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08 de Fevereiro de 2014 - 07:00

Por JÚLIA PESSÔA

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Artistas se reuniram, ontem à tarde, para montar a Feira Lasanha, com publicações independentes
Artistas se reuniram, ontem à tarde, para montar a Feira Lasanha, com publicações independentes

No que depender de um grupo de artistas independentes, lasanha pode passar a designar algo além da saborosa iguaria italiana que sobrepõe camadas de massa, queijo e os mais variados recheios. Com sua primeira edição neste sábado, a Feira Lasanha reúne zines e outras publicações feitas por ilustradores de Juiz de Fora e de todas as partes do país, mobilizados em torno de uma causa comum, a divulgação dos trabalhos livres de vínculos com editoras, realizados com os esforços e recursos -coletivos ou individuais- de quem os executa.

Para a ilustradora Stephanie Pollo, que integra a organização do evento, iniciativas como estas são vitais para a longevidade dos trabalhos independentes. "O público é mais diversificado, e pessoas que nem conhecem as publicações e talvez nunca fossem buscá-las acabam entrando em contato com diversos trabalhos. Sem falar na abertura e incentivo para novos artistas, algo primordial", diz ela, que lançará um zine especialmente para a feira. "De forma geral, minha produção é completamente não intencionada a vendas/público, mas a aprender e participar de projetos criativos que agreguem algo."

Também expositora da Lasanha, a juiz-forana Anna Mancini destaca que, apesar de a internet ser um canal importante para a divulgação destas publicações, o contato ao vivo com a produção e seus realizadores permite outro tipo de relação com as obras. "O cenário de ilustração e quadrinhos local depende muito de iniciativas como a Lasanha, que retoma uma ideia de comunidade entre os artistas. Isso é muito importante para gerar uma rede de apoio mútuo e proporcionar diálogos sobre nossa participação política e até mesmo questões trabalhistas.

Como a maior ferramenta de divulgação hoje é a internet, existe o risco constante de as iniciativas independentes se isolarem ou perderem a identificação com seu ambiente de origem e seus pares", diz a artista, que levará à feira a zine "?", produzida no evento "24 horas de quadrinhos", realizado no mês passado.

Dialogando com diversas linguagens, o artista visual Gramboy Freire levará à feira um livreto com desenhos e algumas serigrafias. "O suporte que mais utilizo para minha criação é o papel, e sempre pesquisei por publicações e produzi livros de artista", explica ele, que, além da internet, costuma divulgar seu trabalho por meio de fotografias ou vídeos feitos por amigos. "Muitas vezes, já crio pensando em como será o registro audiovisual. Os curtas são uma forma de apresentar mais do meu processo, além de considerar o olhar dos meus amigos sobre a produção."

 

 

 

Arte sem fronteiras

Expandindo o alcance do evento, a Feira Lasanha exibirá trabalhos de ilustradores de diversas partes do país. Convidado do evento, o quadrinista Tiago Elcerdo vem apresentar a "Revista Beleléu", do Rio, da qual é editor. A revista em quadrinhos acabou se tornando um selo de publicações independentes, focado em artes gráficas e, claro, quadrinhos. "Somos uma alternativa ao formato das grandes editoras, com conteúdo autoral e apresentação de qualidade. Conhecido pela experimentação narrativa, o selo propõe, com frequência, exercícios de criação coletiva, com autores convidados de todo o país", explica o artista, que traz na mala, além da "Beleléu", criações de artistas de vários cantos do Brasil.

Apesar de reconhecer o crescimento do mercado das artes gráficas, Tiago destaca que o alcance das publicações para o público ainda é restrito. "São Paulo é o ponto forte até hoje, onde os grandes eventos acontecem. O próprio Rio ainda precisa evoluir muito. Alguns poucos eventos vêm surgindo, mas ainda falta consumidor", diz.

Se o escoamento deste trabalho ainda precisa melhorar, a produção vive um de seus grandes momentos em todo o território nacional. "Desde o ano passado, podemos perceber novos artistas entrando na cena. São muitas pessoas botando a mão na massa, tendo a internet e a tecnologia como um facilitador", opina Anna Mancini sobre um cenário celebrado pelos autores do formato.

 

FEIRA LASANHA

 

Hoje, a partir das 16h

 

Rua Monsenhor Gustavo Freire 333 - São Mateus

 

 

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