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03 de Janeiro de 2014 - 07:00

Pianista e compositor Márcio Hallack lança o primeiro álbum composto inteiramente por canções

Por RENATA DELAGE

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Márcio Hallack reafirma parcerias e presta homenagens em
Márcio Hallack reafirma parcerias e presta homenagens em 'Aquelas canções'

Parafraseando Tom Jobim, o pianista Márcio Hallack reflete sobre o novo trabalho, que acaba de chegar às prateleiras, o CD "Aquelas canções". "O resto é mar...", diz, sem mais "saber o que contar". Como Jobim já dizia, já que "fundamental é mesmo o amor" e "é impossível ser feliz sozinho", em seu quinto álbum, o músico reafirma o apreço pela boa música e o histórico de parcerias.

O álbum, financiado pela Lei Murilo Mendes, é o primeiro trabalho de Hallack composto inteiramente por canções. Ainda que o pianista já tenha flertado com o gênero no CD anterior, "Piano solo, choros e canções", as gravações tinham repertório basicamente instrumental. "Não há como negar que a música com letra, cantada, tem um apelo diferente. A letra leva, inclusive, o público a conhecer o seu trabalho instrumental", avalia o músico juiz-forano, destacando a boa aceitação da recente obra.

A faixa "Pescador" figura como a única inteiramente assinada por Hallack, com letra e música autorais. Nas demais composições, o músico conta com a parceria de Murilo Antunes, Moacyr Luz, Luiz Sérgio Henriques, Gerraux, Rodrigo Barbosa e Kadu Mauad. "É preciso renovar. Começamos experimentando, mas, com letras tão lindas, com parceiros tão importantes, é até uma maldade conosco e com o público deixar essas canções escondidas."

A capa, bem como todo o encarte, traz os tons azuis e verdes das águas do mar. A arte do pescador em seu barquinho é assinada por Paulo Sérgio Talarico.

O CD é dedicado ao músico e arranjador carioca Flávio Goulart de Andrade, que teve participação especial nas guitarras em algumas das faixas e faleceu no período da gravação do álbum. Outro homenageado é Geraldo Pereira, com "O rei do samba". "Essa música era só instrumental, fez parte da trilha do filme de mesmo nome, dirigido por José Sette", conta. Lembrado no novo álbum, o tema ganhou letra de Hallack e Moacyr Luz e renova a homenagem ao sambista juiz-forano. "Ele foi um dos mais importantes sambistas locais, tendo obras gravadas pelo Chico e tantos outros."

Participam ainda do trabalho, composto por 13 faixas, os músicos Sérgio de Jesus, José Arimatéia, Nivaldo Ornelas, Ricardo Serpa, Fernando Cunha, Rômulo Duarte, Victor Bertrame, Ney Conceição, Robertinho Silva, Yuri Popoff, Carla Villar, Lena Horta e Toninho Horta. "É a velha história do dividir para somar", brinca.

Ainda sem data de show de lançamento em Juiz de Fora - que acontecerá em breve, segundo o autor -, o trabalho será apresentado, em fevereiro, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte.

Esbarrando nos 40 anos de carreira, Hallack não sabe precisar quando, de fato, começou a se dedicar à música. "A paixão por ela vem desde que eu me entendo por gente", observa o pianista e compositor, apresentado, certa vez, pelo crítico Zuza Homem de Mello como "a junção entre a introspecção mineira e a liberdade carioca". Embora sua formação seja erudita, se envereda pelo estilo eclético, destacando as fortes influências que recebeu do instrumental brasileiro e do jazz. Já compôs em parceria com importantes nomes da música brasileira, como representantes do Clube da Esquina.

O juiz-forano traz na bagagem o II Prêmio BDMG-Instrumental de 2002 e de 2007 e indicações a outros, como o Prêmio Tim de Música Brasileira, em 2003, pelo álbum "De manhã". "Mais importante do que o que falam ou escrevem sobre o artista, é o trabalho que ele faz", avalia, sem dar quaisquer sinais de desgaste em sua "jornada dupla", de músico e médico. "Tem horas que gostaria mesmo é de ter dois corações", brinca - não por acaso - o cardiologista.

Entre os projetos para o novo ano, está o relançamento de seu LP de estreia, "Talismã" (1988). "Estamos em um momento de resgate do vinil, e esse primeiro trabalho teve uma aceitação ótima", diz. Dirigido por Nelson Ângelo, do Clube da Esquina, o álbum contou com participações de músicos do quilate de Jaques Morelenbaum, Marcos Suzano e Mauro Senise.

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