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08 de Junho de 2014 - 06:00

'Planetary', homenagem à cultura pop de Warren Ellis e John Cassaday, tem último volume publicado no Brasil

Por JÚLIO BLACK

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O Baterista, Elijah Snow e Jakita Wagner investigam a
O Baterista, Elijah Snow e Jakita Wagner investigam a 'história secreta do século XX'

"Este é um mundo estranho... vamos mantê-lo assim." Presente em diversas edições, a frase é apenas um de vários momentos antológicos de "Planetary", série criada por Warren Ellis e John Cassaday em 1999 e que teve o quarto e último volume de sua antologia publicada no Brasil pela editora Panini. Com míseras 27 edições publicadas durante dez anos, ela pode ser considerada como a melhor coisa feita nas histórias em quadrinhos nos últimos 20 anos. A série, publicada inicialmente pelo selo Wildstorm (da DC Comics), é vista por muitos como a obra de arte de Ellis, que tem no currículo trabalhos igualmente elogiados como "Transmetropolitan", "The Authority" e "Frequência global" - apenas para citar seus projetos autorais.

Para os neófitos, a Fundação Planetary é uma organização mundial comandada pelo enigmático Quarto Homem, que pretende descobrir a "história secreta do século XX" e coletar toda informação possível para o bem da humanidade. Conhecidos como os "arqueólogos do desconhecido", os super-humanos Elijah Snow, Jakita Wagner e O Baterista (além de Ambrose Chase, que aparece em flashbacks e só dá as caras na última edição) percorrem o mundo coletando informações, objetos e histórias mantidas em segredo, tendo como antagonistas um grupo que pode ser visto como a versão maligna do Quarteto Fantástico.

Trabalhando meticulosamente cada edição - fechada em si mesma -, Warren Ellis vai montando um quebra-cabeça em que cada peça é entregue aos poucos, até o leitor descobrir a motivação oculta dos personagens e o que os levou até aquele ponto - além de mostrar os verdadeiros vilões que manipularam os rumos de nosso mundo por cerca de 40 anos. "Planetary", porém, subverte todo o conceito de quadrinhos de super-heróis, com personagens que fogem dos clichês do gênero - algo que o autor britânico fez simultaneamente com "The Authority".

Se o conceito e desenvolvimento da série já seriam suficientes para prender a atenção dos fãs, ela ainda pode ser considerada a maior homenagem já feita à cultura pop do século passado, com suas referências/homenagens à literatura pulp e de terror, quadrinhos da Era da Prata da DC e do início da Marvel, filmes de espionagem, monstros japoneses, policiais de Hong Kong e produções "B" de ficção científica dos anos 50. Como um Tarantino da nona arte, Ellis povoa o universo de Planetary com versões literais ou inspiradas de personagens como Sherlock Holmes, James Bond, Drácula, Superman, Mulher Maravilha, Lanterna Verde, Tarzan, Doc Savage, O Sombra, Hulk, Thor, Godzilla e "amigos", o Cavaleiro Solitário, Besouro Verde e o já citado Quarteto - apenas para ficar nos mais conhecidos.

Um dos motivos para o reconhecimento de "Planetary" são os traços de John Cassaday, um dos melhores desenhistas de sua geração. Ele promove recortes cinematográficos às histórias, inspirados no bom e velho formato widescreen da tela escura, conferindo agilidade às cenas a partir de novos ângulos. Com esse auxílio luxuoso, Wellis criou episódios que, mesmo isolados, são considerados momentos clássicos da nona arte. Estes são os casos de "A tortura de William Leather" (edição 22), "Ilha" (edição 2), "O dia em que a Terra atrasou" (edição 8) e "Clube do canhão" (edição 18). Em "Planeta ficção" (edição 9), um dos personagens resume a visão da dupla quanto à cultura pop: "(...) Nós temos uma relação estranha com nossa ficção, entende? Às vezes tememos que ela esteja nos dominando, outras vezes imploramos para que ela nos domine. Algumas vezes queremos ver o que há dentro dela (...)."

Seja o leitor iniciante ou veterano nos quadrinhos, "Planetary" sempre será uma das obras que melhor definem o gênero e que merece ser relida indefinidamente.

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