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23 de Maio de 2014 - 06:00

Vinícius Grossos promove lançamento de seu primeiro livre, em que a literatura fantástica divide espaço com temas sociais

Por JÚLIO BLACK

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Inês é uma adolescente insatisfeita com sua vida, sua cor, o mundo e tudo mais. Ela vive com o avô à beira do mar que tanto odeia e, durante uma tempestade, é arrastada pelas águas e descobre que se tornou uma sereia. Não uma sereia qualquer: ela é a única negra em todos os oceanos e vista como a salvadora de sua espécie. Este é o ponto de partida de "Sereia negra", primeiro livro de Vinícius Grossos, que terá seu lançamento nesta sexta-feira, às 19h, no Colégio Academia. Nas mais de 200 páginas da história escrita pelo estudante de jornalismo da UFJF, a literatura fantástica, assim como lendas brasileiras e gregas, divide espaço com temas de cunho social, como racismo, relações familiares e homossexualidade, utilizando estilo que aproxima os jovens da leitura.

Apesar de seus 20 anos de idade, esta não é a primeira tentativa de Vinícius de se firmar como escritor: escreveu sua primeira história - o romance "Quatro caminhos" - em 2009, conseguindo contrato, segundo ele, com uma editora em 2012, porém o livro segue sem ser publicado. Já a nova tentativa, pelo visto, teve um final feliz. "Escrevi o livro entre janeiro e fevereiro de 2013, em maio já estava atrás de editora. O 'sim' só veio em janeiro deste ano. Um período, a meu ver, até rápido", disse ele, destacando que a frustração de não ter seu primeiro trabalho exposto nas livrarias acabou se tornando o fator que o incentivou a não desistir e buscar o risco de um estilo radicalmente diferente do livro que seria o de estreia. "Sempre li romances e fantasias. Depois de ter escrito 'Quatro caminhos' já tinha em mente me aventurar pelo universo fantástico", explica, destacando entre alguns de seus autores favoritos J.K. Rowling (da série "Harry Potter") e os brasileiros André Vianco e Raphael Dracon.

Questões e angústias que fazem parte do cotidiano dos adolescentes fazem parte de "Sereia negra", mesmo com todas as dificuldades de colocar no mesmo pacote temas tão diferentes. "Tive que traçar uma linha de pensamento coesa antes de começar a escrever. Apesar de ter essa vontade de viver de literatura, não queria fazer algo que fosse apenas entretenimento. Foi aí que juntei esses assuntos, tão comentados no nosso dia a dia, com a fantasia da história. Eu me sinto muito orgulhoso de ter criado a Inês, com características marcantes como sua coragem, sua impulsividade. A questão de ser negra fica quase despercebida, como só mais uma característica comum", ressalta, da mesma forma que a homossexualidade. "Um personagem gay não faz dele 'o personagem gay', sua sexualidade é apenas mais uma de suas particularidades."

O amor pela literatura é antigo no coração de Vinícius. "Quando eu tinha 7 anos, fiz um livrinho, com frases curtas, e desenhava embaixo. Era a história de uma estrelinha que desobedecia os pais e caía do céu. Quando me perguntavam no que gostaria de trabalhar, eu respondia que numa livraria ou banca de jornal, só para poder ler tudo que pudesse."

Agora, é chegada a hora de Vinícius mostrar que faz literatura de gente grande.

"SEREIA NEGRA"

Lançamento de livro

Hoje, às 19h

Colégio Academia

(Rua Halfeld 1.179 - Centro)

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