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03 de Maio de 2014 - 06:00

Centenário de Ministrinho é comemorado com roda de samba nos domingos de maio

Por Marisa Loures

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Guardião do samba, juiz-forano completaria cem anos
Guardião do samba, juiz-forano completaria cem anos

Músicos em torno de uma mesa de bar entoando os clássicos do samba de Juiz de Fora. Para marcar os cem anos de Ministrinho, que seriam completados amanhã, a cena não pode ser diferente. Tem que ser tudo do jeito que Armando Toschi gostava. Na mesma hora, dia da semana e local em que ele mesmo escolhia para reverenciar o samba da cidade: domingo, ao meio-dia, na Praça Armando Toschi Ministrinho, no Bairro Jardim Glória. As rodas de samba acontecerão durante o mês de maio. "Por mais de 15 anos, ele frequentou aquele lugar. Era tradicional ele chegar empunhando o violão. Por isso, achamos justo comemorar como ele fazia. No aniversário dele, a movimentação era ainda maior. Virava uma festa", conta o sambista e pesquisador Márcio Gomes (pandeiro), que comandará o som ao lado de Roger Resende (voz e violão), Antônio Carlos Gomes, o Toinho, (cavaquinho) e Cézar Ferreira (violão de sete cordas). Todo mundo está convidado a participar. Porém, vale um aviso: "Só vamos cantar e tocar o repertório de compositores juiz-foranos". A iniciativa tem apoio da Lei Murilo Mendes.

Bastava ele chegar, para seus seguidores disputarem um lugar na roda. "Ministrinho tinha muito carisma e transmitia uma energia muito boa para quem estava por perto. Mas quando não estava tocando, era super-retraído", destaca Gomes, responsável pelo projeto do CD "Ministrinho - Nosso ídolo", lançado em 1998. "Se não fosse ele, o disco não existiria. Ele foi a nossa memória".

Em 1967, Ministrinho dividiu o disco "Samba é povo" com o Batuque Afro-brasileiro Nelson Silva. Também interpretou uma das canções do "Música popular em Juiz de Fora", lançado em 1982.

Habitué das reuniões promovidas por Ministrinho desde 1977, Márcio comenta que o autor de "Homenagem a Catulo" estava em plena atividade quando faleceu, em 22 de dezembro de 1996, aos 82 anos. "Ministrinho estava em casa tomando banho, quando passou mal. A filha dele chamou por socorro, mas ele já tinha morrido de infarto", relembra, ressaltando que Armando Toschi atuou por mais de 50 anos. O grupo que o acompanhava nas apresentações foi formado na década de 1940. Até quem não o conheceu o tem como referência. "A figura dele paira como um exemplo de sambista batalhador", afirma.

O número de composições é pequeno. Márcio conseguiu resgatar apenas 11 canções de sua autoria, sendo a mais famosa intitulada "Nosso ídolo". A letra fala de um integrante da Turunas do Riachuelo conhecido como Jairo, um transexual que se vestia de baiana para cruzar a avenida. "Ele produziu pouco se comparado a outros sambistas. O irmão dele, Alfredo Toschi, tinha muito mais músicas. O grande mérito dele foi preservar o nosso samba numa época em que não havia as facilidades de hoje", assevera Gomes para logo apontar a forma usada pelo sambista para eternizar o repertório das Escolas de Samba Turunas do Riachuelo e Feliz Lembrança. "A única maneira de as músicas não serem esquecidas era através da oralidade, e ele tinha a consciência do papel de guardião e de agente de divulgação desse material. Não fosse o trabalho dele, ninguém saberia cantar canções de Djalma de Carvalho, Ernani Ciuffo, Milton Santos, João Cardoso e Nelson Silva", completa Gomes.

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