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17 de Maio de 2014 - 06:00

Bemvindo Sequeira protagoniza comédia que retrata os dilemas vividos no casamento

Por RENATA DELAGE

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Para Bemvindo Sequeira, amor e humor têm que caminhar juntos. "Imagine uma parceria, um casamento sem bom humor? Um terror! A mulher acordando de cara amarrada e o marido, por sua vez, respondendo a tudo com resmungos e pragas", visualiza o ator, que apresenta neste sábado, no Teatro Solar, o espetáculo "Dona Encrenca só muda o endereço".

O stand-up comedy, que também tem texto e direção de Sequeira, reafirma a máxima de que os casais e seus dilemas são mesmo iguais. "Só mudam o endereço. É essa a sensação que fica", diz o ator, em entrevista à Tribuna. "Compartilho com o público as experiências comuns a homens e mulheres que vivem juntos o suficiente para se conhecerem bem". São experiências, segundo ele, com reações previsíveis, como deixar a toalha molhada sobre a cama, não perceber que a mulher pintou o cabelo, "invadir" a cozinha quando ela está lá no comando, o marido não conseguir se desfazer de um sapato velho que adora e que ela, sem avisar, joga fora porque está velho, conseguir falar ao telefone sem que a esposa fique do lado perguntando "quem é".

Aproximando-se dos 50 anos de carreira, Bemvindo Sequeira contabiliza personagens diversos em teatro, televisão e cinema, com destaque especial para aqueles que se enveredavam para a comédia, como o Bafo de Bode, de "Tieta", o Seu Brasilino, na "Escolinha do Professor Raimundo", e o Zebedeu, de "Mandacaru". Há nove anos na Record, o ator destaca Clemente, o pai da Bela, da novela "Bela, a feia", como um dos mais especiais da trajetória. As parcerias com grandes nomes da dramaturgia brasileira, sobretudo nos palcos - como Jorge Dória, Nicette Bruno, Suely Franco, Fafy Siqueira e Bibi Ferreira - fazem parte da história do ator.

Creditando como "modismo da língua" a expressão "stand-up", o ator acredita que não há diferenças entre os shows de humor. "Penso que qualquer comediante que se apresente de pé diante de um microfone para uma plateia como 'one man show' está fazendo 'stand-up'. O nome é moda, mas veio para ficar. É como 'estádio' que agora se chama 'arena'", compara.

Além de atuante na dramaturgia, Sequeira assina um blog, no qual se posiciona sobre diferentes assuntos da atualidade. "A gente não se envolve com esses assuntos porque é artista, se envolve porque é cidadão. Antes de sermos artistas, somos cidadãos. Então, de repente, a gente se vê mesmo entrando nas discussões que toda a sociedade faz", diz.

Sem meias palavras, traz à tona questões que envolvem temas como política e moralidade. "Todo mundo tem que escolher um lado. Quem fica em cima do muro já tem um lado: o do vencedor", dispara. Tendo começado sua carreira no Rio de Janeiro, em 1966, o ator se refugiou na Bahia, em 1970, perseguido pela ditadura. "Gosto muito do Brasil de hoje. Sei que há muitas coisas para fazer, mas até na casa da gente tem tanta coisa que a gente vai fazendo o que pode... A corrupção, a violência, a falência dos partidos e lideranças políticas não acontecem só no Brasil, estão ocorrendo no mundo inteiro. Por mais que desejamos, não se conserta isso em 20 anos. A gente, de classes mais altas no estamento social, pensa que tem cidadania. Coisa nenhuma, a gente tem é privilégios. Para ter cidadania ainda falta muito."

Embora seja sempre lembrado como cidadão baiano, Bemvindo Sequeira nasceu na também cidade da Zona da Mata mineira, Carangola. "Amo minhas Minas Gerais. Amo o clima, a comida, o linguajar, sobretudo o sotaque carinhoso da população da região da Mata. Minas é o berço da nacionalidade. Se por um lado, no dizer de Gil, a Bahia dá régua e compasso, Minas nos dá o esquadro e o prumo. As montanhas nos indicam o rumo." Não por acaso, o espetáculo, que estreou no Rio de Janeiro, começa uma turnê por outras cidades do país em Juiz de Fora. "Tínhamos que começar por algum lugar, então porque não começar pela acolhedora 'capital' da região onde nasci?"

 

DONA ENCRENCA SÓ MUDA O ENDEREÇO

 

Hoje, às 21h

 

Teatro Solar

(Av. Itamar Franco 2.104 - São Mateus)

 

 

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