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09 de Julho de 2014 - 06:00

Por WALLACE FARIA jornalista

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Turista analisou a cidade com outro olhar
Turista analisou a cidade com outro olhar

 

'Vivir en Buenos Aires es buena onda'

Resolvi testar em Buenos Aires, em maio, aquela teoria que diz que a segunda vez numa cidade é sempre melhor. Não tenho mais dúvida nenhuma de que isso é verdade. Depois que você já fez o circuito básico e não tem a "obrigação" de estar em um lugar diferente a cada duas horas, é possível aproveitar, observar e respirar mais o dia a dia.

Assim como eu, Natasha, minha mulher, já havia pisado em terras portenhas antes. Sintonizados na proposta de captar a vibração local, alugamos um flat na Recoleta, bairro bem legal - recomendo fugir dos hotéis na região da Calle Florida, arapuca para (e lotada de) brasileiros. Combinamos o jogo: dormir sem muitas restrições e marcar no máximo um programa por manhã, tarde ou noite. Afinal, não queria ficar cansado nas minhas férias.

E tome café com duas, três, quatro "medialunas" (é como o nosso croissant, mas muito melhor), andar de metrô barato e eficiente, procurar a empanada perfeita, descobrir lojas de roupas e calçados diferentes, ler todo dia o jornal esportivo "Olé", flanar pelas feirinhas de fim de semana, encontrar amigos argentinos e brasileiros, apontar os prédios onde gostaríamos de morar, visitar belos parques, bares superclássicos, pubs modernosos e cafés bacanas.

Claro que aproveitamos para preencher algumas lacunas. Por motivos futebolísticos, da outra vez eu não tinha visto um show de tango - e encontramos um bem "de raiz" no Centro Cultural Borges, dentro das Galerias Pacífico. Já ela não havia ido ao Teatro Colón. Recomendei meu procedimento padrão para esse tipo de atração: em vez de fazer a visita guiada, pegue o ingresso mais barato para um concerto. O resultado foi bem favorável: gastamos 40% menos e ouvimos belíssima música.

Revisitar o que você mais gostou também é uma boa. E assim fomos ao zoológico de Luján, a 60km dali. Os leões e tigres crescem cercados de pessoas e misturados aos cachorros, que são os verdadeiros donos do lugar. Por isso dá para acariciar e tirar fotos na boa. E em nenhum outro lugar você vai ver um felino gigante dar uma lambida áspera na cabeça de um cão oito vezes menor, como se dissesse "cara, eu gosto de você".

Com o câmbio (paralelo) a 4,20 pesos por real, foi barbada voltar com 14 garrafas de vinho recomendadas por especialistas por menos de R$ 250. A comida foi sempre muito barata para os padrões surreais aos quais estamos nos acostumando no Brasil. O táxi, idem. Como sempre, tem os motoristas que tentam dar voltinhas. Mas para ser justo, foi uma minoria que de jeito nenhum atrapalhou a experiência. "Vivir en Buenos Aires es buena onda".

 

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