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21 de Fevereiro de 2012 - 07:00

Carros alegóricos de duas escolas são incendiados por vândalos na madrugada

Por Tribuna

Hoje, a partir das 10h, a Funalfa abre as portas para a apuração do resultado do carnaval de Juiz de Fora. Ontem à noite, as escolas do Grupo A lotaram a passarela do samba. No domingo (19), o destaque foi a garra dos componentes das escolas dos grupos C e B, que mostravam o empenho em ver suas agremiações conquistarem melhores posições no carnaval.

No dia em que desfilaram as escolas que ocupam as vagas dos grupos B e C, teve passista que sambou com sandália arrebentada, gritos que ordenavam a volta por cima e componente de 72 anos que nem pensava em parar de pular o carnaval. Embora com prudência, e sem querer contar vitória, todas as agremiações se diziam confiantes com a possibilidade de conquistarem uma vaga na elite do carnaval de Juiz de Fora no próximo ano.

A noite também teve algumas baixas. Única representante do grupo C, a Vale do Paraibuna estourou o tempo e deverá ser penalizada. Também houve incidentes com carros alegóricos após os desfiles. Em um ato de vandalismo, três deles (dois na União das Cores e outro da Juventude Imperial), que estavam estacionados na Avenida Brasil, após a ponte do Bairro Manoel Honório, foram incendiados. O Corpo de Bombeiros controlou as chamas, e ninguém se feriu.

A abertura da Passarela também contou com a presença da corte carnavalesca que, ao lado do superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, deu as boas-vindas aos foliões. Nas arquibancadas, que não estavam lotadas, o público demonstrou carinho e reconhecimento ao trabalho dos carnavalescos, com aplausos e saudações.

 

Vale do Paraibuna

Homenagem aos negros da África

Se um dos principais objetivos da comissão de frente é levantar o público, o grupo que abriu o desfile da Vale do Paraibuna cumpriu o seu papel. Com oito componentes apresentando passos que representavam a dança negra trazida da África, a coreografia contagiou a plateia. "Estamos fazendo uma homenagem aos primeiros negros que chegaram ao Brasil. Mesmo com todo o sofrimento que marcou o início da história do Brasil, eles mostravam sua resistência por meio da dança, já nos navios negreiros", explicou o coreógrafo Fernando Valério. Apesar de ter conquistado o público, a escola deve ser penalizada no dia apuração, já que o desfile ultrapassou o tempo máximo permitido em cerca de quatro minutos e meio.

Com 330 componentes, divididos em 11 alas e dois carros, a única representante do Grupo C mostrou o enredo "O negro é arte na Bahia" e teve um início de desfile morno, já que as arquibancadas ainda não estavam tomadas pelo público, mas deixou a avenida sob fortes aplausos. "A Vale trouxe harmonia e alegria. Fizemos um belíssimo desfile. Tanto que a arquibancada abraçou nossos componentes com corpo alma", definiu o presidente da escola, Valtencir Feliciano.

O carnavalesco Hamilton Sabião explicou que o objetivo foi mostrar uma Bahia multifacetada. Por isso, as alas representavam desde o petróleo ao cacau, que configuram as riquezas do estado. O bloco Filhos de Gandhy também foi lembrado na fantasia da bateria. "Logo no início, trazemos um carro cheio de xangôs, que abrem nosso desfile pedindo que justiça seja feita", disse, sobre os destaques que envolveram o gavião, símbolo da escola, no carro abre-alas. No último carro, os componentes lembravam a Timbalada, munidos de tambores cenográficos que, apesar dessa condição, não deixaram de servir de instrumento para os destaques, que batucavam com força nas peças.

Comissão de Frente foi o grande destaque da Vale do Paraibuna

 

Juventude Imperial

Viagem ao passado de elite do carnaval

Figura cativa das rodas de samba juiz-foranas, o intérprete Flavinho da Juventude levantou a plateia, no desfile da Juventude Imperial, primeira representante do Grupo B a entrar na Passarela do Samba. Com seu paletó engomado e sapatos cuidadosamente lustrados, ele defendeu o enredo "Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima", que chamava os componentes para o retorno à elite do carnaval, após o rebaixamento do ano passado. Na passarela, cerca de 450 componentes, 13 alas e três alegorias convidavam o público a uma viagem ao passado, relembrando os principais momentos da escola.

E, para saudar a plateia, o coreógrafo Joseph Santos levou a corte portuguesa, com direito a roupas luxuosas e perucas, para a avenida. "São cinco casais e eu, que trago a coroa imperial, símbolo da escola. A coreografia, que vinha sendo ensaiada há cerca de um mês, simula a chegada da corte ao Rio de Janeiro." O tema relembrava um dos enredos passados, em que a Juventude reviveu o Brasil colonial.

Logo atrás, o carro abre-alas, trazia o Bairro Furtado de Menezes, representado por suas ruas e casas. "Estamos trazendo um pedaço da nossa comunidade para a avenida. Queremos mostrar nossa garra, já que somos a única escola tetracampeã", disse a diretora de carnaval da agremiação, Lu chaves.

