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08 de Abril de 2014 - 07:00

Festival Varilux de Cinema Francês começa amanhã no país e, na quinta, abre sua programação em Juiz de Fora

Por MAURO MORAIS

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"Uma viagem extraordinária", do diretor de "O fabuloso destino de Amélie Poulain", conta a saga de Spevit, que aos 10 anos decide cruzar os EUA
"Uma viagem extraordinária", do diretor de "O fabuloso destino de Amélie Poulain", conta a saga de Spevit, que aos 10 anos decide cruzar os EUA

Não, o cinema francês não é apenas intelectualizado, reflexivo e quase hermético. Há uma outra produção muito mais leve, cheia de risos e com estéticas mais populares. Existem os filmes de François Truffaut, as fantasias de Jean-Pierre Jeunet (de "O fabuloso destino de Amélie Poulain") e a comédia despretensiosa "Uma juíza sem juízo", de Albert Dupontel. Presente em 45 cidades, incluindo Juiz de Fora, o Festival Varilux de Cinema Francês - que começa amanhã, em abertura para convidados, e quinta, para o público - reverencia a cinematografia clássica e apresenta a nova geração, múltipla e não menos inventiva. "Vejo muita diversidade. Os filmes da seleção pertencem a diversos estilos e tratam de assuntos muito diferentes, com abordagens nada semelhantes. Percebo que há comédias de muita qualidade, filmes profundos que, ao mesmo tempo, fazem rir", comenta a coordenadora geral do festival Emanuelle Boudier, apontando para um ponto em comum entre as 16 produções escolhidas: "Muitas falam de rupturas, seja em família, seja entre casais".

Um dos muitos rompimentos presentes no festival é o do garoto T.S. Spivet, que com apenas 10 anos decide atravessar, sozinho, os Estados Unidos para receber um importante prêmio pela invenção da máquina de movimento perpétuo. Sem a família, ele segue em um trem de carga até encontrar o júri, que desconhece o fato de Spivet ainda ser uma criança. Misto de drama e aventura, "Uma viagem extraordinária", do diretor Jean-Pierre Jeunet é um dos pontos altos do Varilux, já que o cineasta carrega consigo a fama de ser a face contemporânea do cinema francês. "Ele é um diretor cult, que tem um estilo muito particular, tanto na maneira de contar histórias, beirando o fantástico, quanto nas imagens muito marcantes. Jeunet é, hoje, um dos mais originais", avalia Emanuelle. Segundo ela, outros dois filmes estão sendo bastante aguardados pelos brasileiros: "Eu, mamãe e os meninos", de Guillaume Gallienne, que ganhou cinco Cesar esse ano, inclusive o de melhor filme e de melhor ator, e "Yves Saint Laurent", de Jalil Lespert.

A história do fundador da Christian Dior chegará aos grandes centros, mas não aportará em Juiz de Fora, sendo a única obra do Varilux fora da programação local. De acordo com a assessoria de comunicação do festival, o filme possui um formato que não é compatível com o Cinearte Palace, que abrigará a mostra na cidade. Contudo, o histórico "Os incompreendidos", de François Truffaut, será exibido pelas bandas de cá em versão digital restaurada, homenageando o diretor, cujos 30 anos de morte é marcado este ano. "Ele foi o cineasta que realmente lançou a Nouvelle Vague. Além disso, ele é um nome que todo cinéfilo no mundo inteiro considera como um dos mais inspiradores. Não vejo nenhum filme da seleção sendo diretamente inspirado no Truffaut, mas cada cineasta francês tem um pouco dele no DNA. Ele influenciou todos, de qualquer forma, seja em reação, seja em referência direta", observa a coordenadora geral do festival.

Para Emanuelle Boudier, coordenadora geral do Varilux, do suspense à comédia, passando pelo policial e pelo drama, a variedade de gêneros confirma uma produção menos sisuda e mais ampla. "O cinema francês é considerado um pouco elitista. Tentamos fazer sessões gratuitas, para um publico jovem, com o intuito de descaracterizar isso", aponta. "Como todo cinema que não é norte-americano, as janelas são difíceis de serem conquistadas por filmes de outros países. O cinema francês talvez não seja tão acessível pela falta de lugares disponíveis e porque é um cinema menos popular. Mas isso está mudando, temos muitas comédias, outros filmes mais abrangentes", completa, assegurando que, mesmo as comédias se prestam a discursos e não são vazias de reflexão, como muitas vezes acontece no mercado hollywoodiano.

Uma dessas produções é "Eu, mamãe e os meninos", que conta a história de Guillaume Gallienne (o diretor, roteirista e protagonista do filme) e sua admiração pela mãe, que o faz se confundir com a imagem da matriarca. Ao se descobrir homem, ele enfrenta diversas confusões. Em "Lulu, nua e crua", a comédia também é imperativo, mas a trama que envolve uma mulher que sai de casa em busca de liberdade, deixando para trás marido e filhos, serve aos risos e ao debate sobre o casamento e as relações de afeto, mostrando que nem tudo é estanque. Comprados pelo Brasil, os 16 filmes do Varilux chegarão às prateleiras nacionais, alguns serão exibidos nos cinemas, e todos confirmarão, como diz Emanuelle, que o cinema contemporâneo francês é inclassificável.

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