Publicidade

09 de Fevereiro de 2014 - 07:00

Marcelo Manhães acaba de lançar os livros 'Uma fábula africana' e 'O menino e o sonho', já adotados por escolas de Juiz de Fora e de outras cidades

Por MARISA LOURES

Compartilhar
 
Em "Uma fábula africana", Marcelo Manhães conta com a ilustração da filha Luíza Costa Manhães
Em "Uma fábula africana", Marcelo Manhães conta com a ilustração da filha Luíza Costa Manhães

Sempre que se depara com um nome inspirador e curioso, o escritor juiz-forano Marcelo Manhães o reserva na memória para, depois, dá-lo a um personagem. Foi assim com Ababi, uma velha senhora lavadeira de roupas do livro "O ladrão de nuvens", publicado em 2012 e, hoje, já na terceira edição. Na época, o autor se viu encantado com o nome de uma aluna de uma das escolas por onde passou para apresentar sua obra. E foi assim com Kabenguelê, protagonista de "Uma fábula africana" (30 páginas), recém-chegado às prateleiras com apoio da Lei Murilo Mendes. "O Kabenguelê é um autor africano que conheci durante uma aula no mestrado em Letras. Acabei gostando mais do nome do que da obra em si e o adotei. É um hábito que tenho", comenta Manhães, que também lança "O menino e o sonho" (47 páginas), pela Bicho da Seda. As publicações, assim como outros títulos do autor, já foram adotadas por escolas de Juiz de Fora e de outras cidades.

Ilustrado e totalmente colorido, "Uma fábula africana" narra a trama "de um menino, uma lebre, uma cobra, um leão, um elefante e de uma grande amizade aparentemente impossível." Seguindo a instrução da mãe, Kabenguelê sai à caça de um animal para o almoço. Ele só não esperava que a busca o meteria numa aventura que tinha tudo para ser assustadora, não fosse o empurrãozinho do vento frio que soprava. Embora queira transmitir uma mensagem positiva, Manhães conta estar longe de seus propósitos escrever com fins pedagógicos. "Acredito numa literatura como formadora de indivíduos conscientes, que auxilia na formação do caráter. Não que isso seja uma obrigatoriedade. Tento fazer com que a criança absorva o texto de forma lúdica, suave e agradável."

Em "O menino e o sonho", ilustrado em preto e branco, o leitor é convidado a sair em busca de um pote com moedas de ouro, que está escondido lá no fim de um arco-íris. Escrito em tom de conversa, logo no início, o autor avisa: "A história que irão conhecer é a de um desses meninos e meninas cheios de imaginação que acreditam que sonhos podem ser realizados. E o que quer que eu diga? Podem, sim! Muitos deles".


Inspiração que vem da vida real

Se os nomes dos personagens de Manhães são retirados da vida real, as histórias que ocupam as páginas dos livros não podiam ter origem diferente. "Elas chegam através de uma cena que vejo na rua ou por algo que li, já que a literatura tem sempre uma intertextualidade", afirma o escritor, defendendo um processo de criação a partir de "uma inspiração divina, dando como exemplo o livro "Jequitibá", primeiro de 11 com sua assinatura. "Simplesmente acordei em uma madrugada com a história do início ao fim, com tudo na cabeça", comenta. "O livro 'O peixe' surgiu quando estava assistindo a um telejornal e se tornou um sucesso. 'O ladrão de nuvens' foi escrito depois de uma noite com tempestade torrencial. Meu filho tinha 5 anos, quando ele bateu no meu quarto com medo. Inventei uma história aleatoriamente para acalmá-lo, e ele acabou dormindo."

Também ilustrador, Manhães é o responsável pelos desenhos dos livros de sua autoria. Em "Uma fábula africana" e em "A casa quase abandonada no fim da rua", de 2012, porém, contou com as ilustrações da filha mais velha, Luíza Costa Manhães, de 21 anos. Nascida em São Paulo, mas radicada em Juiz de Fora desde 2005, Luíza está prestes a se formar em artes e design pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Aliás, a parceira na produção para o público infantil, quando criança, serviu de estímulo, junto aos irmãos, Lígia, 16 anos, e Lucas, 12 anos, para a literatura do pai. "Meu objetivo inicial foi fazer meus filhos serem cidadãos melhores. Também sempre quis que as outras crianças pudessem ter essa perspectiva", ressalta. Manhães adianta que é deste tempo a escrita de "O mundo cão". Ainda desconhecido do leitor, a obra de estreia chegará às livrarias em breve. "Acho que ele requer um aperfeiçoamento do texto. Peguei uma história de um cachorro que gostava muito de comer banana e a escrevi."

Natural de Juiz de Fora, Manhães viveu em São Paulo e Rio de Janeiro durante alguns anos, antes de voltar para a terra natal. Entre seus livros estão "O urso polar" e "Tartaruga verde da cara rosada". Este último foi lançado em 2009 por meio da Lei Murilo Mendes com selo do projeto Tamar. Atualmente, ele se dedica exclusivamente à carreira de escritor. Em "O menino e o sonho", ele parece definir com as palavras emprestadas por Cora Coralina o que norteia sua escrita. "O saber você aprende com os mestres e com os livros. A sabedoria você aprende com a vida e com os humildes."

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você acha que alertas em cardápios e panfletos de festas sobre os riscos de dirigir sob efeito de álcool contribuem para reduzir o consumo de bebidas por motoristas?