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23 de Abril de 2014 - 06:00

Primeiro grupo brasileiro a se apresentar no Chicago Improv Festival retorna ao país com convites para outros eventos

Por RENATA DELAGE

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Impro Brasil participou de sete performances em um dos mais populares festivais de improviso, nos Estados Unidos
Impro Brasil participou de sete performances em um dos mais populares festivais de improviso, nos Estados Unidos

Como já esperado, o Impro Brasil teve que improvisar. O primeiro grupo brasileiro a participar do Chicago Improv Festival - um dos maiores festivais de improvisação do mundo, que aconteceu no início do mês, nos Estados Unidos - retorna com boas lembranças e 17 convites para participar de outros eventos do gênero, em diferentes países do globo, como Itália, Portugal, Suíça, México e Argentina.

"No primeiro dia, já nos pediram para jogar de surpresa", conta o ator juiz-forano Victor Soares, integrante do time que se formou no Rio de Janeiro para integrar a 17ª edição do festival, do qual participou a convite da preparadora norte-americana Amy Roeder. Amy é treinadora do Second City, maior grupo de improvisação do mundo, que está nos Estados Unidos e no Canadá, e já revelou nomes como Steve Carell, Tina Fay e Amy Poehler (vencedora do prêmio de melhor atriz de comédia no Globo de Ouro deste ano).

As três participações programadas para os brasileiros da equipe - composta ainda por José Guilherme Vasconcelos (Rio de Janeiro) e Michelle Galindo (São Paulo) - transformaram-se em sete. "De cara, tivemos uma 'baixa', pois o quarto integrante, Leandro Allves (São Paulo), teve problemas com a documentação e não conseguiu viajar", explica Victor. Com isso, o time contou com convidados especiais em cena, como o improvisador Will Luera e a própria Amy Roeder.

Os clichês brasileiros, que pretendiam ser explorados para arrancar o riso dos americanos, apareceram em algumas das performances do grupo. "Muitas cenas foram para esse lado, enquanto, em outras, o título sugerido pela plateia já nos levava para outras histórias. Brincamos com os assaltos no Rio de Janeiro, com a Copa, com o carnaval. Tentamos fazer piada até com coisas da cidade de Chicago, com o Obama."

Um dos espetáculos - "One world, one stage" - reuniu no palco artistas de diversos países para um jogo semelhante a um telefone sem fio, no qual cada improvisador tentava passar a mensagem na sua língua. "Improvisar em outro idioma é sem dúvida mais desafiador, mas os erros acabam soando ainda mais engraçados à plateia, que está pronta para isso, já que participam grupos de tantas nacionalidades", diz.


'Só falta o incentivo'

Além da experiência adquirida na primeira apresentação no exterior, o jovem grupo traz na bagagem novas ideias para os próximos trabalhos. "Uma atriz musicista passará a integrar a equipe. Já pensávamos em ter um integrante para a função, mas vendo tantas cenas e jogos de diferentes formatos, percebemos que contar com a música enquanto improvisamos é algo muito necessário", avalia o juiz-forano.

Outro aspecto observado - para, neste caso, ser descartado - foi a ausência do trabalho corporal na escola norte-americana, muito firmada no stand-up comedy. "Todos os atores fazem cenas basicamente montadas por falas, só com piadas. Isso nos faz ver o diferencial nas performances que contam com um bom trabalho de corpo", diz o ator, que ressalta que o primeiro investimento do grupo será participar de um workshop de clown, no qual pretende trabalhar com mais ação e menos fala.

Para Victor, o principal estereótipo quebrado em sua primeira viagem ao exterior foi a de que os americanos são mais "frios que os brasileiros". "Como nos hospedamos na casa de um dos organizadores, pudemos vivenciar o dia a dia deles, participar um pouco da sua rotina. Em nenhum momento foram frios ou fechados, ao contrário. Percebemos lá uma vontade maior de fazer e uma convivência de muita troca e brincadeiras, como se todos fossem amigos há muito tempo", observa Victor.

Para o improvisador, a boa organização do evento e suas plateias sempre lotadas fazem parte de uma realidade que deveria ser vivenciada pelos artistas brasileiros, bem como nos festivais sediados no Brasil. O primeiro passo nesse sentido está ligado ao apoio aos artistas da área, que anda defasado no país. "O objetivo do grupo agora é conseguir patrocinadores, para que possamos nos apresentar nos países para os quais fomos convidados. O público existe, há muita gente produzindo na área, só falta mesmo o incentivo para fazer acontecer", projeta.

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