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23 de Abril de 2014 - 06:00

Paraíso e aventura em Parnaioca

Por designer KAROLINA VARGAS fotógrafa

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Karolina e Amaro na Praia do Leste
Karolina e Amaro na Praia do Leste

A viagem é para quem gosta de aventura. De um lado, praias paradisíacas, cachoeiras relaxantes, rios e mangues multicoloridos, fauna e flora exuberantemente preservadas, custo baixo. Do outro, um acesso difícil e infraestrutura modesta, sem dó para caprichos.

Nosso passeio começa no cais de turismo de Angra dos Reis (RJ), onde tomamos uma traineira com destino a Parnaioca - Ilha Grande. Uma enseada linda e aprazível de frente para o mar aberto, no lado oceânico da ilha, onde deságua um rio de cor esmeralda com deliciosas cachoeiras verde-musgo e caramelo em sua subida.

A ida de barco é um pouco penosa. São três horas até o nosso destino, mas aos poucos a paisagem da Ilha Grande começa a se agigantar no mar azul, proporcionando visuais incríveis, o que torna as horas menos demoradas - belas formações rochosas, ilhotas e praias, além de grandes navios comerciais que por ali atracam.

A Parnaioca, que significa "abrigo do mar" como me disseram, já foi um dos locais mais populosos da Ilha Grande. Com a implantação do Presido da Ilha Grande na vizinha Dois Rios, entre 1940 e 1994, um grande número de moradores abandonou o local. Hoje, é uma pequena vila de pescadores com apenas cinco casas, cujas famílias lutaram e continuam lutando com fé no intuito de viver e morrer ali. Por isso, é um local da ilha que se manteve preservado e hoje é um deleite para os ecoturistas.

Não há cais na Parnaioca, por isso toda a bagagem e alimentação de nosso grupo, composto por 22 pessoas, foi desembarcada aos poucos em canoas ou pequenos botes até a praia. Na Parnaioca também não há ruas, concreto ou edificações. É o contato integral com a natureza. Lá vivemos cercados pela Mata Atlântica e o oceano, sem acesso à internet ou sinal de celular. Para cada lado que olhamos, as belezas naturais se revelam espetacularmente vivas. Na madrugada, o som dos macacos bugios e outros seres da floresta preenchem o silêncio entre as arrebentações das ondas do mar.

Nas trilhas para as praias vizinhas, deparamo-nos muitas vezes com tatus, cobras, insetos exóticos, pássaros de todas as cores, árvores gigantes, bromélias, cipós e todos os tipos de plantas imagináveis. Num mar de águas claras, mergulhamos ao longo das encostas de pedras. Era como se estivéssemos dentro de belíssimos aquários naturais, com diversos cardumes ágeis, peixes com as mais variadas combinações cromáticas e tamanhos, tartarugas marinhas, arraias e estrelas-do-mar. O banho de mar noturno também é uma fantástica atração, pois é o momento certo para nadar com espirogiras, plânctons bioluminescentes que brilham como faíscas verdes quando nos movimentamos na água.

As únicas opções de hospedagem são dois campings, com capacidades de barracas controladas pelos órgãos de fiscalização ambiental e de turismo da cidade de Angra e do Estado do Rio de Janeiro. Não há energia elétrica na Parnaioca, apenas por meio de geradores nos campings, que só funcionam por algumas horas da noite. Nosso pouso é o Camping do Silvio, um querido senhor que, junto à sua fraterna família, nos recebe sempre com grande ternura e felicidade. Lá dispomos de geniais estruturas de madeira e PVC para abrigar as barracas dos visitantes, prevenindo-as de se molharem em caso de eventuais chuvas. Oferecem pratos feitos (R$ 20), fartas porções de peixe (R$ 25), além de pastel de queijo, misto-quente, refrigerante e cerveja, a preço mínimo de R$ 5. Os banheiros são simples, de madeira e telhas, com vasos sanitários e chuveiros de água fria vinda direta das nascentes. Três masculinos e quatro femininos. Além disso, o camping tem uma boa área de cozinha com fogões, pias, panelas e utensílios e mesas grandes como as de refeitório, que acolhem os usuários do camping nas refeições, passatempos e animadas conversas.

Na maioria dos dias do carnaval, quando não estamos nas trilhas, no rio, no mangue ou na cachoeira, gostamos bastante de repousar sob as amendoeiras que se estendem por toda a orla da praia, que dispensam todo e qualquer tipo de sombrinha ou tenda. Acomodados em nossas cangas coloridas, vemos inúmeras lanchas fretadas chegarem e saírem com turistas para uma rápida visita ao local. Enquanto isso, apreciamos ali a mansidão da vida, a lentidão do tempo, o prazer do total descompromisso, o pôr do sol esplêndido, uma canção no violão, a cerveja gelada marota na bag freezer. Enfim, coisas que só a Parnaioca faz por você. O lugar ideal para recarregar as energias do corpo e da mente.

Amaro Baptista

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