Neste ano, a campeã Unidos do Ladeira apostou na reedição do enredo de 1984 - "Clara, clareia clareou", de Romeu Biazollo - para homenagear os 70 anos da cantora, celebrados em 2013. Deu certo. O tema, que já havia dado o tricampeonato à escola, voltou a se destacar na avenida. Tanto que a agremiação conquistou nota 10 em todos os quesitos. A apuração, realizada na sede da Funalfa, ainda não havia terminado, e o presidente Marcus Valério já abraçava alguns amigos. "Vamos comemorar com muita alegria." No ano passado, o Ladeira ficou em segundo lugar, atrás da Mocidade Alegre. Durante a reapresentação das campeãs, houve manifestações, e o presidente chegou a falar em injustiça. Dessa vez, porém, ele assegurou que os jurados souberam lançar um outro olhar sobre o desfile. "Nós sempre entramos para ganhar", disse Valério, antes de receber o troféu das mãos do superintendente da Funalfa, Toninho Dutra. Assim como as outras escolas premiadas, o Ladeira ganha R$ 2 mil, cedidos pela Funalfa à Liga das Escolas de Samba de Juiz de Fora (Liesjuf).
O descontentamento de 2011 tinha justificativa. Se levasse o título, com o enredo "Simplesmente Maria", a Unidos do Ladeira seria tetracampeã, já que vinha sendo a primeira desde 2008. Para 2013, ainda não há planejamento. "Primeiro vamos fazer festa. Os trabalhos só recomeçam em abril." Nesta terça (hoje), a agremiação será a última a passar pela passarela (depois da vice do Grupo A, da campeã e vice do B e da campeã do C), trazendo novamente Sandra Portela entre os condutores do samba e a bailarina Ágata Policarpo, como Clara Nunes, no carro abre-alas, que representa o sabiá e faz referência ao canto cristalino da homenageada.
Criada como bloco em 1976, a Unidos do Ladeira, cujas cores são amarelo, azul e branco, estabeleceu-se como escola do terceiro grupo três anos depois. Não é a primeira vez que a agremiação, com sede na Avenida Brasil, reapresenta um mote. Em 2010, "Porque hoje é sábado" consagrou-se vitorioso, como já havia acontecido em 1996.
Erros e acertos
Segundo o presidente da Real Grandeza, Luiz Carlos Masson, o segundo lugar nunca é bem-visto no Brasil. Mesmo assim, ele comemorava o vice-campeonato conquistado com o enredo "Perfume, fonte de desejos, sintonia de humor, amor e paz", que alcançou 9,7. "Temos a consciência tranquila, pois fizemos um trabalho bem feito. É claro que tivemos erros e acertos, mas o mais importante é a entrega dos participantes", comentou, logo após receber o troféu. De acordo com Masson, ainda é muito cedo para pensar no próximo carnaval. "Quando chegar a hora, estaremos com muito gás e animação." Fundada em 31 de março de 1966, a partir de uma divergência na diretoria da Feliz Lembrança, a escola ficou em segundo também em 2010, com "Real Grandeza... na Era de Aquarius - Navegando nas estrelas". No ano passado, ela recebeu a quarta melhor nota com "É meditação... agente direto do coração. É cultura e equilíbrio. O corpo fala por ela... Os povos se comunicam e a alma irradia". Usando as cores azul, vermelho, branco e amarelo, a Real Grandeza possui redutos na Avenida Sete e nos bairros Nossa Senhora de Lourdes, Olga Burnier e Vitorino Braga.
Após sair campeã logo no primeiro ano em que entrou para a elite do carnaval juiz-forano, em 2011, a Mocidade Alegre (que já não é mais de São Mateus) ficou com a segunda pior nota desta edição da festa, 107,1, ao defender o tema "Se as flores quisessem eleger uma rainha, essa só poderia ser a rosa". Segundo o diretor José Roberto Guimarães (Betinho), não há espaço para reclamações. "O jeito é corrigir os equívocos e partir para o próximo desfile". A agremiação esperava, na pior das hipóteses, ficar em terceiro lugar. "Mas aceitamos as notas com humildade", completou Betinho. Outra que também lamentou o resultado foi a Feliz Lembrança, que se retirou da Funalfa logo após o anúncio do rebaixamento para o Grupo B. A escola, fundada em 1939, levou para a passarela o mote "Pode ser liso, crespo ou ondulado, mas todos querem um bom penteado".



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