Publicidade

09 de Abril de 2014 - 07:00

I Festival de Circo chega a Juiz de Fora com oficinas e espetáculos nacionais e locais gratuitos

Por MARISA LOURES

Compartilhar
 
Grupo Trampulim, de Belo Horizonte, abre o festival com o espetáculo "Manotas musicais"
Grupo Trampulim, de Belo Horizonte, abre o festival com o espetáculo "Manotas musicais"

Amanhã tem palhaçada? Tem sim senhor! Chega a Juiz de Fora, nesta quinta-feira, o primeiro Festival de Circo de Juiz de Fora. Até o próximo domingo, em uma tenda montada na Praça Cívica da Universidade Federal de Juiz de Fora com capacidade para 700 pessoas, passarão companhias nacionais e locais, para apresentações gratuitas. Magia, malabares, acrobacias e, claro, palhaçaria. Terá de tudo nesta temporada de diversão. Os interessados em se aprofundar na arte circense ainda poderão participar das oficinas realizadas sexta, sábado e domingo. A edição é promovida pela Pomar Cultural: Quitanda de Ideias e Realizações, em parceria com a UFJF, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura e patrocínio da Petrobras.

"Todo ano o projeto era aprovado e não tinha captação. Queria reunir o máximo de diversidade de espetáculos. Serão atrações de muita qualidade, busquei pessoas que são referências em suas expressões artísticas. O rapaz que faz o mágico, por exemplo, é uma pessoa internacional, que está em todos os congressos de ilusionismo", diz Debora Coghi, diretor artística e curadora da iniciativa.

O primeiro grupo a aportar por aqui, às 19h30, é o Trampulim, de Belo Horizonte. Benedita Jacarandá e Sabonete parecem não se conformar somente com a vida de palhaços. Eles botaram na cabeça que querem ser músicos clássicos. Para conseguir concretizar o intento, convidam uma banda composta por Socorro, Pãozinho e Jurubeba. Dizem que são três exímios paspalhos, o que fará com que o prometido concerto se torne uma "Manota musical". Nem mesmo os espectadores conseguirão ficar fora dessa verdadeira confusão.

Às 21h, o engraçado Sabonete volta a aprontar uma das suas. Dessa vez, ele quer preparar um jantar especial e surpresa para Benedita. O problema é que ele precisará da ajuda dela, e é nessa hora que os imprevistos começam a aparecer. "O 'Manotas musicais' é o nosso grande espetáculo. O final se transforma em uma grande catarse", comenta a diretora Adriana Moralez, enfatizando o caráter interativo do grupo criado há 20 anos. "A figura do palhaço só existe com a participação do público, e isso virou uma característica forte nossa. Ficamos viciados nisso."

Por falar em interação, na sexta-feira, o Trampulim volta à cena com "Pratubatê", às 10h30. De acordo com a diretora, cada integrante do palco e da plateia receberá um tambor e, sob a regência de um maestro, assumirá a função de protagonista de uma peça cênico-musical. "Outra característica nossa é a classificação livre. Sempre nos procuram como atração infantil e infantojuvenil, mas conversamos com todas as idades".

 

 

A aventura continua

Ainda no segundo dia, a maratona de risada continua às 15h. Trazendo consigo as referências na comicidade, cultura popular, circo e teatro de rua, o grupo paulista Circo Teatro Rosa dos Ventos apresenta o "Saltimbembe Mambembancos". A promessa é ser um encontro para rir não só dos atores, mas também de si. Dez pra Sete, Beterraba, Tiuria, Nicochina e Custipíl de Pinóti transportarão o espectador para uma época anterior ao circo itinerante. Vai ter técnica de malabarismo, acrobacias de solo e perna de pau. Tudo sempre acompanhado por música ao vivo. O show tem duração de 60 minutos, mas, a julgar pela liberdade nas interpretações e improvisações, essa festa promete ir longe.

Também na sexta, às 19h30, a Cia LaMala, de São Paulo, está entre as atrações. Criada em 2010 no formato de um pocket show "Fábrica de brinquedos" ganhou nova roupagem, tornando-se um espetáculo. Na história, um inventor maluco, acompanhado de seus brinquedos e de uma boneca que tem vida, fará uma mágica visita ao imaginário infantil. Extremamente visual, a apresentação abusará de gestualidade e movimentação.

No sábado, a festa começa às 11h com a juiz-forana Trupe São do Mato e seu Bloco São do Mato. O clima será dos antigos carnavais. Brincantes, malabaristas e artistas relembram a época em que as bandas de músicas saíam em cortejo fantasiadas pelas ruas da cidade. Às 15h, é a vez da Cia K, de São Paulo, e seu "Circo de Pulgas". Depois de uma longa e frustrada carreira como caçador nas terras do Mato Grosso, Fratelo decide entrar para o circo e montar seu próprio espetáculo. A finalidade é exibir as habilidades de suas queridas pulgas. A seu lado, está a fiel ajudante Criolina. Para fechar a noite, às 19h30, a Cia K retorna com a apresentação de "Le Petit". Chegando a uma praça para negociar algumas bugigangas, dois ambulantes se deparam com o recebimento de um circo como herança. Eles só não esperavam que o presente acabaria se tornando numa ameaça explosiva.

No domingo, a Caravana Mezcla de Palhaços repetirá a dobradinha com o Lúdica Música! na já conhecida "Caravana Lúdica de Palhaços". Nessa reunião de música, brincadeiras e bom humor, um grupo de palhaços se encanta com o lugar, os objetos, as paredes e as luzes. Ao descobrirem as pessoas, cantam e fazem uma emocionante declaração de amor a tudo e a todos os presentes. Às 15h, Gutto Thomaz, de São Paulo, traz o personagem El Gran Gustavo Augusto. O artista trará um outro olhar para o cotidiano com truques de mágica, técnica de prestidigitação e mímica. Como o show não pode parar, a Cia K retorna para finalizar o festival com "Le petit aéreos", às 19h30. A palhaçaria dividirá a atenção do público com malabarismo e acrobacias, além, é claro, de números aéreos, como trapézio.

 

 

Outro caminho de comunicação

"Para o artista, essa é a melhor oportunidade do encontro, da diversão, da troca." Lamentando ter que deixar Juiz de Fora logo após as apresentações devido a compromissos da trupe em Belo Horizonte, Adriana Moralez observa que os festivais permitem às companhias passar um pouco de sua metodologia de trabalho. "É um outro caminho de comunicação. É a hora de encontrar com a cidade. O espetáculo tem esse encontro, mas é muito rápido. As oficinas abrem o caminho da pesquisa." Nos três dias de oficina, voltada para interessados a partir dos 10 anos, os instrutores falarão sobre acrobacia, malabares, técnicas de clown e mágica. As inscrições prévias já foram encerradas, mas a organização do evento reservou 15 vagas para quem quiser se inscrever na hora. Basta chegar com antecedência.

À frente da Caravana Mezcla de Palhaços, Marcos Marinho diz que sua oficina de clown será uma espécie de "demonstração de trabalho". Ele ressalta que, em duas horas, o participante não sairá do evento dominando toda a arte da palhaçaria. O momento ajudará a despertar, no espectador, o interesse pela área. "É para dar um primeiro toque. Fazer com que as pessoas que têm tendência fiquem atentos e descubram próximas oportunidades", afirma o diretor teatral, avisando que vai mostrar como se prepara para as apresentações diante do público.

 

 

 

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você concorda com a proibição de trote nas ruas de JF, como prevê projeto aprovado na Câmara?