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12 de Dezembro de 2013 - 07:00

O artista plástico Ramón Brandão lança, hoje, livro sobre arquitetura no Mamm, que também abriga concerto da pianista Erika Ribeiro

Por MARISA LOURES

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Fazenda da Tapera, no Bairro Santa Terezinha
Fazenda da Tapera, no Bairro Santa Terezinha
Residência em estilo neocolonial, projetada por J.J. Pereira Louro, em 1936
Residência em estilo neocolonial, projetada por J.J. Pereira Louro, em 1936
Ramón assina e ilustra o livro com desenhos em nanquim
Ramón assina e ilustra o livro com desenhos em nanquim
Erika Ribeiro recebeu o primeiro lugar no Concurso Nelson Freire
Erika Ribeiro recebeu o primeiro lugar no Concurso Nelson Freire

Artista plástico há 30 anos, Ramón de Lima Brandão decidiu flertar com a escrita. "Nas artes plásticas, a ideia circula através da imagem, mas defender o que pensamos através da palavra também é fascinante", afirma Ramón, que lança o livro "Arquitetura neocolonial - Arquitetura da felicidade", hoje, às 19h, no Mamm, com apoio da Lei Murilo Mendes. A partir das 20h, o espaço ainda abriga concerto da pianista carioca Erika Ribeiro. O programa conta com peças eruditas e populares.

Formado em artes pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Ramón conta que o livro surgiu a partir de uma monografia de conclusão do curso em especialização em história do Brasil, defendida em 2001. Em suas páginas, o leitor encontra um apanhado da arquitetura do país, por meio de textos e ilustrações, feitas por ele, em nanquim. O autor desenhou edifícios juiz-foranos, como o que ocupa a capa da publicação - o prédio do antigo edifício da 4ª Região Militar, localizado na Praça Antônio Carlos - até internacionais, como o portal dos estúdios da Paramount, nos Estados Unidos. "Acredito que o neocolonialismo tenha recebido influência do cinema norte-americano. As mansões dos anos 1920 e 1930 representam bem essa época. O castelinho do Bairu, aqui em Juiz de Fora, por exemplo, é quase cinematográfico", observa.

"A pesquisa tinha uma rigidez acadêmica. Por isso, quando decidi publicar, substituí as fotografias por desenhos. Além de algumas fotos não estarem boas, queria seguir um padrão", explica ele, justificando a aproximação com a área em que não milita. "Sempre gostei de arquitetura. Quando fiz o trabalho, já tinha uma intenção de levá-lo a público, mas o roteiro da nossa vida, nós não controlamos. Nestes anos todos, percebi que, na minha pesquisa, havia uma espécie de hiato. Fala-se muito aqui na cidade do eclético, do art decó e até do moderno, mas pouco do neocolonialismo", comenta. "Foi um estilo que provocou mudanças de paradigmas. Passamos a ter o rádio, o automóvel, e o planejamento da casa ficou mais racional. O banheiro passou a ser incorporado na moradia. A casa colonial é mais aconchegante. As pessoas passaram a ter uma relação mais íntima com ela."

Para dar corpo à obra, Ramón se ancorou em documentações do arquivo histórico da cidade. Suas descobertas o levaram a um legado do período que foi deixado em bairros locais, como Mundo Novo, São Mateus e Jardim Glória. Entre os imóveis emblemáticos, cita a Fazenda da Tapera, no Bairro Santa Terezinha. De acordo com o artista, apesar de o estilo ter marcado a arquitetura de Juiz de Fora até meados da década de 1950, as características de suas construções ainda permanecem: parede externa com textura um pouco enrugada, telhado de barro, uma espécie de coluna torcida, que, geralmente, fica na varanda frontal ou dividindo as janelas. "Acredito que o estilo tenha sido preservado como um conceito. Em todo lugar, há uma casa com uma varanda na frente."

 

 

Erudito e popular

Para o concerto desta noite, Erika Ribeiro, que se apresenta na cidade pela segunda vez, reproduzirá peças de Villa-Lobos, Radamés Gnattali, Egberto Gismonti, Guinga, Lea Freire, entre outros nomes. "São obras de artistas que fogem da forma, buscando a essência da música brasileira em suas composições, seja na vertente erudita, seja na popular", afirma a pianista, que tem no berço familiar o aprendizado musical. Filha de uma professora de piano, Erika cresceu ladeada pelos alunos da mãe. Os estudos do instrumento começaram aos 4 anos de idade.

Ainda jovem, ela já alcançou o reconhecimento nacional. Esteve à frente da Orquestra Sinfônica Brasileira e foi uma das convidadas a integrar a série "Piano solo". Nelson Freire, Cristina Ortiz, Eduardo Monteiro e Diana Kascso são artistas que participaram do projeto. Nas premiações recebidas, está o primeiro lugar no Concurso Nelson Freire. Durante sua formação, passou pelas mãos de Gilberto Tinetti, Marisa Lacorte e Eduardo Monteiro. Erika já se apresentou em festivais nos Estados Unidos, Suíça, Alemanha e França.

 

LANÇAMENTO DE LIVRO DE RAMÓN BRANDÃO E CONCERTO DA PIANISTA ERIKA RIBEIRO

 

Hoje, a partir das 19h

 

Mamm

(Rua Benjamin Constant 790)

 

 

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