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31 de Dezembro de 2013 - 07:00

Juiz-foranos revelam o que esperam ver entre as iniciativas culturais para a cidade no ano que vem

Por JÚLIA PESSÔA

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Tradicionalmente, as festas de fim de ano são um período de reflexão sobre o ano que se encerra e momento de pensar nas metas e resoluções para o ano que vem chegando. No fechamento de 2013, a Tribuna conversou com juiz-foranos que se destacaram artisticamente e foi às ruas para saber o que as pessoas esperam da cultura em 2014 (ver quadro). Entre os principais desejos, estão o melhor aproveitamento dos espaços públicos para atividades culturais e de lazer, maior investimento em atrações teatrais e programações infantis, mais shows de grandes artistas e de músicos locais e mais ações de incentivo à leitura.

Para a cantora Alessandra Crispin, que ganhou visibilidade nacional ao participar na edição deste ano de "The voice Brasil", da Rede Globo, 2013 foi "um ano abençoado". "Me consolidei como cantora não apenas na cidade, mas nacionalmente, e isso me deu a certeza de que este é o caminho que tenho que seguir, o microfone, indo além do trabalho que sempre fiz como instrumentista." Em 2014, a artista espera dar continuidade aos bons ventos do ano que vai se encerrando. "Vou investir na minha carreira solo e pretendo levar o nome de Juiz de Fora para outras cidades e quem sabe outros países", planeja a cantora, que continua à frente do bloco Come Quieto, mas deixa os vocais do Samba d'Loko. Alessandra espera ainda que os movimentos culturais atuantes na cidade se fortaleçam e cheguem cada vez mais ao público. "Muita gente não sabe das iniciativas que rolam na cidade. Gostaria que a cultura chegasse à população e que, por sua vez, fosse mais valorizada por este público.

O ano também foi de muitas vitórias para os rapazes da banda juiz-forana Onze:20, que estourou na mídia e nas rádios de todo o país. "Foi um ano de muito trabalho e correria, que nos trouxe grandes conquistas", avalia o vocalista Victor Hugo. No que depender dos músicos, 2014 será um ano de ainda mais dedicação. "Estamos preparando um disco novo com muita coisa boa, muita música brasileira. Talvez seja o ano que a gente mais trabalhe!", antecipa. O músico espera que em 2014, ano de Copa, a cultura de Juiz de Fora esteja fervilhando. "É hora de a gente mostrar a que veio. Uma cidade com veia artística tão forte como a nossa tem que se expressar mais."

Na reta final de 2013, o cineasta Marcos Pimentel avalia que o ano ficará marcado como aquele em que "Sopro", seu primeiro longa-metragem, nasceu e percorreu importantes festivais do mundo todo, além de ter tido uma estreia na terra natal do diretor. "Também foi o ano em que fiz 'Sanã', um curta-documentário, que conquistou prêmios e reconhecimento da crítica e do público em todas as partes do país", completa Pimentel, que teve agenda cheia o ano todo. "Espero realmente que 2014 seja de intensas alegrias como este que se encerra, mas que tenha um ritmo mais suave, mais sujeito a brisas do que a vendavais", completa ele.

O cineasta também espera que projetos e ações culturais em desenvolvimento há alguns anos tenham continuidade. É sempre uma luta árdua e incerta começar um ciclo sem a mínima certeza de que as ideias se concretizarão. Isso acontece com o Festival Primeiro Plano, a turma do carnaval... somente para citar alguns dos muitos grupos que trabalham em função de alguns eventos que não dependem somente de boa vontade para colocar seu bloco na rua", avalia ele.


Continuidade e democratização do acesso à cultura

Ver a continuidade de um destes projetos, em especial o Festival de Cenas Curtas, é um dos desejos do ator Tairone Vale para 2014. "Em 2013 pudemos colher frutos mais consistentes de um trabalho iniciado há algum tempo. Nunca se viu tantos nomes novos e bons. Isso é sinal de uma evolução na nossa dramaturgia, que eu espero que siga em 2014", avalia ele. Tairone integra a Cia. Cortejo e o elenco de "Uma história oficial", indicada ao Prêmio Shell por melhor direção para Rodrigo Portella, concorrente ao mesmo prêmio como autor, por "Antes da chuva". "Essas indicações deram muita visibilidade à companhia, e acredito que vão alavancar ainda mais, em 2014, 'Uma história oficial', um projeto que já está em seu terceiro ano, uma longevidade muito maior que a maioria dos espetáculos da região."

No próximo ano, Tairone se prepara também para começar a produzir uma comédia romântica, curta apoiado pela Lei Murilo Mendes. "Ainda tenho muito que aprender nesta área, mas a ideia é produzir e dar visibilidade, rodar festivais... E estou com algumas surpresas interessantes também no teatro, 2014 será empolgante", adianta o ator.

Repórter especial da Tribuna, Daniela Arbex também fecha 2013, em que estreou na literatura com "Holocausto brasileiro", com um largo sorriso. Eleito melhor livro-reportagem do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte, um dos cinco melhores não-ficção pelo jornal "O Globo" e um dos 20 mais vendidos de acordo com a Publish News, o primogênito da jornalista se prepara para ganhar a Europa, com sua publicação em Portugal. "Espero que em 2014 este trabalho chegue a outros países da Europa e, sobretudo, à América Latina. Também quero ver o livro transformado para outras linguagens", diz Daniela. No ano que vem, a jornalista ainda espera que haja mais democratização no acesso à cultura, principalmente para crianças em situação de vulnerabilidade social. "Segundo uma pesquisa da UFJF, mais de 50% das crianças nesta situação não possuem acesso aos bens culturais. Isso precisa ser revertido em 2014, já que a cultura tem esse papel de transformar olhares e realidades."

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