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11 de Abril de 2014 - 14:52

Nesta sexta, criançada bateu tambor e se divertiu com palhaços. A maratona continua neste sábado com Cia. K, de São Paulo, e Trupe São do Mato, de Juiz de Fora

Por Marisa Loures

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Trupe de palhaços do Rosa dos Ventos foi criada há 15 anos em Presidente Prudente (SP)
Trupe de palhaços do Rosa dos Ventos foi criada há 15 anos em Presidente Prudente (SP)
O grupo Trampulim, de Belo Horizonte, distribuiu tambores para os espectadores na apresentação
O grupo Trampulim, de Belo Horizonte, distribuiu tambores para os espectadores na apresentação

Atualizada às 19h48

"Aqui, aqui, aqui!". Essa foi a palavra mais ouvida nesta sexta-feira (11), quando Beterraba e Dez pra Sete solicitaram um candidato adulto para subir ao picadeiro durante apresentação de "Saltimbembe mambembancos", do Grupo Circo Teatro Rosa dos Ventos, de São Paulo. A tenda montada na Praça Cívica da Universidade Federal de Juiz de Fora com capacidade para 700 pessoas abriga, desde quinta-feira, o I Festival de Circo de Juiz de Fora. Neste sábado, a Cia. K, também da capital paulista, fará a festa da garotada com "Circo de pulgas", às 15h. O evento é gratuito e acontece com apoio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Petrobras. 

Fratelo entra para o circo e monta seu próprio espetáculo a fim de mostrar ao mundo as habilidades de suas queridas pulgas. Isso após uma longa e frustrada carreira como caçador nas terras do Mato Grosso. Sua fiel ajudante Criolina servirá de ouvinte para suas histórias e conduzirá as atividades das pulgas. Essa é a história que norteará a apresentação da trupe paulista, comandada por Kiko Caldas, referência em espetáculos contemporâneos. O dia começa, às 11h, com o "Bloco São do Mato", puxado pela juiz-forana Trupe São do Mato, que ainda conduzirá oficina de malabares às 14h. Músicos, brincantes, malabaristas e artistas celebrarão a boa música. Será um tributo aos antigos carnavais, época em que as bandas seguiam em cortejo pelas ruas da cidade. Encerrando o sábado, a Cia. K retorna com "Le petit", às 19h30. Dois ambulantes são surpreendidos com o recebimento de um circo como herança, mas o curioso tesouro ameaçará explodir. 

No domingo, último dia, "Caravana Lúdica de palhaços", com Lúdica Música e Caravana Mezcla de Palhaços, ambas de Juiz de Fora, El Gran Gustavo Augusto, personagem do ilusionista Gutto Thomaz, e "Le petit aéreos", da Cia. K, são as atrações previstas. De acordo com Kiko, além dos clássicos números de palhaços, malabarismo e acrobacias, a performance de domingo traz como novidade números aéreos, como trapézio e outras surpresas. 

 

Cartas na manga

"Quatro cambalhotas, cinco cambalhotas. Bravo, bravo. Arquicambalhotas. Hipercambalhotas. Bravo, bravo. Rompe a lona, beija as nuvens, tomba de nariz. Que os jovens vão pedir bis." Só mesmo passando por lá para compreender a cena descrita por Chico Buarque nessa canção. Diante da plateia, a trupe de palhaços do Rosa dos Ventos não se esforçava para seguir um roteiro pré-estabelecido. Pelo contrário, piadas e performances aparentemente imprevistas tomavam conta da história. E era exatamente aí que estava a graça. "Parece que é bagunçado, mas é a mesma estrutura apresentada em todos os lugares. O que parece improviso são cartas na manga. Em certos locais, algumas piadas dão certo, em outros não", conta Fernando Ávila, o Dez pra Sete, que precisou parar a conversa com a equipe de reportagem para dar atenção a um grupo de crianças que pediam autógrafo. Em vez de atender a solicitação, o engraçado personagem preferiu correr atrás da garotada. "Nosso espetáculo tem malabarismos simples, não tem nada de virtuosismo." 

"Aprendi muitas maluquices legais", disse Leanderson Almeida Rodrigues, de 9 anos, aluno da Escola Municipal Presidente Tancredo Neves. Amiga dele, Maryza Alves Pereira, 10 anos, vibrou com os aplausos dos espectadores, já que participou de um dos números apresentados. Por cima dela, um dos palhaços andou de ponta cabeça. "Fiquei com medo de ele cair em cima de mim. Mas gostei porque todo mundo bateu palma", comentou a menina. 

Para a professora André Corrêa Senra Barros, 44 anos, que acompanhava alunos da Escola Municipal Ipiranga, participar do festival contribuiu para a ampliação do trabalho desenvolvido em sala de aula. A instituição de ensino está desenvolvendo um projeto de circo com os estudantes. "O evento veio a calhar. Muitas das crianças são carentes, não conheciam nem a UFJF", afirma. 

Fernando diz que o Rosa dos Ventos é um grupo que faz circo popular há 15 anos. "O pessoal fala que nosso palhaço é da rua, é feio, é popular. Muita gente repudia", destaca o palhaço. Após a apresentação, Dez pra Sete, Beterraba, Tiuria, Nicochina e Custipíl de Pinóti comandaram a oficina de acrobacia. 

 

Trampulim rege a plateia

 Na manhã desta sexta, o grupo Trampulim, de Belo Horizonte, desafiou crianças e adultos a entrarem no ritmo da trupe na apresentação de "Pratubatê". Regidos do palco, pais e filhos, alunos e seus professores e integrantes da classe artística juiz-forana receberam tambores para participar dos jogos musicais propostos. Por meio de brincadeiras, os artistas trabalham regras de regência, escuta e técnicas básicas de percussão. De espectadora, a plateia se tornou protagonista do espetáculo, em uma construção rítmica coletiva, que só tem sucesso com a colaboração atenta e afinada da audiência. 

Segundo a organização do festival, na quinta-feira, primeiro dia do festival, cerca de 1.400 pessoas se renderam às graças de Benedita e Sabonete, nos espetáculos "Manotas musicais" e "Uma surpresa para Benedita". A expectativa é de que, até domingo, mais de 5.600 espectadores passem por lá.  

Veja programação completa do festival que vai até domingo.

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