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02 de Junho de 2014 - 20:00

Pais reclamam da falta de estrutura no 'Kids Fest' que reuniu mais de duas mil pessoas no La Rocca

Por MAURO MORAIS

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Mais uma vez um evento cultural em Juiz de Fora termina em confusão. Ocorrido no último domingo, o "Kids Fest" revoltou diversos pais ao longo da tarde e repercutiu bastante nas redes sociais. Com duração de seis horas, das 12h às 18h, o evento prometia brinquedos infláveis, brinquedos radicais, mágicos e palhaços, cachorrinhos adestrados, completa praça de alimentação, oficinas de pintura facial, esculturas de bexigas, além de uma apresentação teatral da Peppa Pig, famosa personagem de desenho inglês. De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar, um grupo de 20 pessoas acionou a PM, por volta das 13h do domingo, reivindicando mais tipos de brinquedos e atividades, de forma a atender as mais de mil crianças presentes. "Os solicitantes alegaram insatisfação com a organização do evento e foram unânimes em apresentar as seguintes reclamações: que foi divulgado/anunciado pela organização do evento que haveria diversos tipos de brinquedos, mágico e caravana de palhaços, porém, foram disponibilizados poucos brinquedos para atenderem um número grande de pessoas e apenas um mágico e um palhaço; foram divulgados presença de oficinas de pintura facial e show de cachorrinhos adestrados, no entanto, não havia tais atrações no local; que o número de cadeiras disponibilizadas não eram suficientes para a quantidade de pessoas presentes", aponta o documento.

Ainda segundo os registros, foram apresentadas as autorizações necessárias para a realização do "Kids Fest", e várias outras pessoas presentes no evento manifestaram indignação com a estrutura. "Em virtude de se tratar de um número elevado de pessoas, foi inviável qualificarmos todas elas", afirma a ocorrência, destacando a negociação feita com o grupo responsável por acionar a PM: "A pedido de um grupo de pessoas ali presentes, os próprios organizadores entraram em acordo e devolveram, ali mesmo, o valor dos ingressos pago por elas".

Contudo, no Facebook os ânimos se exaltaram na tarde desta segunda-feira (2), e alguns pais manifestaram desejo de acionar outras instâncias a fim de reaver os ingressos. "Triste por perder uma tarde de domingo com meu filho. Gostaria de ter meu dinheiro de volta, mesmo não tendo dinheiro no mundo que pague a tristeza do meu filho", reclama uma mãe na página do evento na rede social.

Revoltado, um contratado para se apresentar durante o evento também se queixou no Facebook. "Mesmo tendo minha equipe dado seu melhor, o evento foi um fiasco, e o resultado geral, uma catástrofe, me sinto nesse momento profundamente triste por ter visto nesse domingo tantos olhinhos inocentes sofrerem com tamanha inconsequência", publicou. Procurados pela Tribuna, os responsáveis pelo evento não foram contatados.

De acordo com nota oficial, se pronunciaram mostrando abertura para possíveis negociações. "Infelizmente problemas estruturais e pontuais acabaram gerando uma insatisfação por parte do público. Porém, a revolta criada por alguns no evento e nas redes sociais está de forma exagerada, como se o evento prometido não tivesse sido entregue ou cancelado, 95% do anunciado foram entregues ao público. Se houve falha em atendimento, demora ou atraso, lamentamos. Acreditamos que o evento tenha gerado uma grande expectativa. Por isso não aceitamos que algumas pessoas falem em propaganda enganosa ou que tenham sido lesadas. Um evento cujo custo de produção ultrapassou a casa dos R$ 100 mil não pode ser classificado como lixo. Não medimos esforços para realizar este evento. Esperávamos um resultado diferente. Foi o primeiro grande evento para o público infantil em Juiz de Fora, com programação extensa, e constatamos que algumas coisas não funcionaram como deveria. É o preço que se paga por tentar inserir algo novo em nossa cidade tão carente de opções, principalmente para o público infantil", afirma a nota.

De acordo com a assessoria de comunicação do Procon, algumas pessoas já foram ao órgão se informar sobre o ocorrido e não conseguiram registrar a reclamação por não portarem documentos que comprovem a participação no "Kids Fest". Segundo o boletim de ocorrência da PM, os ingressos foram depositados em uma urna na portaria, e nenhuma parte foi devolvida às pessoas. A agência de proteção e defesa do consumidor espera, nos próximos dias, se informar sobre os organizadores para, em seguida, abrir processo de investigação preliminar com o intuito de apurar os problemas reclamados pelos consumidores. A assessoria do órgão informa que, a partir daí, será possível tomar as medidas cabíveis, tendo como base as leis de proteção ao consumidor.

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