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25 de Junho de 2014 - 06:00

Guitarrista mexicano Carlos Santana lança 'Corazón', mais um álbum da série em parceria com outros artistas

Por JÚLIO BLACK

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Carlos Santana volta a trabalhar com amigos em "Corazón" (no detalhe)
Carlos Santana volta a trabalhar com amigos em "Corazón" (no detalhe)

Um dos artistas escalados para apresentar o hino oficial da Copa do Mundo na decisão do torneio, em 13 de julho, no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, o guitarrista e compositor mexicano Carlos Santana acredita no velho bordão futebolístico "não se mexe em time que está ganhando". Depois do autoral "Shape shifter", de 2012, o artista naturalizado norte-americano retoma em "Corazón", seu mais novo álbum, o esquema de trabalhar com diversos parceiros iniciado com o multiplatinado "Supernatural", de 1999, que vendeu mais de 30 milhões de cópias ao redor do globo e foi agraciado com nove estatuetas do Grammy. A impressão que fica após a audição do álbum, que conta com participação majoritária de artistas latinos, é que "Corazón", apesar das boas intenções, carece do entrosamento e da fome de bola de uma seleção colombiana ou do elemento surpresa de uma Costa Rica. Mas não chega a ser uma decepção como a "fúria" espanhola: está mais para o pragmatismo do México onde Santana nasceu - e que serviu de inspiração para a capa do álbum, de uma feiura constrangedora.

O guitarrista declarou em entrevistas de divulgação para o álbum que o propósito das canções de "Corazón" é "mudar a energia no mundo, porque se investe muito no medo." Cheio de boas intenções, o integrante do Hall da Fama do Rock and Roll escalou a sua seleção de amigos: Gloria Estefan, Juanes, Pitbull, Ziggy Marley, Los Fabulosos Cadillacs e Samuel Rosa, do Skank, foram alguns deles. Com tantos estilos de jogo diferentes, o resultado acaba ficando desigual, com algumas bolas dentro, outras que batem na trave e muitas que são isoladas na arquibancada. Entre os melhores momentos, estão duas originais do Brasil e uma dos hermanos argentinos: com Samuel Rosa assumindo os vocais e fazendo as bases das guitarras, "Saideira" mantém o pique da original, ganhando os acordes de Santana; já "I see your face", ao violão, é uma belíssima versão da original do guitarrista Bola Sete; "Mal bicho", dos argentinos Los Fabulosos Cadillacs, é o melhor momento do disco.

"Una noche em Napoles", do italiano Pink Martini e bem trabalhada por Santana, conta com as vozes de Lila Downs, Niña Pastori e Soledad, e é outra música a merecer mais de uma audição, assim como "Yo soy la lua", com participações de Wayne Shorter e a filha de Santana, Cindy Blackman. A partir daí, sobram algumas caneladas dignas da seleção de Honduras: "Amor correspondido", com participação de Diego Torres, até recebeu um interessante solo de guitarra, mas a letra do nível de novelas mexicanas - cantada por Diego Torres - estraga o conjunto. Tão fraca quanto é "Margarita", cantada por Romeo Santos, e a tentativa de modernizar o clássico "Oye como va" (Tito Puente) é estragada pela presença do marrento rapper Pitbull, o mesmo que se apresentou na insossa cerimônia de abertura do Mundial. A parceria com Ziggy Marley e ChocQuib Town em "Iron lion" (de Bob Marley) tem balanço, mas é facilmente esquecível.

Se a originalidade não tem sido o forte de Santana há uns bons anos, a reedição da fórmula (boa para garantir alguns hits nas FMs mais preguiçosas e comerciais) deve render mais alguns dólares aos cofres do guitarrista. Afinal, se a Grécia conseguiu ser campeã europeia jogando feio, o feijão com arroz musical de sempre é mais que suficiente para garantir os três pontos, alguns discos de platina e alguns Grammy - mesmo que sejam apenas os Latinos.

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