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19 de Março de 2014 - 06:00

Os pontos altos da Bolívia

Por ALLAN GOUVÊA, JORNALISTA

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Allan Gouvêa em Tiwanaku, cidade da Bolívia
Allan Gouvêa em Tiwanaku, cidade da Bolívia

A Bolívia é, talvez, uma das últimas opções turísticas de quem deseja conhecer um pouco mais a América do Sul. Essa situação não parece muito justa, tendo em vista as riquezas naturais e culturais e a importância histórica que o país possui. De fato, a estrutura para receber os turistas não é lá das melhores, mas a passagem pelo solo boliviano pode representar uma experiência enriquecedora ao permitir o contato com elementos que remontam às origens da humanidade e com outros que dizem respeito às significativas diferenças culturais entre dois países vizinhos.

A dificuldade começa antes mesmo de chegar, pois quase não existem voos diretos para a capital La Paz e, por isso, conexões demoradas podem causar um desgaste já na própria viagem. A moeda local é muito pouco valorizada em relação ao real, de modo que a moeda brasileira chega a valer três pesos bolivianos - um bom incentivo para quem gosta de fazer compras. E há muito o que comprar, principalmente artesanato e produtos locais na Rua das Bruxas e arredores. Quase todos os lugares aceitam pagamento em dólar que, logicamente, vale bem mais que o real. Se necessário, é melhor deixar para fazer a troca nas casas de câmbio do Centro da capital, pois a diferença de valores entre as casas pode ser bem significativa.

Em La Paz, chama a atenção o excesso de construções sem acabamento, ou seja, apenas com tijolos, o que lembra as favelas brasileiras, já que muitas delas estão em regiões montanhosas. Descobrimos que isso acontece porque o imposto é mais barato para as edificações "inacabadas". O Centro da cidade é bem tumultuado, com muitos carros e pedestres, transporte precário e um comércio forte de camelôs, que vendem de tudo - de produtos de higiene pessoal a eletrônicos. Não há tantos prédios como as metrópoles brasileiras e, como em qualquer cidade histórica, há construções rústicas que se misturam com as modernas de uma grande cidade. Destaque para a incrível Igreja de São Francisco de Assis, suntuosa por dentro e por fora, e para os prédios do Governo na Praça Murillo, que poderia ser chamada de "praça dos pombos", uma vez que é mais frequentada por essas aves do que por pessoas...

Não podíamos deixar de falar do clima, que é bem frio, sobretudo à noite, mas nada muito diferente do que é Juiz de Fora. Os sintomas da altitude são quase inevitáveis, mas é possível encontrar folhas de coca em todo lugar, e as farmácias vendem um medicamento específico para todos eles. Mastigar a folha não é muito delicioso, já o chá é bem saboroso. As paradas obrigatórias em La Paz são o Museu da Coca e o belíssimo Vale da Lua, que é um lugar de formações geológicas que foram esculpidas pela chuva e pelo vento ao longo de milhares de anos. É um dos pontos mais altos da cidade, e a trilha mais longa pode levar, aproximadamente, 50 minutos, tempo que vale a pena ser gasto.

Muito perto da capital está a cidade de Tiwanaku, próxima ao famoso Lago Titicaca, que possui museus e um sítio arqueológico com ruínas do antigo império inca. Lá é possível se deslumbrar com a sabedoria desse povo da civilização pré-colombiana, que ainda reserva muitos mistérios e curiosidades. O passeio por lá pode durar um dia inteiro, por isso é importante fechar um pacote com uma agência, que inclua transporte, guia e alimentação.

Já a população boliviana é muito receptiva aos turistas, esforçam-se ao máximo para ajudar, apesar das dificuldades de entender o português, que, parece-nos, é mais difícil se compararmos à nossa capacidade de compreendê-los. Por fim e não menos importante, sobre a culinária do país, o convite é experimentar as empanadas, a carne de lhama, que é considerado um animal sagrado, e o principal fast food de La Paz, o pollo (frango) frito. Um fato interessante é que nos restaurantes a entrada é quase sempre um delicioso prato de sopa de sêmola. Apesar de todas as dificuldades estruturais do país, as riquezas naturais e culturais fazem com que a Bolívia seja um dos passeios com melhor custo-benefício para os turistas, que conferem agradáveis surpresas e belezas únicas.

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