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13 de Julho de 2014 - 06:00

Em homenagem ao Dia Mundial do Rock, músicos locais prestam tributo a Led Zeppelin e Black Sabbath

Por JÚLIA PESSÔA

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Projeto prioriza artistas que possuem carreiras autorais e semelhanças com os homenageados
Projeto prioriza artistas que possuem carreiras autorais e semelhanças com os homenageados

1968 foi o ano que não terminou, como disse Zuenir Ventura em livro homônimo à afirmação. De fato, o penúltimo suspiro da tão conturbada quanto efervescente década de 1960 traz marcos históricos para a política e a cultura mundiais. A Guerra do Vietnã estava a pleno vapor, Martin Luther King fora assassinado e, no Brasil, o AI-5 enrijecia ainda mais a ditadura militar. Em contrapartida, os Beatles lançavam o "Álbum branco", Raulzito lançava seu primeiro disco, e o mundo via nascer duas bandas inglesas que influenciaram todas as gerações subsequentes do heavy metal e outras vertentes do rock: Led Zeppelin e Black Sabbath.

De Londres, o Led Zeppelin cantado por Robert Plant tinha também os memoráveis riffs de guitarra de Jimmy Page, a versatilidade do baixista e tecladista John Paul Jones e a agressividade da batera de John Bonham, que teve uma precoce morte em 1980, com apenas 32 anos. Já o Black Sabbath do vocalista Ozzy Osbourne surgiu em Birmingham, cofundado por Tony Iommi, reconhecido por sua pesada guitarra, e também integrado por Geezer Butler, baixista também responsável pela temática obscura que permeava as letras da banda.

Neste sábado, ambas serão homenageadas no projeto Arena Rock, antecipando as comemorações do Dia Mundial do Rock, celebrado amanhã. Segundo o produtor da iniciativa, Sandro Massafera, a ideia foi prestigiar duas das maiores bandas da música mundial e, ao mesmo tempo, celebrar a música local. "Por isso o Glitter Magic, que já tinha um projeto de tributo a Black Sabbath, fará a homenagem à banda. Para o Led Zeppelin, reunimos músicos de diversos grupos diferentes que tivessem o perfil próximo ao dos ingleses", conta ele. Assim, a Glitter Magic presta honrarias a Ozzy e sua trupe com Rhee Charles (vocal), Luqui di Falco (guitarra), Mauri Moore (guitarra) , Glux (baixo) e Andy Ravel (bateria). O Led Zeppelin reúne, de forma inédita, Henrique Filho (vocalista da Bad Bloxx), Thiago Salomão (guitarrista do Martiataka), Leandro Trombini (guitarrista da Rooster) e o baterista Douglas Gomes (Tuka's Band e Glory), com participação do guitarrista Marcus Mendonça e do tecladista Pablo Garcia (La Macchina).

Para Thiago Salomão, que recrutou os roqueiros para o tributo ao Led, uma das preocupações foi incluir na iniciativa músicos com trabalhos autorais. "Um projeto como este é interessante porque tem a chancela de grandes bandas mundiais, e as pessoas podem vir a se interessar pelo trabalho dos músicos que estão tocando. É uma maneira de usar as versões de artistas consagrados para ajudar a formar público para a música local", destaca Thiago, falando também das especificidades do trabalho musical no tributo ao Led Zeppelin. "Primeiro procuramos um vocalista que tivesse a extensão vocal dos agudos do Robert Plant, e todos os outros músicos também teriam que ter experiência, porque o Led tem uma sonoridade muito elaborada e característica. É uma banda de enormes talentos individuais, mas que tem um som conjunto fantástico também, algo que, por incrível que pareça, é raro encontrar", observa o guitarrista.

Já Luqui Di Falco ressalta que o Black Sabbath é um dos maiores referenciais musicais do Glitter Magic. "Nós adoramos o peso das guitarras, os riffs mágicos e as incríveis sequências das músicas. Sempre pensamos sobre isso na hora de compor nosso material. No comportamento, preferimos nos espelhar apenas na parte carinhosa com que eles tratam os fãs e na forma cordial como se comunicam com a mídia. Deixamos a parte insana deles para eles mesmos (risos)", brinca o músico, tendo em mente as notórias loucuras com álcool, drogas, sexo e excentricidades diversas que marcaram a trajetória da banda. Para Luqui, a banda reinventou o que se fazia de rock entre os anos 1960 e 1970. "O maior legado deles foi o heavy metal. Em 1970, quando as guitarras estavam começando com distorções, eles lançaram um disco homônimo incrível e muito pesado. Isso mudou o rumo da música. A partir daí, surgiram bandas de heavy metal em todo o mundo, e Black Sabbath se tornou a maior representação do metal no planeta", avalia o músico.


Legado sólido e repertório variado

Segundo Thiago Salomão, tocar com músicos de diferentes bandas, como neste projeto, é ao mesmo tempo instigante e desafiador. "Faz com que a gente saia da rotina de ensaios com nossas bandas, de zonas de conforto, e experimentemos fazer música de uma forma diferente", opina ele, acrescentando que a seleção de repertório de tributo a uma banda com produção tão vasta e rica como Led Zeppelin também foi difícil, mas prazeroso. "Praticamente a totalidade das músicas de Led Zeppelin são clássicos, então escolher é muito penoso. Procuramos tocar hits, como 'Stairway to heaven' e 'Whole lotta love', para agradar pessoas que não têm conhecimento tão profundo sobre a banda, mas também algumas surpresas, coisas que gostamos de tocar e são caras pelos fãs mais ferrenhos.

Os fãs de Ozzy, naturalmente dados a um som mais hard, podem esperar ouvir grandes clássicos como "Behind the wall of sleep", "War pigs", "Mob rules, "Never say die" e "Supernaut". "Baseamos o show nas fases do Ozzy e do Dio, mas caso alguém peça uma do Tony Martin ou do Ian Gillan podemos mandar na hora", diz ele, mencionando diversos nomes da fase em que Toni Iommi, na tentativa incansável de manter a banda viva, trocou de front-man como trocava de palheta. Luqui Di Falco acrescenta, ainda, que o evento só fortalece a cena musical da cidade, que vem fazendo uma trajetória ascendente nos últimos anos. "Há alguns anos, o rock estava parado, agora temos diversos eventos com diferentes produções que lotam em diferentes casas de show", comemora o guitarrista.

ARENA ROCK: LED E BLACK

Hoje, a partir das 23h

Cultural Bar

(Av. Deusdedit Salgado 3955)

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