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10 de Junho de 2014 - 06:00

Com verba de R$ 6 milhões, Teatro Paschoal Carlos Magno deve ficar pronto em novembro de 2015

Por MAURO MORAIS

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Com primeira das 18 parcelas liberada esse mês, espaço deixará de ser depósito da Funalfa, que garante qualidade da atual estrutura
Com primeira das 18 parcelas liberada esse mês, espaço deixará de ser depósito da Funalfa, que garante qualidade da atual estrutura
Projeto prevê teatro para 400 lugares, além de galeria, auditório e café
Projeto prevê teatro para 400 lugares, além de galeria, auditório e café

Ao longo das últimas três décadas, Paschoal Carlos Magno se tornou, em Juiz de Fora, sinônimo de elefante branco. O espaço que leva seu nome, situado na Rua Gilberto de Alencar, atrás da Igreja São Sebastião, em nada representava o homem de teatro que se tornou um dos maiores agitadores culturais do século XX no Brasil. Contudo, no último sábado, novas perspectivas se apresentaram com a assinatura do repasse de R$ 6 milhões da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) para a Prefeitura, afim de que as obras sejam concluídas. Bastante entusiasmado, o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, afirma que a primeira das 18 parcelas, aproximadamente R$ 330 mil, será liberada ainda este mês. Também em junho, será iniciado o processo de licitação, para que, até agosto, já seja conhecida a empresa que irá assumir a empreitada, permitindo que o teatro seja entregue em novembro do próximo ano, conforme estipulado no documento. "O grande clamor do Plano Municipal de Cultura, em todas as áreas, é por espaço. Temos motivo para comemorar. É um espaço de altíssimo nível", comenta.

"Trabalhamos nele há cinco anos, desde que assumi a Funalfa. Primeiro, eu queria responder se ali, hoje, ainda caberia um teatro, já que houve modificações e perda do terreno original - o teatro tinha, na década de 1970, a área onde hoje é a Creche Central. Também queria saber se, com o passar de três décadas, ainda se justificava construir um teatro ali e se havia algum dano para a estrutura física, que também está parada desde que Mello Reis deixou a Prefeitura, com pouquíssimos avanços. Todas as questões colocadas como empecilhos foram superadas. A partir daí, trabalhamos na revisão do projeto", pontua Dutra, explicando que a proposta contempla as planilhas de custo apresentadas e garantindo que o acréscimo no custo total da obra se deve a oscilações de mercado.

Enquanto o valor inicial, da década de 1980, previa o uso de Cr$ 70 milhões para a construção, já na gestão de José Alberto Pinho Neves, na Funalfa (1996 a 2004), o valor girava em torno de R$ 1,2 milhões. Em 2009, último grande momento de resgate do espaço, a previsão era de que não ultrapassasse R$ 4 milhões. "Esse teatro poderia custar R$ 30 milhões para terminar ou R$ 6 milhões como está custando. Fizemos uma opção pela técnica e pelo conforto do público", diz Dutra, acrescentando a simplicidade do projeto, que em nada deixa a desejar aos teatros de porte médio do Rio de Janeiro. Desenvolvido pelo escritório Skylab em parceria com o arquiteto da Secretaria de Obras, Leonardo de Paula, o local contará com uma galeria de arte, anfiteatro para 50 lugares, espaço para reuniões e ensaios, café, acesso para cadeirantes e amplos camarins, além, é claro, de uma bem equipada sala com 400 assentos. "Não é um espaço só para o teatro, mas para as artes em geral, é para dança, música e teatro. Criamos uma galeria para artes visuais e temos a possibilidade de exibição do audiovisual. Teremos um espaço multiformatado, que atenderá as demandas da arte e poderá funcionar como encontro das expressões", avalia o superintendente.

 

 

Sonho da cidade e de seus artistas

Além de responder a uma antiga demanda, o Teatro Paschoal Carlos Magno deverá ofertar uma sala com modernos equipamentos de luz e som, e pé-direito bastante alto (correspondente a quase três andares), o que proporcionará aos artistas locais a liberação dos altos custos com aluguéis referentes a sonorização e iluminação. "É um sonho que temos desde o momento em que o Paschoal Carlos Magno, conversando com o Mello Reis, pediu que fosse criado um teatro municipal em Juiz de Fora. Há a necessidade de um espaço de porte médio, principalmente para uma cidade que tem festivais e uma produção muito grande. Fico muito feliz com essa retomada", festeja o diretor do Grupo Divulgação José Luiz Ribeiro. "O Teatro do Estudante do Brasil uniu o país inteiro, e a passagem de um espetáculo deles por aqui fez ser criado um Teatro do Estudante em Juiz de Fora, que depois virou Teatro Universitário e mais tarde Centro de Estudos Teatrais Grupo Divulgação. O Paschoal Carlos Magno é o grande responsável. A importância dele, nacionalmente, é de um grande incentivador", completa Ribeiro.

Segundo Toninho Dutra, mesmo tendo passado tanto tempo, a obra iniciada por Mello Reis demonstra qualidade. "Não houve prejuízo nem de base, nem de estrutura de concreto, nem dos dutos de ar-condicionado. É uma construção muito sólida, que, felizmente, as outras administrações souberam dar um destino possível. A ocupação por um depósito, que já foi criticada muitas vezes, garantiu que o espaço tivesse frequência dos funcionários da Funalfa e fosse monitorado", discute, pontuando que a limpeza será iniciada ainda nessa semana. De acordo com o dramaturgo, ator e produtor Gueminho Bernardes, que acompanhou o processo desde o início, é preciso ter cautela. "É muito delicado quando a Prefeitura anuncia que vai começar a obra. Isso não significa que vá acontecer de fato. Tanta coisa em Juiz de Fora começa e para. Vamos comemorar, mesmo, no dia em que ficar pronto", diz.

"É melhor que nada. Esse projeto é de quase 35 anos atrás, em uma época em que atendia certa demanda da cidade. Hoje Juiz de Fora tem uma demanda muito maior. Então, ele não vai significar o preenchimento de todo um vácuo que existe na produção cultural. O teatro dá um fôlego para respirarmos. Se for um espaço com a qualidade que esperamos, irá nos dar algo que nunca tivemos, um teatro com excelência técnica. Precisamos disso", acrescenta.

Para Toninho Dutra, o novo palco cumprirá seu papel diante da demanda. "Teremos um belo teatro que ainda responde pelas necessidades da cidade, e isso foi verificado. Vamos ocupar da melhor maneira possível, como um espaço público, para todos os usos, prioritariamente artístico, mas também comunitário e social", diz, assegurando que uma página da grande novela envolvendo a obra foi virada. "Estou muito feliz, não só como superintendente, mas como artista que esperou muito por isso."

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