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14 de Março de 2014 - 06:00

Por JÚLIA PESSÔA

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Marco do Centenário, na Praça da República, foi projetado por Arthur Arcuri, com painel de Di Cavalcanti
Marco do Centenário, na Praça da República, foi projetado por Arthur Arcuri, com painel de Di Cavalcanti

O Ministério Público de Minas Gerais propôs, na última quarta-feira, uma ação civil pública contra o município de Juiz e Fora e a Funalfa, solicitando a adoção de medidas de preservação do Marco do Centenário, situado na Praça da República, no Poço Rico. O documento justifica que, apesar de ser patrimônio tombado em âmbito municipal e federal, o monumento, obra do arquiteto Arthur Arcuri com arte de Di Cavalcanti, encontra-se em precário estado de conservação, apresentando pichações, perda do revestimento de pastilhas, infiltrações e acúmulo de lixo no entorno.

"O Marco do Centenário merece o devido destaque, posto constituir-se o primeiro mural modernista em mosaico instalado em praça pública no Brasil. Apesar da notável relevância, o monumento e a Praça da República encontram-se na mais absoluta situação de abandono", afirmam os autores da ação, José Célio Martins de Abreu, promotor de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural de Juiz de Fora, e Marcos Paulo de Souza Miranda, coordenador da Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural de Turístico de Minas Gerais. A Tribuna entrou em contato com o MPMG, mas não obteve informações sobre os prazos para intervenções e possíveis consequências do descumprimento da medida.

A ação prevê que seja elaborado e executado projeto de requalificação do espaço da Praça da República, prevendo os aspectos paisagístico e de iluminação, além da instalação de mobiliário urbano adequado, visando a atrair o público à praça que abriga uma obra de sua relevância para a cidade e o país, podendo ser um dos principais atrativos turísticos de Juiz de Fora. O documento solicita também que haja a instalação de placa informativa sobre a história, a autoria e a importância do monumento, bem como a sua conservação e preservação permanente com manutenção de guarda no local.

Segundo o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, existe um projeto de restauração do monumento, já aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas com algumas ressalvas. "A recuperação do marco em si foi aprovada em âmbito municipal e pelo próprio Iphan, mas o órgão exigiu algumas intervenções complementares no entorno, ou seja, na Praça da República, o que requer a articulação entre várias secretarias da Prefeitura para que as obras sejam executadas."

O superintendente acredita que a ação do MP pode modificar o andamento, mas defende que qualquer intervenção deve ser pensada também levando em consideração a comunidade local. "Providências estão sendo tomadas com maior ou menor rapidez, dependendo da capacidade financeira e de trabalho. Não adianta preservar o marco e não pensar em sua proteção a longo prazo, bem como deixar de lado a convivência do espaço com a população e o uso que a praça já possui." O projeto foi elaborado pela Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Permear, e a vice-presidente do órgão, Milena Andreola, espera que a medida do Ministério Público acelere os procedimentos da PJF. "Acho até que o Ministério Público demorou a intervir. É um bem tombado pelo município e pela União", opina a especialista.

Projetado pelo engenheiro Arthur Arcuri em 1949, o Marco do Centenário teve o desenho de seu painel idealizado por Di Cavalcanti no ano seguinte, quando começou a construção. O monumento tem inspiração modernista e foi influenciado pela obra de Niemayer, marcando o aniversário de 100 anos de fundação do município.

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