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08 de Janeiro de 2014 - 07:00

O que é bom e o que é necessário

Por CRISTINA BRAGA Atriz e diretora teatral

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Cristina Braga em frente ao Museu da Inconfidência, em Ouro Preto
Cristina Braga em frente ao Museu da Inconfidência, em Ouro Preto

Por entre ruas, ladeiras e neblina se fez minha aventura na estimada cidade de Ouro Preto-MG. Deslizando cultura por suas pedras, a cidade acarinha todos os visitantes. Seus casarões tão pomposos e imponentes me fizeram sentir um misto de emoções. A simplicidade de seu povo e a oportunidade de uma boa conversa na calçada deixam sempre um desejo de regresso em todos que a conhecem.

Ouro Preto é a manifestação viva de artes, ritos, músicas e seres humanos convivendo em plena harmonia e liberdade. A cada esquina, um novo olhar! O céu é o mais lindo que já apreciei em minha vida. O coração bate acelerado ao se deparar com as belíssimas e delicadas obras do mestre Aleijadinho, espalhadas por todo o lugar desta charmosa cidade barroca.

É preciso ter calma, resistência física e muita sensibilidade para estar em Ouro Preto. Chegamos com nossa vivência e a deixamos contidos de novas perspectivas de vida. Eu compreendi o que realmente me faz feliz e o que julgamos ser felicidade. Às vezes, um raio de sol compondo o visual do pátio de uma linda igreja barroca já transforma por completo o dia, e nada mais importa.

Sua neblina constante em tempos mais frios faz com que o turista se sinta deslocado de sua realidade e, a partir daí, constrói-se novos círculos de amizade. Entender o sofrimento de uma época tão rica pode ser experimentado ao se visitar uma antiga senzala, localizada na parte inferior da Casa dos Contos, onde a presença da desigualdade entre os seres humanos era tão forte no século XVIII da antiga Vila Rica.

À primeira vista, um pequeno espaço cultural chamado Casa da Ópera. Quando se entra, a enorme satisfação e o privilégio em desfrutar desta antiga casa de apresentação, considerada o mais antigo prédio teatral da América do Sul e onde consta o "olho do príncipe", camarote central que era de uso exclusivo da família real portuguesa, até hoje preservado.

Sinos a tocar, ladeiras a trilhar e, a cada passo, a esperança de se registrar, também na memória, o cantinho escolhido para ser seu em Ouro Preto. Destaque para a visita ao Museu da Inconfidência, localizado em pleno centro histórico, de frente para o monumento dedicado ao mártir Tiradentes. E como todo bom mineiro, nada mais aconchegante do que se assentar na escadaria deste monumento e observar o movimento da cidade, deixando a tarde cair lentamente.

Aos mais jovens e animados, vale ressaltar a presença das repúblicas estudantis, onde acontecem festas (denominadas por eles como "rock"), que animam os turistas e estabelecem ainda mais conhecimentos e amizades que nos seguem pela vida afora. Visitar Ouro Preto é despojar-se do tempo e do espaço e reconhecer-se como parte da história!

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