Com 80 ritmistas, a bateria também agradou com paradinhas que estimulavam o público a cantar. Entre o time de passistas que acompanhava o grupo, a dona de casa Renata Alves, de 29 anos, mostrou que não mede esforços para defender a escola. A parte da frente da sandália que usava arrebentou no início da avenida e, mesmo chorando, ela garantiu o samba no pé. "Espero que tenha ajudado a Juventude a voltar para o Grupo A. Afinal, a escola estava falando de raça", contou, relatando que o incidente causou dores nos seus pés, mas, mesmo assim, ela ia correr atrás de outras sandálias para que pudesse sair na União das Cores, que desfilaria mais tarde.

Enredo da Juventude Imperial fala da luta da escola pela volta ao Grupo Especial

 

Unidos das Vilas do Retiro

Dobradinha na avenida

Com o enredo "Juiz de Fora - A pioneira Manchester Mineira", a Unidos das Vilas do Retiro emocionou o público ao desfilar a história da cidade, lançando mão de homenagens a personagens e marcos históricos, com três carros, 11 alas e 437 componentes. Um dos pontos altos foi a segunda alegoria, que levou um pedaço da Banda Daki à passarela, com a presença do general do mais tradicional bloco da cidade, Zé Kodak, arrancando saudações calorosas do público. O carro trazia um trio-elétrico cenográfico e contava com o efeito de uma chuva de confetes e fumaça. Bem atrás, integrantes do Domésticas de Luxo aproveitavam a lembrança do grupo no enredo para garantir uma dobradinha neste carnaval.

A escola mostrou muita criatividade, evidenciada por detalhes das fantasias e no conteúdo dos carros. Na ala que lembrava os times de futebol da cidade, por exemplo, até traves de futebol de botão foram aproveitadas. Já no último carro alegórico, que representava a cena cultural local, o artista plástico Roberto Bellei encravou seu cavalete para pintar um quadro durante o desfile. Ele retratou a Usina de Marmelos, que também foi tema do carro abre-alas. "Acho que pode ser um dos quadros mais bonitos de minha carreira, porque vai sair com muita emoção", disse, garantindo que o balanço da alegoria não iria atrapalhar.

A velha guarda do Retiro foi uma das mais empolgadas do primeiro dia de desfiles. Uma das integrantes mais animadas era a aposentada Anézia da Silva, de 72 anos. É o meu terceiro ano na avenida. Comei a sair no bloco do Pró-Idoso, há cerca de cinco anos, e tomei gosto. Essa semana já fui até a Belo Horizonte para brincar o carnaval. Acho que o cansaço só vai bater na Quarta-feira de Cinzas."

Os componentes também fizeram bonito, mostrando que estavam com o samba na ponta da língua. O resultado agradou ao presidente executivo da agremiação, Marcos Vinicius da Silva. "Ficamos muito satisfeitos com a evolução dos componentes e com a reação do público. Não esperávamos ser tão bem recebidos."

 Carro da Unidos das Vilas do Retiro homenageia Banda Daki

 

União das Cores

Quando tamanho é documento

Segunda escola da noite a levar a Bahia para avenida, a União das Cores apresentou o enredo "Sou feliz, ninguém mais feliz que eu. Bahia, o senhor do Bonfim me atendeu." Trazendo réplicas do Elevador Lacerda e do Farol de Itapuã, famosos cartões postais de Salvador, o carro abre-alas foi um dos mais altos da noite, com um destaque a mais de cinco metros de altura. O tamanho, inclusive, foi uma das prioridades da escola, como disse o carnavalesco Alberto Dutra. "Fizemos um dos maiores conjuntos de carros da noite." Segundo ele, foram seis meses de trabalho até a entrada na avenida. E para dar vida ao enredo, a agremiação contou com cerca de 400 componentes divididos em 13 alas e acompanhados por três alegorias.

Na comissão de frente, os carnavalescos fizeram uma referência à miscigenação que marca origem do estado. Oito bailarinos, divididos entre índios, portugueses e escravos pediam passagem para a escola que tem sede no Milho Branco. "Unimos técnicas de dança contemporânea a elementos que lembram a cultura de cada um desses personagens", explicou o coreógrafo James Melandre, que ensaiou a equipe em dez dias e coordenou as comissões de frente de outras duas escolas do Grupo A.

Os Filhos de Gandhy voltaram a servir de referência na avenida nas fantasias da ala mirim, que veio junto dos intérpretes e da bateria que, por sua vez, representava Olodum. Já as baianas vieram para purificar o público, com uma referência à lavagem do Bonfim. Uma das alas mais irreverentes foi a que trazia os turistas que visitam o estado. Munidos de máquinas fotográficas de plástico, os integrantes fingiam tirar retratos da plateia. Integrante desse grupo, o professor Julio Lopes, 51, que acabara de desfilar pelo Retiro e ainda planejava sair na Rivais da Primavera, era só alegria. "O segredo de tanta disposição é manter a criança que existe dentro de nós. O carnaval é maior harmonia humana e temos que aproveitar."

Ao final da apresentação, a p residente da União das Cores, Graça Castro, ponderou as dificuldades para colocar a escola na rua. "Tivemos pouco dinheiro e faltou espaço para construirmos nossas alegorias. Mas o importante é que conseguimos atingir nosso objetivo de fazer um belo carnaval."

Comissão de frente da União fez referência à miscigenação na Bahia

 

 

 

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