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27 de Maio de 2014 - 07:00

Às vésperas da eleição para reitor na UFJF, candidatos falam à Tribuna sobre os projetos na área de cultura

Por MARISA LOURES

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Licitação para obras no Forum da Cultura é aguardada para os próximos dias
Licitação para obras no Forum da Cultura é aguardada para os próximos dias
Expectativa da atual gestão é inaugurar Planetário até agosto
Expectativa da atual gestão é inaugurar Planetário até agosto
Candidatos opinam sobre a ocupação de espaços como o Memorial da República Presidente Itamar Franco
Candidatos opinam sobre a ocupação de espaços como o Memorial da República Presidente Itamar Franco

A 13 dias da eleição para o cargo de reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora, programada para os dias 9 e 10 de junho, a Tribuna conversou com os três candidatos ao posto - Júlio Chebli (Viver a nova universidade), Marcus David (chapa Reunir a UFJF) e Paulo Villela (Paixão pela UFJF) -, que falaram sobre os projetos para a cultura em Juiz de Fora. A reta final da gestão Henrique Duque foi marcada pela mudança no nome que ocupa a cadeira de pró-reitor de cultura, o que aumenta a especulação acerca do norte que será dado nos próximos quatro anos. O pintor e professor Gerson Guedes assumiu o cargo com a proposta de popularizar o acesso à arte, investindo em ações, como o "Leitura no campus" e o "Som de domingo". Além da expectativa em torno da continuidade dos trabalhos já realizados, aguarda-se por propostas práticas de ocupação de espaços culturais capitaneados pela instituição, como o Memorial da República Presidente Itamar Franco e o Centro Didático de Astronomia Planetário e Observatório Astronômico.

"A fase de grandes construções na área cultural praticamente está finalizada", acredita Chebli, que concorre ao cargo com o apoio de Duque. De acordo com ele, ocupante de uma cadeira como professor da faculdade de medicina, a expectativa é consolidar os trabalhos em andamento. "Vamos manter todas as atividades já realizadas e criar novas. A universidade deve estar conectada com a realidade, criando oportunidades para o corpo discente e as comunidades acadêmica e externa. Queremos concluir as obras de reforma do Cine-Theatro Central, realizar as obras do Forum da Cultura, que é um espaço de difusão de ideias nas artes plásticas, no teatro e na cultura popular, concluir a restauração do DCE e transformá-lo num espaço dinâmico de grande visibilidade e de difusão da memória e da cultura", afirma Chebli, opinando sobre a greve dos servidores da instituição, cujos reflexos chegaram à cultura. O Museu de Arte Murilo Mendes, por exemplo, está fechado desde 2 de abril. Com a medida, estão paralisadas as visitações às exposições.

"A greve é um direito constitucional garantido. Cabe a nós, dirigentes, respeitar isso, da mesma forma que existe o direito a não greve. A cultura não se enquadraria nisso, mas os serviços essenciais devem ser mantidos em 30% de funcionamento. Cabe ao reitor ser o interlocutor entre as demandas daquela classe, seja estudante ou professor. Atuar para levar as demandas e ver o que pode ser feito para resolver os problemas. Nessa época de transição eleitoral, é comum haver o recrudescimento de greve. Vamos esperar para que isso se resolva e tenhamos tranquilidade para executar tudo", diz Chebli.

 

 

Pesquisa e extensão

Ligado ao grupo de Margarida Salomão, ex-reitora e atual deputada Federal pelo PT-MG, Marcus David tem na lista de suas propostas a estruturação de um marco regulatório dos espaços culturais da UFJF. "A gente precisa fazer com que esses equipamentos estejam associados a pesquisa e extensão. É preciso estabelecer como vai funcionar e qual sua missão. O Forum da Cultura, por exemplo, cumpre um papel muito claro. Agora, como vai funcionar o Pró-Música junto a UFJF, qual o papel do Memorial Itamar Franco? Qual a relação dele com a área de história da universidade?", indaga o candidato formado em economia pela UFJF e professor desde 1997.

Ainda que Duque tenha a expectativa de inaugurar o Planetário e o Memorial da República até agosto e de licitar as obras da sede do Grupo Divulgação, Marcus David acredita que o prazo é curto para a conclusão de todos os projetos. "Acho que ele vai deixar muita coisa para se fazer. Acho emblemático o exemplo do Forum da Cultura. É uma reivindicação antiga e justa", ressalta David.

Último dos nomes a se inscrever para a disputa, Paulo Villela resume seus projetos de administração com ações voltadas para o multiculturalismo. "Esse é um ponto que passa despercebido. Temos, na cidade, representantes da cultura africana, alemã, italiana, portuguesa, entre outros, e a universidade vem se internacionalizando. Nosso grande eixo é estabelecer campos multiculturais, estimular iniciativas que destacam a diversidade cultural da nossa região, fazendo com que nossos alunos tenham uma visão ampla do que acontece no restante do mundo. Quando você entra na sala de aula e vê alunos de outros países, isso muda a maneira de dar aula, falar, explicar ", afirma, sinalizando para iniciativas que deixam um legado a longo prazo. "A gente projeta para os próximos 20, 30 anos. Essa é outra questão da nossa proposta. Pensar aonde vamos chegar e de que maneira vamos chegar", comenta.

Segundo Villela, a primeira iniciativa, caso seja eleito, é convocar um congresso de planejamento. "É a partir daí que vamos definir as ações específicas para cada área", assevera. "A administração atual se caracterizou por muitas construções. Isso não é o bastante, os espaços precisam ser ocupados no sentido de que as pessoas participem deles. Não basta somente um prédio. Temos que ter uma política cultural."

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