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28 de Maio de 2014 - 06:00

Por MARUSCKA GRASSANO, JORNALISTA

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Maruscka posa com trajes típicos indianos em loja na cidade de Jaipur
Maruscka posa com trajes típicos indianos em loja na cidade de Jaipur

Desde que resolvi dar uma volta do outro lado do mundo para ver o que se passava, tenho sido bombardeada com um fluxo de informação tão grande que até me dificulta colocar a cabeça no lugar e pensar de uma forma mais analítica. Estou há quase dois meses morando e trabalhando em Jaipur, na Índia, e muita coisa tem me chamado a atenção por aqui.

No trânsito, carros, motos, tuck-tucks (espécie de riquixá ou triciclo), bicicletas, caminhões, ônibus (e, sim, vacas) disputam a rua numa sinfonia nada harmônica das buzinas, estridentes e ininterruptas. Nesse cenário caótico, muitas vezes não existe mão ou contramão, e a expressão "baianada" deixa de ser exceção, virando a regra. A quantidade de lixo nas ruas não é à toa: não importa o nível de instrução, todos jogam seus restos no meio da rua, o que me incomoda bastante. "Fila" é outra palavra que não faz muito sentido, dependendo da ocasião.

A publicidade no segundo país mais populoso do mundo também me prendeu a atenção. Talvez eu nunca tenha visto modelos indianos estampando as campanhas, ao contrário, pessoas de outras partes do mundo ocupam esse espaço, muitas vezes, com traços nada semelhantes aos do seu público. O fascínio por estrangeiros é tanto que é comum sermos abordados para tirar fotos com eles, principalmente quem tem a pele mais clara. Gente branca aqui é o máximo! Mas se essa recepção é boa por um lado, por outro, temos que conviver com um tipo de assédio masculino nada confortável, já que muitos homens não têm o mínimo pudor em nos encarar com olhares que chegam a ser agressivos.

São os homens também os protagonistas nas pistas de dança, com direito a coreografia ensaiada e tudo mais e é bem comum vê-los andando de mãos dadas ou abraçados - o que não significa homossexualidade. Essa demonstração de afeto não é permitida a casais gays e, na verdade, é raro ver até casais heterossexuais com a mesma liberdade. Talvez o que eu tenha notado de mais parecido com o Brasil até agora seja o fato de o preço ser sempre mais caro para estrangeiros. É preciso barganhar muito, e acho que vou acabar desenvolvendo essa habilidade de "chorar" o preço. Ainda tenho mais cinco meses para me aventurar e aprender com essa cultura tão diferente, o que, tenho certeza, me renderá boas histórias, que compartilharei no meu blog www.quehorasonmicorazon.com para quem quiser acompanhar.

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