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05 de Dezembro de 2013 - 07:00

Roberto Dornelas faz exposição em homenagem a Moacyr Borges de Mattos, primeiro reitor da UFJF, resgatando história da instituição

Por JÚLIA PESSÔA*

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Encontro entre o então governador de Minas, José de Magalhães Pinto, e Borges de Mattos, na inauguração da Reitoria
Encontro entre o então governador de Minas, José de Magalhães Pinto, e Borges de Mattos, na inauguração da Reitoria

Cerca de cem mil negativos e 44 anos de história. Difícil encontrar uma maneira de representar toda esta bagagem escolhendo somente 80 fotografias, mas foi o que o fotógrafo Roberto Dornelas teve que fazer. Atuando no departamento de fotografia da UFJF desde a sua fundação, por Moacyr Borges de Mattos, primeiro reitor da instituição, Dornelas não teve dúvidas ao selecionar o material. "Foi uma escolha de coração. Tenho um carinho especial por este reitor, e homenageá-lo é uma forma de homenagear a universidade também, que só está como é por causa dele."

Segundo o fotógrafo, apesar da preocupação em não perder o material, que documenta o início da história da UFJF, a seleção das imagens foi rigorosa. Por isso, a maioria das fotografias é de solenidades importantes, como a inauguração do Hospital Escola da Avenida Rio Branco (o primeiro hospital universitário, instalado na área física do antigo sanatório Dr. Villaça, ao lado da Santa Casa); a criação da Escola de Nível Elementar (hoje Escola Municipal Santana de Itatiaia) e a inauguração da Reitoria na Avenida Benjamin Constant (onde hoje funciona o Mamm), em 1966, que teve a participação de generais presidentes da ditadura militar, como Castello Branco e Ernesto Geisel, além do então governador de Minas Gerais, José de Magalhães Pinto. "Tem uma imagem muito emblemática deste encontro com o governador. Ele e o reitor estão dentro do carro, e, na ocasião, eles quase bateram a cabeça. Seria a cabeçada dos nossos dirigentes", brinca Dornelas. "As fotos da exposição são jornalísticas, não artísticas. Na época, eu trabalhava em jornal e misturei um pouco de cada coisa, acrescentando uma dose de amor pelo que fazia", completa ele, que atuou nos impressos juiz-foranos "Diário da Tarde" e "Diário Mercantil", ambos pertencentes ao grupo Diários Associados de Assis Chateaubriand.

Ainda integrando a equipe de fotógrafos da universidade, Roberto Dornelas avalia as transformações na rotina de trabalho desde a época de Borges de Mattos. "A gente só fotografava o que ia entrar para a história. E, naquela época, muito do que acontecia aqui era visado em todo o país. Era necessário ter uma precisão muito grande para garantir a a imagem certa, o que hoje não acontece com a fotografia digital. Antes, a gente não podia perder o instante fotográfico, era preciso estar 'sempre alerta', como os escoteiros", diz ele, bem-humorado. Dornelas destaca, ainda, que o próprio departamento de fotografia da universidade foi mudando com o tempo. "Antes havia só mais um profissional para a iluminação, e hoje há uma equipe completa, e eu, além de fotografar, filmava também."

Com uma história que se confunde com o registro de imagens da UFJF, Roberto recorda o tempo em que as fotografias eram produzidas artesanalmente. "Além de fotografar, eu tinha que ir para o laboratório, revelar o filme, ver as imagens aparecendo. E a imagem já era fotografada com o corte, de acordo com a paginação do jornal ou do meio em que ela fosse ser publicada. E assim fui retratando a história da universidade, desde aquele pasto com poucas construções até se tornar o que é hoje."

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