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18 de Junho de 2014 - 06:00

Rios, sabores e acolhimento em Belém

Por GUTO ALCÂNTARA E CLAUDIA FIGUEIREDO, ANALISTA DE SUPORTE E JORNALISTA

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Claudia e Guto conheceram uma Belém de muitas belezas naturais
Claudia e Guto conheceram uma Belém de muitas belezas naturais

Chegamos a Belém numa madrugada quente, vislumbrando a cidade plana evidenciada por suas luzes. Com mais de dois milhões de habitantes, a capital do Pará guarda a memória do tempo áureo da borracha no início do século XX - quando o município recebeu inúmeras famílias europeias - nas fachadas e interiores de casarões, igrejas e museus; e revela ainda grandes problemas relacionados à miséria e à desigualdade social, além da ocupação desordenada e falta de saneamento básico, apesar de a pobreza ter diminuído nos últimos anos, segundo dados do IBGE. O olhar estrangeiro na linda Belém também capta suas imperfeições.

Um dos principais legados da fase rica é o Theatro da Paz. Inspirado no Teatro alla Scala de Milão, é o maior e mais antigo da Amazônia, construído em 1878 com recursos auferidos da exportação de látex, no Ciclo da Borracha. Edificado com ferragens inglesas, mármores italianos, madeiras amazonenses e decorado com lustres e espelhos franceses, é considerado um dos mais luxuosos do Brasil e com acústica perfeita. A visita guiada custa R$ 4 (inteira). É impossível ir a Belém e não visitar, também, o Mercado Ver-o-Peso. Numa área de cinco mil metros quadrados de frente para a Baía do Guajará, o projeto alia contemplação da natureza à praticidade na utilização do espaço urbano. Peixe fresco, camarões de todos os tamanhos, frutas paraenses, comidas típicas e as famosas garrafadas são comercializadas diariamente.

Quem quiser experimentar um autêntico almoço paraense deve se servir de peixe frito com farinha de mandioca e açaí, consumido gelado, apenas batido com água e sem tempero algum. É uma garfada no peixe e uma colherada na tigela de açaí, que, na verdade, faz a vez do nosso feijão. Não pode faltar a pimenta no tucupi (sumo amarelo extraído da raiz da mandioca brava). Recomendamos, ainda, os passeios no Mangal das Garças, localizado às margens do Rio Guamá, que abriga aves de espécies diferentes e plumagens exuberantes, e no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi, situado no centro urbano de Belém, com uma área de 5,2 hectares de floresta amazônica e animais selvagens como onça, jacaré-açu, gavião-rei, entre outros. A entrada do Mangal é gratuita, mas o ingresso a alguns espaços de visitação em seu interior custa R$ 4. Com o passaporte no valor de R$ 12 (inteira) é possível conhecer todos. Já o Museu Emílio Goeldi cobra apenas R$ 2 (inteira) pela entrada.

Os rios que circundam a cidade têm influência da maré de 6 em 6 horas. Por eles passam o ciclo econômico de Belém e a vida das pessoas no ir e vir de embarcações feito "gaiola engravidado de redes", como declamou o poeta paraense, Cristovam Araújo, no poema "Olho de boto", musicado e gravado por Nilson Chaves e Vital Lima. Mas o melhor de Belém é seu povo: caloroso que nem mesmo a chuva, que cai todos os dias na cidade, consegue abrandar. Um povo receptivo, feliz com suas origens amazonenses. Viemos embora para Minas na certeza de que deixamos lá, encalhado, nosso sentimento de saudade.

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