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18 de Julho de 2014 - 06:00

Duo Sá de Percussão faz show hoje no Festival de Música Antiga e enfatiza relação física do percussionista com o instrumento

Por JÚLIA PESSÔA

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Irmãos Janaína e Pedro Sá se revezam
Irmãos Janaína e Pedro Sá se revezam

"Antes mesmo de completar 1 ano de idade, minha mãe conta que eu já fazia batucada nas panelas dela. Sempre tive interesse por sons que tivessem algo de dançante, que fizessem o corpo se mexer", conta Pedro Sá, hoje percussionista profissional, atuando como primeiro timpanista e chefe de naipe de percussão da Orquestra Petrobras Sinfônica (Opes), professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e diretor do grupo de percussão da instituição, além de participar ativamente do cenário musical de câmara do Rio.

O trajeto teve alguns desvios (já que o instrumentista precisou aprender piano clássico primeiro, o que lhe rendeu uma sólida base musical), mas o encanto pelos "sons que fazem mexer" não apenas possibilitou uma carreira para si, mas também influenciou o destino profissional da irmã, Janaína Sá, com quem se apresenta hoje, às 20h30, no Cine-Theatro Central, no concerto do Duo Sá, que chega do Rio de Janeiro estreando no Festival de Música Antiga - e já tem 10 anos de estrada.

"O fato de Pedro ter ingressado nas orquestras como percussionista muito novo, aos 17 anos, despertou ainda mais minha paixão por essa vertente instrumental", diz a irmã mais nova, hoje mestre em música e percussionista extrarregular das principais orquestras sinfônicas do Rio de Janeiro, participando de todas as temporadas da Opes e da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) desde 2004, além de também participar da cena de câmara carioca ativamente.

Janaína destaca que os instrumentos de percussão vêm se tornando cada vez mais importantes dentro das orquestras. "Antes, eles eram usados mais como efeitos sonoros ou para produzir um grande final. Do século XX para cá, os compositores perceberam os recursos e as possibilidades tímbricas infinitas da percussão, e ela tem um grande destaque nas peças contemporâneas e está presente na maioria das orquestras que não fazem exclusivamente repertórios tradicionais."

 

Batidas com performance

No concerto, Pedro e Janaína utilizam metalofones, gongos, pratos, pandeiro brasileiro, apitos, entre vários outros instrumentos, além de fazerem vocalizações e percussão corporal. "As vocalizações entram quando nosso repertório passeia por ritmos hindus. Para a percussão corporal - que tem inúmeras outras técnicas -, fazemos o que se chama de 'clapping music', música produzida apenas por palmas", explica Pedro Sá.

O repertório, uma miscelânea de vertentes musicais, foca compositores contemporâneos, mas sob uma linguagem acessível a qualquer tipo de público. "Exploramos diversas técnicas e estéticas, indo do experimentalismo/improvisação, passando por ritmos brasileiros como o jongo e o maracatu, sem ignorar o minimalismo musical de Reich e fechando ritmos hindus", adianta Pedro. "A improvisação é justamente o que nos aproxima da música antiga e do festival, já que era um recurso muito explorado por alguns compositores do gênero", completa Janaína.

Pedro destaca que a liberdade de repertório e execução é inerente aos instrumentos de percussão, que também possibilitam maior dinâmica no palco. "A percussão, talvez o instrumento mais antigo da história, é encontrada em povos do mundo inteiro, e as inúmeras possibilidades de timbre podem ser exploradas de muitas maneiras. Além disso, nos revezamos muito entre os instrumentos no palco, e cada um é manuseado de um jeito, tem um tamanho diferente, permite uma relação específica com o corpo, algo que também encanta o público como performance", diz Pedro.

 

 

Da ópera a riffs de guitarra

Além do concerto do Duo Sá, principal atração do Festival de Música Antiga nesta sexta, a programação de hoje marca, às 10h, o início do X Encontro de Musicologia, realizado de dois em dois anos. Sediado no Mamm (Rua Benjamin Constant 790), o encontro reúne a apresentação de trabalhos acadêmicos e palestras, que, neste ano, abordam o tema "Teoria e práxis na música: uma antiga dicotomia revisitada".

Foram aprovados outros 13 trabalhos, assinados por pesquisadores brasileiros, portugueses e da América Latina. "Há alguns anos, o encontro vem prezando mais pela qualidade das comunicações em vez da quantidade, o que permite maior aprofundamento do tema", observa Rodolfo Valverde, um dos organizadores do evento, que terá os trabalhos publicados na íntegra pela editora da UFJF. Também na sexta, Rodolfo ministra, às 10h, a palestra "A ópera barroca italiana: a Opera Seria e a era dos castrati". "A Opera Seria representa a consagração da voz castrati, que é a estrela maior da ópera durante o período barroco", destaca Valverde.

O cronograma de hoje contempla também os adeptos do rock, com o show da banda Neurótica, às 17h30, no Parque Halfeld. Com foco em seu trabalho autoral, a banda apresenta riffs de guitarra secos e potentes , flertando com o trash metal e o hardocre. Já as guitarras entram em cena com solos rápidos e melódicos, ao passo que baixo e bateria protagonizam viradas rápidas e sincronizadas. Priscila Martins (também na guitarra) solta a voz em letras que mostram a realidade em sua crueza, ao lado de João Cordeiro (bateria e voz), Anderson Marques (guitarra) e Anderson Lima (baixo).

 

DUO SÁ

 

Hoje, às 20h30

 

Cine-Theatro Central

(Ingressos retirados no dia do espetáculo, a partir das 8h, no Teatro Pró-Música)

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