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11 de Junho de 2014 - 06:00

Skank lança 'Velocia', primeiro álbum de estúdio em seis anos, falando sobre manifestações, relacionamentos e craques da bola

Por JÚLIO BLACK

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Banda inicia turnê de divulgação de "Velocia" em setembro
Banda inicia turnê de divulgação de "Velocia" em setembro

Sexta-feira, 16h30: a Seleção Brasileira sofria para vencer a marcação da Sérvia em seu último amistoso antes da Copa do Mundo. Enquanto Neymar & Cia. suavam para ficar bem na foto, o Skank - grupo de pop-rock mais identificado com o futebol no Brasil - tinha outras preocupações mais imediatas: a divulgação de "Velocia", primeiro trabalho de estúdio do quarteto mineiro em seis anos (com dois álbuns ao vivo no período) e que acabou de chegar às lojas. Com 11 músicas, o novo álbum tem sido visto pela crítica como um apanhado de tudo de bom que o grupo fez em mais de 20 anos de carreira, com canções transitando entre o reggae, o pop, o rock e a MPB, além da manutenção da parceria com Nando Reis e novos convidados para a festa.

Por telefone, o tecladista Henrique Portugal conversou sobre o processo de produção do novo trabalho que, segundo ele, durou dez meses e foi feito de forma tranquila. "Lançar um disco depois de tanto tempo deve ter um sentido, uma vontade de gravar e ter músicas novas. A gente achou que agora estava na hora. Ficamos muito tempo no estúdio, sem muita pressa. Só fazia sentido lançar o álbum num momento que tivesse conteúdo", explica.

Com esse jeito mineiro de trabalhar, houve tempo até para gravar as seções de metais e cordas de duas músicas ("Esquecimento" e "Do mesmo jeito") no famoso estúdio inglês Abbey Road - utilizado pelos Beatles em seus melhores momentos - com Rob Mathes, que trabalhou com nomes como Sting e Bruce Springsteen. "A gente entrou em contato com o Rob, ele tinha dois dias livres e topou na hora participar da gravação. Poder trabalhar em Abbey Road não acontece todo dia. Foi uma experiência muito bacana, os caras estão entre os melhores do mundo para gravar cordas. Fazem isso todo dia, num nível muito alto, contribuíram para a qualidade do álbum", elogia, animado.

A ação entre amigos não ficou restrita ao trabalho feito na Inglaterra. Novas parcerias foram feitas em terras brasileiras na incansável busca por novas misturas. Na melhor delas, o rapper BNegão (ex-Planet Hemp) soltou o verbo na politizada "Multidão", inspirada nos protestos que tomaram as ruas do país desde junho do ano passado. "O BNegão é um cara que a gente conhece desde o início do Skank, quando o Planet Hemp também estava lançando seu álbum de estreia. Nós procurávamos alguém que fizesse um texto um pouco mais panfletário para 'Multidão', influenciado por todas as manifestações que estão ocorrendo desde o ano passado. A gente acha que o grande legado da Copa, inclusive, é o despertar da população, a consciência de que precisamos cuidar do país, não os estádios ou as obras de infraestrutura para a mobilidade urbana - e que não saíram", critica.

Um dos nomes mais elogiados da nova geração, Emicida também deixou sua contribuição para "Velocia", responsável pelas letras de "Tudo isso" e "Rio beautiful". "Já a Lia Paris, uma talentosa cantora de São Paulo, foi lembrada porque vimos que havia uma música ("Aniversário") que ficaria melhor na voz de uma mulher. "

Não poderia faltar, ainda, um dos mais requisitados nomes da música brasileira: Nando Reis. O ex-Titãs, que desde 1996 tem contribuído com suas letras nos álbuns do grupo, participa de "Ela me deixou", "Périplo" e "Esquecimento". "Nossa parceria com ele sempre foi muito forte, vitoriosa. Foram várias músicas que fizeram muito sucesso. Ele ficou alguns dias em Belo Horizonte trabalhando com a gente, após ter mandado as letras, e acabou cantando em duas canções. O Nando é um cara completo, grande compositor. Ele usa as palavras de uma forma singular."

Sempre lembrados por "Uma partida de futebol", ainda mais às vésperas de uma Copa do Mundo no Brasil, eis que mais uma canção sobre o "violento esporte bretão" é composta pelo quarteto: "Alexia" é uma homenagem à jogadora do Barcelona de mesmo nome, famosa por um belíssimo gol que fez sucesso entre os boleiros no YouTube. Mas Henrique adianta que, em nenhum momento, houve a intenção de se fazer uma "parte dois" de um dos maiores sucessos do quarteto. "As pessoas sempre perguntavam se a gente ia fazer outra música sobre futebol, e nós pensando que já tínhamos uma música definitiva sobre o assunto ("Uma partida de futebol"), que é atemporal. Não existe um motivo para a gente fazer 'Uma partida de futebol 2', a gente fez uma homenagem a uma garota que joga bem, do outro lado do mundo, que talvez nunca desponte, mas que em determinado momento chamou a atenção."

Mais de 20 anos após a "ousadia" de gravar um CD demo (quando quase todos os artistas ainda apostavam na fita cassete) mesmo sem ter o aparelho para tocar o disquinho prateado em casa, e serem apontados pela revista "Bizz" como uma das apostas da nova música pop brasileira - e um dos poucos nomes que vingaram -, o Skank segue como um dos mais populares grupos em atividade no país. E mostra vitalidade não só para gravar bons álbuns: em setembro, o grupo parte para a turnê promocional de "Velocia", com a sensação de que seguiram pelo caminho certo. "Se olharmos para trás e vermos o que a gente fez, várias escolhas difíceis valeram a pena, abrir mão de certas coisas para ter uma carreira mais longeva, a escolha da gravadora, não se apresentar em alguns lugares, esperar um pouco. São apostas que a gente acredita que foram acertadas", encerra.

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