se espreme diariamente em ônibus lotados, e na letra de agora é o "brasileiro que luta no dia a dia", dando sequência às críticas sociais do Rappa. Um tom ainda mais ácido pode ser visto em "Cruz de tecido", que relembra o acidente da TAM que matou 199 pessoas em 2007, em São Paulo. Nos versos, um questionamento sobre o descaso jurídico, político e social parte deste fato para discutir a impunidade do Brasil e do mundo.

Um dos melhores momentos do repertório atual fica com o empolgante refrão de "Doutor, sim senhor", uma repetição da exclamação-título emoldurada com guitarra pesada e uma interessante camada de metais. Já a última faixa do disco, "Um dia lindo", ousa ao misturar os versos incidentais de "Praia e sol", samba-rock do veterano Bebeto, aos vocais implacáveis de Edi Rock, dos Racionais MCs, prometendo uma performance impactante ao vivo, talvez tão memorável quanto o lendário show da banda na Academia de Comércio, lá pelos idos dos anos 1990, comentado até hoje por quem esteve na plateia. Além das novidades, clássicos como "Pescador de ilusões", "Minha alma", "Me deixa", "Rodo cotidiano", "Reza vela" e "Hey Joe" não devem ficar de fora, para a alegria dos fãs.

 

O RAPPA

Sexta (13), às 23h

La Rocca

(Avenida Deusdedit Salgado 2.400)

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