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03 de Julho de 2014 - 06:00

CCBM inicia hoje exposição de videoinstalação do artista Tomyo Costa Ito

Por JÚLIO BLACK

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Tomyo Costa Ito em frente a sua experiência audiovisual
Tomyo Costa Ito em frente a sua experiência audiovisual

Um "espelho" que mostra não o seu "eu" presente, mas alguém que não se pode "ser" mais. Esta é uma das experiências que podem ser vividas, a partir desta quinta-feira, no CCBM, quando terá início, às 19h, a exposição da videoinstalação "Espelhos do tempo", de Tomyo Costa Ito. Para criar essa sensação de "espelho de tempos idos", Tomyo utiliza televisores, webcams e um software, promovendo momentos passados distintos dependendo do aparelho. A exposição, gratuita, fica no local até o próximo dia 27.

O trabalho é o primeiro dentro do formato feito pelo artista, formado em comunicação pela UFJF e com experiência no audiovisual por meio de documentários de curta-metragem ("Firma", de 2009, "Dulia", de 2010, e "Missa", de 2012) e vídeos experimentais, intitulados "Trilogia do espelho". Para ele, "Espelhos do tempo" são uma continuidade dessa experimentação. "Pensei na ideia da instalação, desse 'atraso' de se ver no espelho, ainda em 2009, quando terminei a 'Trilogia do espelho', baseado em imagens antigas de arquivo. Utilizei muitas imagens antigas minhas, de gravações caseiras em VHS, das décadas de 80 e 90. Queria que as pessoas pudessem compartilhar dessa experiência, ter o encontro consigo mesmo, com a própria imagem."

Um dos motivos para a demora entre a idealização e a execução, explica Tomyo, era a própria dificuldade técnica e financeira de execução. "Não sabia se seria viável na época. Apenas depois, quando descobri a existência de softwares que tornavam a ideia possível, é que comecei a testar comigo mesmo sua execução e fui desenvolvendo o trabalho, contemplado pela Lei Murilo Mendes". Webcams sobre aparelhos de TV imitam a perspectiva de espelhos e filmam o observador que passa à frente delas, reproduzindo segundos ou minutos depois o que foi gravado, permitindo criar uma sensação de tempo passado em que as reações do "viajante do tempo", acredita ele, serão diferentes. "Creio que as pessoas podem expressar reações que elas mesmas não esperavam compartilhar." Há ainda uma quarta experiência audiovisual inspirada em um livro do filósofo francês Gilles Deleuze sobre cinema, em que analisa a cena de um filme do diretor japonês Yasujiru Ozu. "O que posso dizer é que esse projeto vai trabalhar com ângulos diferentes e a questão da mobilidade e da imobilidade."

Para Tomyo, sua obra lida com várias formas de tempo. "A questão do tempo permeia todo o trabalho. Já o espelho sempre é associado ao 'eu', algo do qual queria escapar. Nós nos olhamos nele devido à questão da confirmação de nossa identidade. Nesse trabalho, um ponto igualmente importante é como os outros vão te ver, ou como cada um vai se ver fora do seu tempo 'útil'", explica o artista. Segundo ele, a videoinstalação também pode ser vista como uma saída do "eu" de cada um em direção à subjetividade do tempo, que consideramos único, eternamente cronometrado, mesmo sendo relativo.

A ligação de Tomyo Costa Ito com o audiovisual é antiga, surgida antes mesmo de seus anos na universidade. Segundo ele, em 2001, quando tinha apenas 15 anos, já fazia suas criações em vídeo, como um documentário sobre a escola em que estudava. A vontade de trabalhar com a imagem, reprocessá-la, não diminuiu com a conclusão de "Espelhos do tempo": um dos projetos futuros é um vídeo experimental utilizando as imagens gravadas durante a exposição. "Quero trabalhar com cinema, mas sem abandonar essa forma de criação artística. Pretendo experimentar, futuramente, outras possibilidades da relação do tempo no audiovisual e seguir nesse trabalho com imagens de arquivo."

 

ESPELHOS

DO TEMPO

 

A partir desta quinta-feira, às 19h

 

CCBM

(Avenida Getúlio Vargas 200)

 

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