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20 de Fevereiro de 2014 - 06:00

Desenvolvido por juiz-foranos, o jogo de tabuleiro 'Midgard' chega ao mercado com apoio de financiamento coletivo

Por BÁRBARA RIOLINO

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Cristiano Cuty mostra o jogo de tabuleiro "Midgard", criado por ele em parceria com o engenheiro Fernando Scheffer
Cristiano Cuty mostra o jogo de tabuleiro "Midgard", criado por ele em parceria com o engenheiro Fernando Scheffer

Em meio aos incontáveis jogos de computador e versões cada vez mais atualizadas de videogames, como Xbox, Nintendo Wii e Playstation, há quem prefira sentar-se à mesa e dispensar horas para concluir objetivos propostos por cartas e tabuleiros. A criação juiz-forana "Midgard", ambientada na mitologia nórdica, chega ao mercado para garantir sua fatia e conquistar novos adeptos. Financiado exclusivamente pelo crowdfunding - financiamento coletivo -, o jogo está disponível na Taberna Conclave (Rua Padre Café 273 - São Mateus) e pela internet (www.conclaveweb.com.br).

Foram produzidas, inicialmente, mil unidades do jogo, e, destas, 300 foram entregues aos apoiadores do projeto que contribuíram para a sua elaboração. Desde o começo do mês, quando começou a ser comercializado, já foram vendidos 30 jogos. "Em breve, ele será disponibilizado em lojas especializadas de todo o país", anuncia o designer gráfico Cristiano Cuty, coautor do "Midgard". A inspiração para criar um jogo dentro do universo dos vikings, segundo ele, não foi de uma hora para a outra e precisou passar por outros tipos de produtos até chegar ao modelo final. O nome Midgard significa reino dos humanos na mitologia nórdica, correspondendo à Terra Média.

"Desenvolvemos uma linha de livros de RPG chamada "Vikings: Guerreiros do Norte", como suplemento para o RPG "Dungeons & Dragons" - o mais famoso do mundo, que inspirou o desenho "Caverna do dragão". O primeiro volume, lançado em 2005, foi sucesso de público e crítica, ganhando até uma versão em inglês. Em 2010, foi a vez da nova edição do RPG dos "Vikings", agora adaptado às novas versões do "Dungeons & Dragons". Sentimos que era hora de aprofundarmos ainda mais nas histórias da mitologia nórdica e criar um livro de contos baseado naquilo que tínhamos desenvolvido. Então, em 2012, lançamos os "Contos nórdicos vol. 1". A aceitação dele entre os adeptos nos surpreendeu, inclusive estamos preparando o próximo volume", ressalta.

Depois destas etapas, ele e o engenheiro Fernando Scheffer, também coautor do "Midgard", conseguiram transportar o conceito criado para um jogo de tabuleiro, utilizando toda a temática desenvolvida desde 2005. "É um jogo com 'bagagem', e todos os elementos fazem parte de um cenário vivo, podendo ser aprofundado pelos jogadores por meio do RPG ou de livros de contos", comenta Cristiano. O objetivo do jogo é angariar mais renome, que, na sociedade viking, é obtido por feitos heroicos.

Podem jogar de três a seis pessoas, sendo que cada jogador representa um "Järl", termo utilizado para determinar um comandante ou lorde viking. Eles precisam reunir suas tropas, representadas pelas cartas, e colocá-las na mesa para realizar os feitos, como desafios, viagens pelos nove mundos da mitologia nórdica e embate com outros jogadores. Cada feito provê uma premiação em renome.

 

O diferencial do "Midgard", segundo Cristiano, é a contagem de tempo. "Há um calendário que determina a passagem do tempo e o fim da partida. Saber lidar com essa transição e quando fazer o calendário girar é um dos pontos estratégicos do jogo. Um jogador, por exemplo, que acredita estar com mais pontos que os outros, vai tentar fazer o calendário girar e o tempo passar rapidamente para sair vitorioso da partida, enquanto os outros tentarão segurar o andamento para obter mais pontos." O coautor acrescenta que existe uma gama enorme de estratégias para se vencer uma partida de "Midgard", que ocorre por meio da oferta de quase 200 cartas, divididas em cartas de jogo, desafios e recompensas, e outros elementos como blefe, organização, construção de baralho e observação.

Na caixa básica do jogo, contém, além das cartas e do tabuleiro, seis "meeples" (peças de madeira para representar os jogadores no tabuleiro), 50 moedas de papel cartão (tipo punch-out), manual e os parafusos necessários para se montar o calendário no tabuleiro. A ideia inicial era produzir apenas esta versão básica, orçada em R$ 16.500, mas, como o montante angariado pulou para R$ 35.500, a dupla conseguiu desenvolver quatro expansões, que agregam conteúdo e novas regras ao jogo. As expansões - "Arsenal de guerra", "Desafio das runas", "Heróis do Norte" e "Fúria nórdica" - também estão disponíveis para a venda no site e na loja. Cada uma delas, de acordo com Cristiano, tem sua especificidade. No entanto, ele não adianta se existirão novas expansões.

Ao mesmo tempo em que colhe os frutos do "Midgard", Cristiano já está trabalhando em um novo projeto de jogo, ambientado na cidade de Veneza. "É algo que está na fase de rascunho do rascunho do rascunho. Mas as ideias já estão brotando e, aos poucos, sendo colocadas no papel. Pretendemos, ainda neste ano, licenciar jogos internacionais e trazê-los ao Brasil. Estamos vivendo um momento de retomada dos jogos analógicos e não pretendemos ficar de fora."

 

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