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10 de Julho de 2014 - 06:00

Revista do Samba, de São Paulo, lança novo CD e revela múltiplas referências de um gênero quase universal

Por MAURO MORAIS

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Vitor da Trindade, Letícia Coura e Beto Bianchi já estão há mais de 15 anos na estrada fazendo samba
Vitor da Trindade, Letícia Coura e Beto Bianchi já estão há mais de 15 anos na estrada fazendo samba

A música liga, e o samba dá liga. No grupo Revista do Samba, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais fazem uma mesma dicção para um samba que percebe o mundo como um pandeiro, como diz "Mais uma cidade", uma das faixas do novo disco da banda, "Samba do Revista", primeiro trabalho autoral do trio formado por Beto Bianchi, Letícia Coura e Vitor da Trindade. "E tudo vai sair com tanta alegria/ tristeza como um sol de meio-dia/ como um samba deve ser", canta a música de abertura do álbum, "Só eu só", composta pelos três. "O disco fala muito de nosso cotidiano, de nossas viagens, nossas aventuras por 15 países de quatro continentes, alguns exóticos. Contamos um pouco da história desses 15 anos em que estamos juntos", anuncia o violonista Bianchi.

"O samba é um direito adquirido nosso. Sinto que temos o gênero como um ponto de interseções. Cada um com suas influências, temos todos muito amor e prazer em tocar samba. O Vitor traz um lado mais raiz, aprendido na família; o Beto é mais pop, com uma pegada do rock; e eu venho do teatro, sempre trabalhei os dois. Formamos um trio baseado na tradição do samba, com três personalidades artísticas diferentes", comenta a vocalista Letícia, apontando para uma característica bastante marcante no trabalho, que vai do samba de roda a suingues mais leves, como um samba-canção. "Cada um dos integrantes é de um lugar: Letícia é de Minas, eu, de São Paulo, e Vitor é do Rio de Janeiro", reforça Bianchi.

Há mais de uma década na estrada, o Revista apresenta o que o próprio nome propõe: um gênero em suas diferentes facetas, revisando o que já foi feito e apontando para novas possibilidades. "Nunca tínhamos usado instrumentos que não o violão, cavaquinho, pandeiro, conga e outros de percussão. Nesse disco usamos guitarra, violão com cordas de aço, baixo, efeitos. Colocamos até um pouco de eletrônica", pontua Bianchi, destacando a importante produção musical de Paulo Lepetit, produtor reconhecido por seu trabalho com Itamar Assumpção. "O Revista do Samba começou de uma ideia chamada 'Café com leite', que tinha samba de Minas e de São Paulo. Acabamos executando sambas clássicos, de Ataulfo Alves, Cartola, Adoniram Barbosa, e virou uma grande pesquisa. Estamos juntos há 15 anos, e até esse quinto disco foi tudo muito espontâneo. Esse sotaque foi natural, porque não fazemos samba de São Paulo, mas do Brasil", acrescenta o violonista.

 

Diálogos artísticos

Mineira de Belo Horizonte, Letícia Coura leva para o grupo e mostra no disco a forte interpretação de seu canto, cuja origem não parte da música. "Não acredito em uma arte sozinha. O incrível da arte é dialogar com todas as linguagens, a grande riqueza está aí, e assim conseguimos comunicar mais rápido. Brinco e falo que no teatro sou uma ótima cantora, e como cantora sou uma ótima atriz. O que mais aprendi no teatro foi interpretar, no sentido de entrar dentro da música, buscar o sentido de quem está cantando aquilo, a emoção que existe. No teatro, o texto é o mais importante, e isso levei para a música", conta a atriz integrante do Oficina Uzyna Uzona, de José Celso Martinez Corrêa.

Dizendo pensar o samba como uma mineira, Letícia insere a descontração necessária ao gênero, ação reforçada também pela percussão de Vitor da Trindade. "Quando mudei, parecia ter esgotado tudo que eu poderia fazer. Sentia que minha linguagem já não rolava em Belo Horizonte. Em São Paulo, encontrei parceiros, caí no teatro e encontrei minha linguagem. Mas sou mineira, tenho sotaque, em qualquer lugar que eu vá, está na cara que não sou paulista. Tenho um jeito mineiro, de saber ouvir, saber ficar quieta. Tive a vontade de ultrapassar as montanhas mas levo elas comigo", emociona-se ela, que no novo disco canta um pouco da rotina do trio.

Das 13 canções de "Samba do Revista", apenas duas não foram compostas pelo trio, porém, foram feitas por parceiros muito próximos, como Seu Maninho da Cuíca e Osvaldinho da Cuíca. "'A Cuíca do Maninho' conta uma história que aconteceu em um show nosso, no lançamento de um de nossos discos. O Oswaldinho realmente rasgou a cuíca do Maninho, foi em casa, pegou outra pele e consertou", revela Beto Bianchi, justificando uma das letras que diz: "Quero ouvir a cuíca chorar/ Ah, chorar.../ Só não quero a tristeza do Maninho/ Quando a roda de samba começar/ Quero ouvir todo mundo cantar".

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