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06 de Junho de 2014 - 06:00

Abusando do romantismo, Companhia Brasileira de Ballet apresenta o clássico 'Giselle' em Juiz de Fora

Por MARISA LOURES

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Elogiada pela crítica especializada, "Giselle", da CBB, exige vigor físico e talento teatral
Elogiada pela crítica especializada, "Giselle", da CBB, exige vigor físico e talento teatral

Giselle está apaixonada por Albrecht, um nobre disfarçado de camponês. Quando descobre a fraude, fica inconsolável e morre. Sua alma vai para o mundo das Willis, os espíritos jovens que morreram por amor. A montagem da Companhia Brasileira de Ballet que chega a Juiz de Fora neste sábado, às 20h, no Cine-Theatro Central, através da Misailidis Produções, prende o público pelo romantismo. De acordo com a velha lenda alemã que serviu de inspiração para "Giselle", donzelas morriam na véspera de seu casamento devido à infidelidade de seus amados, voltando à noite para se vingar de qualquer homem que tentasse cruzar seus domínios. "É um conto de fadas. O balé clássico nunca sai de moda, assim como acontece com Tchaikovsky, Machado de Assis e Shakespeare. É a magia, é um momento em que você esquece todos os problemas", sentencia o diretor Jorge Texeira.

Dividida em dois atos de 45 minutos cada, a performance, uma versão de Jules Perrot e Jean Coralli, leva para o palco um grupo de 42 bailarinos. Além da qualidade técnica exigida pela dança, a equipe precisa demonstrar talento teatral. Os figurinos têm assinatura do renomado ateliê Tânia Agra. "A parte mise-en-scéne é muito forte. Artisticamente, é o balé que mais busca do bailarino essa entrega, pois a técnica do primeiro ato e do segundo são muito distintas. O homem tem que ter um suporte atlético forte, porque tem muito desgaste físico", observa Jorge, acrescentando que o espetáculo valoriza os profissionais individualmente como solistas.

Já conhecida na cidade pelas apresentações de "O lago do cisne", "O quebra-nozes" e "Don Quixote", a CBB carrega a experiência de 47 anos de estrada, tendo se apresentado com companhias estrangeiras, como Kirov, Ballet Nacional de Cuba, Visky e Cuban Classical Ballet de Miami. A equipe se prepara para o USA International Ballet Competition, agendado para os dias 14 a 29 de junho em Jackson (Estados Unidos). "É sempre um prazer voltar a Juiz de Fora. Vamos apresentar aí na cidade, ainda este ano, 'Dom Quixote. É um público que gosta, valoriza a arte, especialmente a dança. Não são todas as cidades que têm esse carinho."

 

 

Talento exportado

"Quero dizer que fiquei muito orgulhosa, como brasileira, de ver o trabalho desta jovem companhia. Jovem não pela sua história, mas pelo seu elenco. É muito bom ver uma companhia brasileira de dança clássica crescer e se projetar para o cenário mundial. Quero ver a CBB respeitada no mundo como uma grande companhia", avalia Ana Silvério, bailarina formada em coreografia, metodologia e pedagogia da dança na cidade de São Petersburgo e colunista do blog da loja Ana Botafogo (www.lojaanabotafogo.com.br). A crítica foi publicada há um ano, após a apresentação de "Giselle" em Belo Horizonte.

"Nossa grande marca são qualidade e limpeza técnicas. Só conseguimos isso porque temos bailarinos que estão sempre se renovando. A Ana Botafogo, nossa madrinha, falou que somos formados por jovens talentos de um futuro promissor. Não dá tempo de eles virarem um 'funcionário público'. Por isso procuram fazer o seu melhor, estando prontos para o que vier", conta Texeira, apontando que vários bailarinos que passaram pela companhia estão hoje em formações de renome nacional e internacional. Só para o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, foram dez bailarinos da CBB. Com Débora Colker, estão sete profissionais. Somando os ex-componentes que hoje brilham nos Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra, a conta fecha com 15.

Sediada em solo carioca até bem pouco tempo, a CBB se transferiu para a cidade de Ourinhos (São Paulo). O motivo, conforme Texeira, está diretamente relacionado a seus projetos sociais. Entre os que compõem a companhia, vários foram recrutados a partir do projeto Aprendiz, no qual crianças de 11 e 12 anos recebem aulas de balé. Até ganhar o título de bailarino, é preciso transpor as etapas de aprendiz e estagiário. "No Rio, tínhamos uma dificuldade de manter o projeto e a companhia. Dependemos exclusivamente de cachês, não temos qualquer ajuda do Governo. A nossa ida para Ourinhos proporcionou dar continuidade ao trabalho. Aqui, temos a Escola Municipal de Bailado, que fornece alimentação e hospedagem, dando condições ao bailarino de se manter. É um trabalho de inclusão."

Desde que a CBB passou a ser comandada pelo diretor Jorge Texeira, a companhia investiu em um repertório com seis trabalhos clássicos. Em 2012, apresentou, na Colômbia, a versão completa de "O quebra-nozes" para um público de mais de dez mil pessoas. Na opinião de Texeira, para além do físico, esse tipo de montagem se diferencia das performances contemporâneas, principalmente, pelo alto custo de suas produções. "Montar um balé contemporâneo é mais barato.Você não monta um balé clássico com menos de R$ 150 mil. Cada figurino fica em torno de R$ 1.500 a R$ 1.800. Multiplique isso para um corpo de baile de 32 bailarinas. Pagamos R$ 980 em uma casaca para homens. Os dançarinos contemporâneos usam shortinhos e camiseta. Com R$ 20 mil, você faz uma grande produção contemporânea, sem contar que essas companhias têm apenas seis, oito bailarinos", afirma.

Outro diferencial, de acordo com Texeira, é o tipo físico dos profissionais. "O bailarino clássico tem que ter um corpo fora do padrão da normalidade. Toda menina quer ser bailarina. O balé proporciona disciplina e cuida da parte estética. Já a dança contemporânea aproveita todos os físicos. Os melhores bailarinos contemporâneos são aqueles que fizeram muitas aulas de balé clássico. Ou o tipo físico não se adaptou ao clássico ou a pessoa se encontrou no balé contemporâneo."

 

GISELLE

Neste sábado, às 20h

Cine-Theatro Central

3215-1400

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