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11 de Dezembro de 2013 - 07:00

Livro sobre Hospital Colônia, da repórter especial da Tribuna Daniela Arbex, é premiado pela APCA e ganha edição europeia

Por Mauro Morais

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Jornalista se prepara para ver seu livro virar filme e documentário
Jornalista se prepara para ver seu livro virar filme e documentário

Passados pouco mais de cinco meses do lançamento de "Holocausto brasileiro" (Geração Editorial), a obra de Daniela Arbex, repórter especial da Tribuna, ganha contornos grandiosos. Inaugurando uma trajetória de prêmios, a publicação foi anunciada como melhor livro reportagem de 2013 pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) na última segunda. No primeiro semestre de 2014, o título será publicado em Portugal pela editora Guerra & Paz. Comentada dentro e fora do Brasil, a obra já está na oitava edição, somando 55 mil exemplares vendidos e sendo cotada para integrar as listas dos principais prêmios literários do próximo ano.

"Emociona-me saber que esse livro não ficou restrito à área médica, como poderia ter acontecido. Ele está sendo debatido nas faculdades de filosofia, comunicação, história, sociologia, psicologia e também medicina", comenta Daniela. Segundo ela, o prêmio da APCA chancela o trabalho, apontando a necessidade de prosseguir. "O sonho de um jornalista é conseguir mobilizar as pessoas. Saber que esse trabalho está sendo útil me honra bastante. O jornalista escreve para transformar, e, por isso, ele quer ser lido. O reconhecimento é a prova de que algo está sendo modificado ou provocado", reflete ela, que diz só ter escrito as 272 páginas por conta de seus 18 anos de ofício.

"Já considero 'Holocausto brasileiro' um dos títulos mais importantes de minha editora. Ele é, ao mesmo tempo, emocionante e acabrunhante. Ele está tendo uma carreira excepcional, por que fala para o coração das pessoas comuns e para especialistas", comenta o editor e publisher da Geração Editorial Luiz Fernando Emediato. Segundo ele, a obra já está nas mãos de agentes da Europa e dos Estados Unidos, e, apesar de esse processo ser mais demorado, novos contratos internacionais podem acontecer. "Esse livro, certamente, vai virar documentário e filme. Ele espanta pelo rigor da apuração e pelo esmero do texto", diz, confirmando ter recebido propostas para o cinema e para a TV.

 

Por outra realidade

Uma das personagens da obra, Conceição, lúcida, sonhava com o dia em que o lugar onde morava se tornaria salubre, digno e humano. Indignada, ela esperava que os horrores vividos dentro do Colônia, para onde foi levada por reivindicar uma parcela igual à dos irmãos no trabalho que fazia na fazendo do pai, se tornassem amplamente conhecidos. Tudo isso aconteceu. A reforma psiquiátrica contribuiu para criar um novo ambiente no antigo hospício, e o livro "Holocausto brasileiro" tem colaborado para divulgar o episódio obscuro na história do país.

"Antes, quem conhecia essa história eram apenas os moradores de Barbacena e da região. Agora temos outros olhares. Esse livro reafirma que o que temos hoje é outra realidade. Não colocamos nossas histórias debaixo do tapete, e o Museu da Loucura confirma isso. Elas estão aqui para serem mostradas e nunca esquecidas", aponta Mônica Matos Souza Chartuni Teixeira, diretora do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB), antigo Colônia. De acordo com ela, a obra conferiu visibilidade à instituição, procurada por diversos veículos de comunicação, além de ter aumentado a visitação no museu que reserva objetos e documentos do antigo hospício. Atualmente configurado como um hospital geral, com amplo atendimento, o lugar também recebeu, segundo sua diretora, ligações de pessoas procurando por familiares deixados na Colônia.

 

Novo olhar

"O 'Holocausto' traz essa reflexão sobre as grandes ameaças contidas nas possibilidades de novas exclusões. O manejo da privação é fácil, então precisamos sempre estar atentos", analisa Mônica Teixeira, apontando para outra façanha da obra: incluir, por definitivo, o nome de Barbacena como uma das principais referências do tratamento da saúde mental no país e no mundo. "O livro está provocando uma nova forma de pensar e olhar a loucura, não a loucura de "Sorôco, sua mãe, sua filha" (texto de Guimarães Rosa), mas a loucura dos chamados normais", confirma a autora, citando trecho de carta do psiquiatra Francisco Paes Barreto. "Os leitores têm interpretações diversas, e isso é interessantíssimo. Eles se apossam dos personagens e das situações, sentem o cheiro do hospital e o frio de Barbacena, choram pela separação de Débora e Sueli, se apaixonam pela irmã Mercês. Para cada um, um momento diferente da história é mais forte", completa.

Daniela conta que uma turma da faculdade de filosofia da Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia, entrou em contato, pela internet, para lhe contar sobre um seminário que fizeram sobre o livro. Cada grupo apresentou uma leitura da obra, e todos lhe enviaram fotografias do momento. Emocionada, a autora conta que um dos estudantes apontou-lhe para algo comum em todas as fotos: todos vestiam-se com suas melhores roupas, em homenagem aos internos do Hospital Colônia.

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