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06 de Dezembro de 2013 - 07:00

Reforma do Palacete Pinho chega ao final, e prédio centenário é reinaugurado com o espetáculo 'A Bela e a Fera' no Central

Por MARISA LOURES

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O prédio em estilo eclético ganhou as cores branca e azul, remetendo à pintura original
O prédio em estilo eclético ganhou as cores branca e azul, remetendo à pintura original

Construído em 1913 e tombado pelo município em 2001, o Palacete Pinho, localizado entre as ruas Halfeld e Batista de Oliveira, ostenta a fachada totalmente reformada. A partir deste sábado (7), o que ainda resta de tapumes já não mais será visto por quem passa pelas imediações. Os trabalhos, orçados, inicialmente, em cerca de R$ 150 mil e custeados pela família Yhebe, proprietária do imóvel, ultrapassaram a marca dos R$ 500 mil. Para celebrar os 100 anos do prédio, o Ballet Misailidis apresenta, neste sábado e domingo, no Cine-Theatro Central, às 20h, o espetáculo "A Bela e a Fera."

Há pouco menos de um ano, o imóvel exibia as marcas de deterioração provocadas pelas ações do tempo. Infiltrações, telhas quebradas, fiação exposta, esquadrias e gradis danificados, rachaduras e trincas forçaram a restauração. O bege envelhecido deu lugar ao branco e ao azul em tons claros, que serão realçados pela iluminação do renomado lightdesigner Maneco Quinderé. As cores escolhidas remetem à pintura original.

Segundo Marcelo Misailidis, diretor artístico da Misailidis, a ideia é dar vida aos detalhes arquitetônicos. "Usamos lâmpada de LED para causar menos risco ao bem. É uma das construções mais importantes da história do município. Faz parte do nosso acervo. Quando foi erguido, era um dos prédios mais altos. Revitalizá-lo é um presente que a gente dá para a cidade, é o verdadeiro sentido que se pode dá para a palavra reconstruir", diz o coreógrafo.

O objetivo, desde o início, era ser o mais fiel possível às características originais do palacete, que tem assinatura de Raphael Arcuri. De acordo com Marcelo, os trabalhos foram concluídos conforme o idealizado, embora a inauguração tivesse sido prevista para agosto. "Aquela região é uma das mais concorridas. Precisamos estender o prazo porque é um trabalho delicado. Temos que seguir várias exigências da Prefeitura. Só lamentamos o fato de, em Juiz de Fora, faltar investimentos e apoio efetivo. Este é um espaço voltado para a música erudita, não dá lucro. Entendemos que qualquer ação depende da boa vontade de cidadãos de bens. Dessa forma, abraçamos a causa. A Dani (Dani Marie, diretora de dança do Ballet Misailidis e mulher de Marcelo) é apaixonada por este espírito de conservação."

O conjunto ganhou telhas francesas, como as utilizadas no início do século XX. A previsão era de que a cúpula que cobria a trapeira (janela aberta para o telhado) de um dos exemplares do ecletismo na cidade fosse reconstruída, já que a estrutura cedeu devido a um incêndio ocorrido no local. Segundo o diretor, o fato fez com que o imóvel se tornasse conhecido como o prédio da 'janela que dá para o céu". "Como o palacete foi tombado sem ela, a Prefeitura entende que ele é daquele jeito. Falaram para criarmos algo que sugerisse a estrutura através da volumetria, mas ainda não fizemos. Isso ainda faz parte dos nossos planos." Na parte interna do edifício, entre as intervenções, estão a parte elétrica e a pintura. A escadaria da época foi mantida. Já as paredes passaram a contar com tijolos aparentes.

 

 

Espaço cultural e elegante

A expectativa é de que o térreo abrigue um café, livraria ou até espaço cultural. "Temos que encontrar uma solução que não descaracterize o lugar. Queremos pequenos pontos de atividades que sejam mais elegantes para a cidade, tentando trabalhar no sentido de aprofundar na referência e conquistar o respeito do público não só por meio dos nossos espetáculos, mas também nas instalações."

De acordo com Dani Marie, o imóvel foi adquirido por seu avô libanês, Salim Yhebe, que veio para o Brasil aos 7 anos de idade. Foi lá que o menino órfão encontrou trabalho na antiga fábrica de meias. Durante o dia, ele se dedicava às atividades profissionais no primeiro andar. Para dormir, procurava abrigo no segundo pavimento. A bailarina também conta que Salim passou a investir no ramo da construção após adquirir parte da empresa, depois de acumular dinheiro. Neste século de história, várias foram as atividades realizadas no local, que já foi sede de uma sociedade carnavalesca, alfaiataria e farmácia. Hoje abriga apenas o curso de dança.

"Nossa meta é realizar uma série de espetáculos para dialogar com a história das gerações mais novas, além de resgatar a memória dos pais", afirma Marcelo, destacando o objetivo da montagem do clássico "A Bela e a Fera". No palco do Central, aproximadamente 70 integrantes da escola Ballet Misailidis, entre bailarinos novos e experientes, representarão o clássico, eternizado no cinema. "A história passa a mensagem de que não devemos nos deixar levar pelas aparências e, sim, olhar para a beleza interior", explica o coreógrafo, para logo ressaltar as especificidades da montagem. "Na dança, você coloca mais emoção. Não existe um texto, mas a trilha sonora transforma a peça em um verdadeiro musical em que o romantismo vai tomando conta."

O cenário, concebido por Marcelo, com madeira e estrutura de ferro, é construído em formato de torres triangulares que vão se modificando diante do público. A execução é de Marcelo Augusto.

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