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02 de Março de 2014 - 06:00

Grito Rock traz programação de shows, filmes, debates e oficinas dedicada às mulheres, em menção ao dia 8 de março

Por JÚLIA PESSÔA

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Banda austríaca Sahara Surfers toca no primeiro dia de festival
Banda austríaca Sahara Surfers toca no primeiro dia de festival

"A ideia é abordar essa mulher do século XXI, guerreira, que faz de tudo." É assim que a Nana Rebelatto justifica a programação da primeira edição de 2014 do Grito Rock, que ocorre entre os dias 4 e 9 de março, com destaque para sábado, 8, Dia Internacional da Mulher. Em menção à data, a programação do festival foi pensada de forma a debater o papel da mulher na sociedade e, ao mesmo tempo, mostrar sua inserção no cenário da cultura independente. "Os debates serão voltados para o tema 'Ser mulher na atualidade', e, como o foco do Grito Rock é musical, a maior parte das bandas tem mulheres como integrantes", ressalta.

Para Nana, uma das produtoras do festival, o Grito Rock , que é realizado em mais de 400 cidades de 40 países ao redor do mundo, tem um papel fundamental para o fortalecimento da música independente. "É um importante espaço - junto a outras iniciativas locais como o JF Rock Festival e o Aos Berros, por exemplo - para que os artistas divulguem seu trabalho autoral, contribuindo para a formação de público deles. E ainda juda a fortalecer o trabalho de produção musical, já que o festival é todo realizado de forma colaborativa", explica ela, acrescentando que, em Juiz de Fora, o evento tem apoio da Pró-reitoria de Cultura da UFJF, além de se valer, para sua realização, de trocas de serviços, empréstimo de espaços e outras maneiras de contribuição.

Na terça-feira, a programação será aberta com uma oficina de cobertura colaborativa às 14h, no Black Gold Bar (Avenida Brasil 2983), e a programação musical terá início às 16h. Um dos destaques é a banda austríaca Sahara Surfers, que toca stoner rock (gênero que flerta com metal tradicional, blues rock, acid rock e doom metal, caracterizado por possuir riffs de guitarra graves e lentos e vocais melódicos), mas prefere não se limitar a gêneros específicos. "Todos nós ouvimos diferentes tipos de música e banda, com influências que vão de Pantera a Soundgarden, de Kyuss a Tool, e não tocamos músicas de 20 minutos, mas faixas estruturadas bem tradicionalmente. Alguns podem não gostar disso, mas temos um feedback muito bom, e a própria chance de fazer uma turnê na America do Sul mostra que há um grande público para nosso estilo", conta à Tribuna o baterista Michael Steingress, que divide o palco com a vocalista Julia Überbacher, o guitarrista Andreas Knapp e o baixista Hans-Peter Ganner.

Para Michael, a possibilidade de passar por diferentes cidades brasileiras (além de Juiz de Fora, estão São Paulo, São Carlos, Anápolis, Goiânia, Petrópolis, Rio, Porto Alegre, Santa Maria e Caçapava do Sul) pelo Grito Rock mostra a consolidação do festival como fomentador da música independente no Brasil. "Sabemos que o festival está crescendo e mal podemos esperar para estarmos no palco diante de diferentes públicos. 'Booora!'", brinca o músico, arranhando um português. Além dos austríacos, também se apresentam nesta terça de carnaval as bandas petropolitanas Neutrônica e Putrefatos, e os juiz-foranos da Kymera, Punk-o-rama e Usversos. "Tocaremos o repertório de nosso último EP, 'Seguindo em frente', lançado em novembro de 2013", conta Tierez, vocalista da Usversus, que bebe na fonte de bandas como Foo Fighters, Pearl Jam, Nirvana, entre outras. 

Semana de reflexão e diversão

Na Quarta de Cinzas, a programação terá um hiato, voltando à quinta, 6, com a Mostra Audiovisual Independente na Casa Fora do Eixo (Rua Olegário Maciel 1754). Serão exibidos filmes de juiz-foranos e de diversas partes do mundo, selecionados por meio de edital. Na programação, estão os curtas juiz-foranos "Fomos" (Juiz de Fora), "Cura-se", "Teoria de campo", "Fécha" (Juiz de Fora) e "Trieste Trentini" (Itália), além de "Pedras líquidas" (Belo Horizonte) e "Um de nós morre hoje" (Santos Dumont). Também será lançado o documentário "Enquanto o trem não passa", feito pela Mídia Ninja, que retrata as mazelas que a mineração causa no país.

A sexta-feira, 7, começa cedo, com oficina de música, imagem e ferramentas independentes ministrada por Bruno dos Santos, também na Casa Fora do Eixo. Já o Cai & Pira vai abrigar os shows de duas bandas a serem selecionadas pelo site Toque no Brasil (www.toquenobrasil.com.br), que também será usado na escolha de um DJ que fará o som nos intervalos das apresentações do Quinteto São do Mato e de Nêga Lucas (de volta à casa) e Lucas Soares no Bar da Fábrica (Praça Antônio Carlos s/n) no sábado, 8. "É uma plataforma muito boa para a seleção de bandas, pois os produtores entram em contato direto com os artistas, o que facilita a circulação dos músicos e o trabalho da produção de eventos", destaca Nana Rebelatto. Ainda no sábado, a Pós TV debate o tema "Ser mulher no século XXI".

Juiz-forana, a cantora Nêga Lucas - que atualmente vive na Espanha e roda o velho continente fazendo shows com um quarteto - comemora a temporada em casa. "Cantar em Juiz de Fora é voltar a beber água da nascente, é conectar-me com minhas memórias, com meus amigos, que são o baú que as guarda. É poder ver-me por outra perspectiva e também sentir com intensidade a troca de música e emoção com tanta gente querida, e um público caloroso, que sempre me recebe de braços e coração abertos." Para ela, a inserção no Grito Rock é um "plus" à performance deste sábado. "Qualquer evento coletivo que preze pela arte e pela musica de qualidade funciona como multiplicador de ideias, criatividade e cultura. Essas reuniões entre artistas e um público atento são de grande valia em qualquer lugar do mundo, principalmente nos dias de hoje, em que vivemos uma estranha e lamentável situação política nacional e mundial."

O domingo, 9, será dedicado às crianças, no evento Grita Gurizada, edição especial do Domingo na Casa voltada aos pequeninos. A partir das 14h, os baixinhos poderão chegar fantasiados para um bailinho de carnaval, com marchinhas, brincadeiras e comida saudável à disposição. "A ideia é não cercear a criatividade e deixar que conduzam o dia, claro, com a supervisão e o acompanhamento de uma equipe disposta a cair na folia com eles", finaliza Nana Rebelatto.

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