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28 de Maio de 2014 - 06:00

Após sete anos de atividades suspensas, Pró-Jazz Festival é retomado em Juiz de Fora com participação especial do arranjador Rildo Hora

Por JÚLIO BLACK

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Um dos mais requisitados arranjadores do país, Rildo Hora é atração de hoje
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Comandado pelo maestro Sylvio Gomes (de camisa branca), Quinteto Pró-Jazz encerra a programação nesta sexta
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Um dos grandes baratos para os amantes do jazz é curtir as longas e geniais interpretações de mestres como John Coltrane, Miles Davis ou Chet Baker, que podem ser estender por incontáveis minutos. Difícil, porém, é não poder apreciar, ao vivo, o gênero musical em que a improvisação costuma ser a regra, e não a exceção: em Juiz de Fora, foram sete anos em que o Pró-Jazz Festival ficou fora da programação da cidade. O intervalo forçado, porém, termina na noite de hoje, às 20h, quando a Orquestra de Jazz Pró-Música-UFJF sobe ao palco do Teatro Pró-Música com o maestro e arranjador Rildo Hora para a abertura da 12ª edição do festival, que prossegue até sexta-feira, sempre no mesmo horário, com os grupos Kiko Freitas Trio e Quinteto Pró-Jazz. O último dia do evento também vai abrir espaço para oficinas de música, que, assim como os shows, têm entrada gratuita.

Idealizador do projeto e responsável pela Orquestra de Jazz, o maestro Sylvio Gomes explica que um dos motivos para o hiato foi a falta de verbas para a realização do festival e que era constantemente cobrado pelos antigos frequentadores. Sem se dar por vencido, voltou a apresentar o projeto à pró-reitoria de Cultura da UFJF, que abraçou a iniciativa. "O patrocínio foi fundamental para o nosso retorno. Explicamos para a instituição a importância do projeto, que traz grandes nomes", disse ele. Para Sylvio, o jazz atrai um público de todas as faixas etárias. "Juiz de Fora é uma cidade cultural, seja pelo teatro, música, artes plásticas. O público gosta demais de música boa", acrescenta.

E as opções de boa música não serão poucas. Rildo Hora, que se apresenta com a Orquestra de Jazz, iniciou sua carreira em 1958, tendo trabalhado com nomes como Martinho da Vila, Luiz Melodia, Velha Guarda da Portela, Noite Ilustrada e Cássia Eller, seja como produtor, compositor ou gravando seus próprios álbuns. Mesmo com quase 60 anos de bons serviços prestados à música, ele não descansa: foi o diretor musical e arranjador do 25º Prêmio da Música Brasileira, realizado no Rio de Janeiro, que resultou em uma turnê que já percorre o Brasil. Além disso, trabalha na produção de um novo projeto com Zeca Pagodinho, previsto para o final do ano, e prepara um novo álbum ao lado da filha, Patrícia Hora, que terá participações de Zélia Duncan, Nei Lopes e Martinho da Vila, sobrando tempo para se apresentar pelo país em shows com artistas de cada cidade que o recebe.

Fôlego não deve faltar em Juiz de Fora. "Sylvio fez arranjos excelentes para as músicas", disse Rildo, que já se apresentou com o maestro e a Orquestra de Jazz em ocasiões anteriores. "Estive várias vezes na cidade, participando de festivais de música. Também produzi recentemente o disco de uma artista local, Sandra Portella", conta o artista, tema de enredo da escola de samba Estácio de Sá, do Rio, em 2013. O repertório desta noite deve ser marcado, segundo Sylvio Gomes, por samba, bossa nova e composições de Rildo, que vai contar histórias da carreira e conversar com o público.

 

'Seleção brasileira'

Amanhã é a vez de Kiko Freitas Trio - formado por Kiko Freitas (bateria), Paulo Russo (contrabaixo acústico) e Rafael Vernet (piano) apresentar seu trabalho. O baterista acredita que o festival realiza o que considera a "verdadeira função da arte", ao levar o jazz para o grande público, ainda mais de forma gratuita. Quem comanda a noite de sexta-feira é o Quinteto Pró-Jazz, com o maestro Sylvio Gomes como pianista, Pascoal Meireles (bateria), Marcelo Martins (saxofone), Ney Conceição (baixo) e Alexandre Carvalho (guitarra) - quatro dos músicos que considera os melhores do país na atualidade. "O Pascoal já trabalhou com Gonzaguinha, Tom Jobim, Elis Regina. O Marcelo trabalha com Ivan Lins e Djavan. O Ney, com João Bosco e Elba Ramalho. E o Alexandre Carvalho agora está terminando o doutorado dele em música nos Estados Unidos", justifica Sylvio. Com essa "seleção brasileira", o repertório da noite deve ter standards da música norte-americana, autorais e músicas de nomes da MPB, como João Donato.

Ainda na sexta-feira, a partir das 14h, serão ministradas oficinas pelos integrantes do Quinteto Pró-Jazz. As de bateria e saxofone serão realizadas no Teatro Pró-Música, enquanto que as de guitarra, contrabaixo e piano vão acontecer na Escola Pró-Música, em São Mateus. Como as vagas são restritas, Sylvio recomenda que os interessados façam a inscrição com antecedência nos locais onde serão oferecidas.

Para o pró-reitor de Cultura, Gerson Guedes, parte do público ainda não conhece a proximidade que o jazz oferece, e as oficinas abrem a possibilidade de aproximar as pessoas do gênero musical. Ele acrescenta que é pretensão da instituição aumentar a presença do jazz na cidade, com a realização de eventos além do festival. A fim de ampliar a participação do público, parte dos ingressos será distribuída em escolas públicas.

 

PRÓ-JAZZ FESTIVAL

Orquestra de Jazz e Rildo Hora, hoje, às 20h. Kiko Freitas Trio, amanhã, às 20h. Quinteto Pró-Jazz, sexta, às 20h

Teatro Pró-Música (Av. Rio Branco 2.329)

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