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12 de Março de 2014 - 06:00

Autora da série infantil 'O curioso mundo de Amelie', Nara Vidal se envereda pelo mercado adolescente com 'Arco-íris em preto e branco'

Por MARISA LOURES

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Como é a Isadora? Apesar de afirmar o contrário, ela tem um bom humor que atrai qualquer pessoa, até mesmo quem já se encontra na fase adulta. Sua figura gordinha, de cabelos rebeldes e rosto repleto de espinhas, estampada ao lado da citação de Winston Churchill, é suficiente para prender a atenção do leitor: "O sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder o entusiasmo". Sua autoapresentação denuncia, em linguagem simples e cativante, os conflitos vivenciados pela maioria de meninos e meninas na mesma faixa etária. "Essa aí ao lado sou eu. Bom, pelo menos é exatamente assim que me vejo. Não... falando sério, sou eu. Mas não parece se você comparar com as fotos de quando era criança. Devia ter uns 4 anos, acho. Tão lindinha, fofinha, uma bonequinha", diz ela, ao atingir as "15 primaveras". Para completar, usa óculos e tem aparelhos nos dentes.

Protagonista do livro "Arco-Íris em preto e branco", a debutante é a mais nova criação da mineira de Guarani Nara Vidal. A obra marca a estreia da autora da série "O curioso mundo de Amelie" na literatura infantojuvenil. "Isadora é uma adolescente e isso significa trazer com ela todas as belezas e problemas da época. Apesar de parecer uma menina comum, com características usuais para uma adolescente, como gostar do One Direction, ela tem uma característica que a diferencia: a autoconfiança, apesar dos pesares", conta Nara.

Radicada na Inglaterra há 12 anos, Nara voltará ao Brasil em maio para apresentar a história a alunos de escolas de Juiz de Fora. Em 1º de junho, passa pelo Rio de Janeiro para tarde de autógrafos no Salão do Livro. À criançada, também lança o livro "Pindorama de Sucupira", pela Mazza Edições. A obra fala do descobrimento e seus eventos sob o ponto de vista de uma indiazinha. "A ideia é despertar outros ângulos e motivar questionamentos." Ainda em 2014, a escritora lançará "Cadê o sono que não vejo", "Cocô de passarinho" e "O doce plano das galinhas". Todos os três pela Editora Cuore.

Assim como a leitura é rápida e fácil, o processo de criação das peripécias de Isadora seguiu nessa direção. Para escrever, Nara ocupou um canto do quarto que geralmente não é usado e deu vazão à imaginação. A história de 83 páginas surgiu em dois dias. Daí para o resultado final, foi só se dedicar aos detalhes de revisão. Arthur, Rafael, dona Bárbara, Bel, Tati Amarelinha e Rosa são apenas alguns dos personagens que completam o universo da protagonista. "Escrevi e depois fui pensar em quem eram os personagens. Geralmente, faço o caminho inverso. Cada um tem um perfume, uma música favorita, uma cidade que gostaria de visitar, fotos, estilos de se vestir, voz", conta Nara, dando dicas sobre a personalidade da garota. "Na porta do quarto dela tem a frase: 'levanta e vai pro inglês. Lembre-se: os meninos do One Direction não falam português.'"


Narrativa em primeira pessoa

Nara escreve contos, minicontos e versos. "Gosto muito do exercício de escrever pouco e dizer muito", confidencia. Formada em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e mestre em artes pela London Met University, ela publicou o primeiro livro, "Viajar sem dinheiro & gafes internacionais" (editora All Print), em 2010. Uma coletânea de contos sobre morar fora.

Com ilustrações da paulista Suppa, "Arco-Íris em preto e branco" tem tom de conversa, sendo escrito em primeira pessoa. O recurso garante identificação com o público-alvo: adolescentes entre 10 e 13 anos. Antes das páginas finais, um agradecimento pela atenção dispensada: "Muito obrigada por me ouvir!"

Na visão da autora, escolher a voz narrativa é sempre uma questão delicada. "É difícil porque pode mudar drasticamente o rumo e, especialmente, o tom da história. Comecei a escrever 'Arco-íris em preto e branco' em terceira pessoa. Mas aí veio o problema: como eu queria um livro leve, engraçado e com o qual o leitor pudesse se identificar, recomecei em primeira pessoa. Isso facilitou imensamente e, a partir dali, o texto fluiu. Se fosse eu, autora, narrando, minha voz viria com limites de preconceito, vivência, julgamento. A Isadora fala o que é, o que vê."

A cada capítulo (no total são 22), a simpática personagem relata uma fase de sua história: a ida ao cabeleireiro, que prometia dar um jeito no visual da cliente; o dia de compras desastrado com a irmã gêmea, porém linda, Bellinha; a amizade com Bia; e a descoberta do primeiro amor. A festa de aniversário era a dos seus sonhos, ou melhor dizendo, "dos sonhos da Bellinha! Vestidos de princesa, traje black tie, cabelos impecáveis. Bolo de três andares, fotos nossas para dar de lembrancinha. (Quem vai querer uma foto minha, faça-me o favor!) Telão mostrando como éramos quando pequenas e como mudamos. Minha mudança, dramática. A Bellinha trouxe sua belezura para a adolescência".

Não querendo antecipar o desfecho, mas antecipando, Isadora teve um final feliz, conseguindo ver, às vezes, "cores que rodeiam" o seu preto e branco. Para alegria geral, no derradeiro instante, a personagem sugere que a conversa continua. "Este não é o fim."

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