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15 de Julho de 2014 - 07:00

Jorge Arbach abre exposição de ilustrações publicadas na Tribuna, dentro da programação do Festival de Música Antiga, que apresenta hoje o Quinteto Villa-Lobos (RJ)

Por MARISA LOURES

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"Gaiola", traçada em lápis de cor
"Gaiola", traçada em lápis de cor
Quinteto Villa-Lobos se destaca, no Brasil, pelo trabalho com a música de câmara
Quinteto Villa-Lobos se destaca, no Brasil, pelo trabalho com a música de câmara

Um corredor estreito, tomado por estantes dos dois lados. Nas prateleiras, estão livros acadêmicos, artísticos, edições de antigos jornais e ilustrações, muitas ilustrações. Ao fundo, uma sala, pequena, porém espaçosa o suficiente para o artista. É nesse ambiente da Av. Presidente Itamar Franco que o artista gráfico Jorge Arbach guarda o legado de uma vida dedicada à arquitetura, à sala de aula e ao jornalismo. As três atividades sempre coexistiram, ainda que, por um período, uma ou outra tenha recebido mais atenção. Após 20 de anos de atuação como professor do curso de arquitetura da Universidade Federal de Juiz de Fora, veio a necessidade de fazer um balanço da época nas redações. A missão é longa, requer tempo, mas já começou a ser cumprida.

Desde ontem, a galeria Renato de Almeida, do Pró-Música, abriga a mostra "Música", composta por 20 reproduções de desenhos de Arbach publicados na Tribuna, veículo no qual ele iniciou a carreira ligada às notícias. Traçados em técnicas diversas, como lápis de cor e aquarela, e impressos em papel fotográfico, os trabalhos têm relação com a música e integram a programação do 25º Festival de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, que traz para a cidade, até 27 de julho, atrações nacionais e internacionais. Nesta terça, o Cine-Theatro Central recebe o Quinteto Villa-Lobos, do Rio de Janeiro, a partir das 20h30.

Arbach nunca deixou o lápis de cor de lado. A quase nula proximidade dele com a música se deu no jornalismo, quando, por várias vezes, usou seus traços para ilustrar matérias com essa temática. Arquiteto e artista gráfico, contemplado três vezes com o prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo, ele se diverte quando esta repórter quer saber qual o motivo da nova empreitada. "Trabalho muito com o desenho, com as artes gráficas, com as artes visuais e devo tudo isso à música. Tentei tocar violão e não consegui, aí vi que meu negócio era desenho e não a música. Não sou afinado nem para ouvir uma canção", brinca.

Além das obras, estão expostas, em biombos brancos, montados no lado direito da galeria, como a se formar um pequeno espaço intimista, as páginas diagramadas. Não que a leitura do texto seja essencial para o entendimento dos desenhos. "Nunca considerei as ilustrações editoriais um ornamento para equilibrar visualmente a página ou simplesmente servir de atrativo para que o leitor se aproprie do texto. Acredito que a imagem no jornalismo tem a capacidade de expressar opiniões no mesmo nível que um texto ou uma foto", explica. "Fiz o caminho inverso. Selecionei as mais belas diagramações para depois escolher a ilustração. Não adianta fazer um ótimo trabalho, ser significativo, e ele entrar com uma vinheta. Ele acaba não tendo o peso por ser atropelado, estar submerso na página. O texto, você faz uma leitura intelectual, uma imagem é visual. Por isso, não pode entrar minúscula, porque se perde no contexto", justifica.

Com um pouquinho de sorte, ainda é possível apreciar os trabalhos ao som de música clássica, já que, por estes dias, é comum se deparar com alunos do Festival empunhando instrumentos barrocos pelos corredores do local. Ontem à tarde, durante visita da Tribuna à galeria, os acordes ouvidos eram os de um violino.

Parceiro de longa data do Pró-Música, para quem frequentemente assina trabalhos gráficos, Arbach tem no currículo participações em mostras na Bulgária, México, Canadá e Grécia. Seu talento também lhe valeu fazer parte do júri do Salão Internacional de Desenho em Cuba, em 1993.

 

Segundo Arbach, "Música" é apenas um recorte de um projeto bem maior. Em breve, uma espécie de balanço de toda a produção visual ganhará corpo com a criação de website, CD ROM e uma publicação impressa. A página virtual concorre à Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura. "A exposição é uma retomada, uma intensificação daquela atividade que vinha realizando antes da academia. Sinto que é uma série de várias retomadas, porque lá se vão 20 anos desse desligamento da redação", diz ele, refletindo sobre a necessidade de eternizar as obras em um momento "em que tudo é fugaz." "Não gosto de desenhar, preciso desenhar. É minha linguagem, meu oxigênio, uma forma de me expressar, de participar socialmente, de emitir opinião, de estar atuante. Preciso fazer uma coleção, rever todo esse material que está nos arquivos e que considero perene."

 

 

Clássico e popular

O Quinteto Villa-Lobos mostra a Juiz de Fora, nesta terça, que o repertório clássico e erudito é, sim, apreciado pelo público brasileiro. Formado há 52 anos, o grupo carioca se destaca na longa trajetória, não só pelo esmero com que executam a música de câmara, mas também por investir em um programa que passa por vários gêneros. Como, há muito, o segmento não se restringe às salas de concerto, a formação aposta em apresentações em escolas da rede de ensino. Aqui na cidade, a plateia será recebida com as "Seis bagatellas" (1953), de Gyorgy Ligetti, compositor judeu húngaro considerado um dos mais notáveis da música erudita do século XX: - "Allegro com spirito", "Rumato. Lamentoso", "Allegro grazioso", "Allegro grazioso", "Adagio. Mesto" e "Molto vivace, capriccioso". Contudo, a noite ainda reserva espaço para nossos conterrâneos, como Heitor Villa-Lobos, Ronaldo Miranda, Marlos Nobre e Guinga.

Entre as honrarias recebidas pelo quinteto, está o Prêmio Carlos Gomes, dado pelo Governo do Estado de São Paulo, em 2001 e em 2009, em reconhecimento ao "melhor grupo de câmara nacional". Já as palmas pelo trabalho executado vieram da Funarte em 2009, mesmo ano em que os músicos percorreram o Nordeste em 12 recitais. No mesmo período, foi a Berlim, na Alemanha, para a encerrar a Copa da Cultura. Com o disco composto por obras de Guinga, lançado em 2012, em virtude do cinquentenário da formação, foi indicado ao Grammy Latino.

Dando sequência às atrações ao ar livre, iniciadas ontem, o Parque Halfeld recebe, às 17h30, a Orquestra Sinfônica Pró-Música/UFJF, com regência de Nerisa Aldrighi. Em seguida, será a vez de "Gaitas", de Luciano Baptista (gaita, viola e voz) e Hamilton Moraes (violão). Aos alunos do festival e aos inscritos no Encontro de Musicologia, está prevista, às 10h, no auditório do Instituto Granbery, uma palestra com o professor Alexandre Rosa. Ele falará sobre "O contrabaixo e suas técnicas estendidas" e ainda lançará o CD "Bass XXI". Para assistir às apresentações em locais fechados, é necessário retirar o ingresso no Pró-Música, a partir das 8h. Programação completa em www.promusica.org.br.

 

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