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18 de Julho de 2014 - 06:00

Encontro de veículos antigos é realizado neste final de semana em Juiz de Fora

Por JÚLIO BLACK

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Modelos da Ford em 3 momentos (1926, 1953 e 1948)
Modelos da Ford em 3 momentos (1926, 1953 e 1948)

O motivo não importa: seja pela força da propaganda ou por incentivos fiscais, o brasileiro adora comprar um carro novo e descartar o automóvel nem tão rodado assim. Mas existe um grupo em contínuo crescimento que adora reformar, manter e curtir os veículos de antigamente, buscando chegar ao máximo de fidelidade dos modelos originais. No caso de Juiz de Fora, esses adeptos do antigomobilismo se reúnem na AVA (Associação de Veículos Antigos), que promove, neste sábado e domingo, o XIII Encontro AVA-JF, no Pátio de Eventos do hipermercado Carrefour. O evento é realizado em parceria com o VW Clube e o Hot Street e tem início, nos dois dias, às 8h.

O encontro, porém, não se resume à admiração de carros, ônibus e caminhões com aparência de zero quilômetro: o presidente da AVA-JF, Jorge Borboleta, destaca que o projeto também tem caráter beneficente, pois todos os expositores devem doar cinco quilos de alimento não perecível, destinados à Apae-JF. A entrada para o público é franca. Além disso, a praça de alimentação é em benefício da Aban e do Lar de Idosos Luiza de Marillac. Para os apaixonados pelo que envolve o universo automotor, há venda de toda sorte de lembranças, como camisas, bonés, dioramas, miniaturas, chaveiros. Já quem precisar de alguma peça para seu carro pode procurar com os vendedores de autopeças e afins, que também estarão presentes.

Entre as exigências para participar do encontro estão o veículo ter mais de 30 anos de fabricação e estar em bom estado de conservação, mas carros de fabricação mais recente considerados de série, como o Escort XR-3, Fusca e Opala, podem conseguir seu espaço. A expectativa, segundo Jorge Borboleta, é repetir o comparecimento do ano passado, quando cerca de 560 veículos participaram do encontro, vindos de toda a Região Sudeste. "A primeira edição teve 170 expositores, e o número só aumentou desde então.

A paixão pelas antiguidades sobre rodas é o que une os amigos. No caso de Jorge Borboleta, tudo começou há mais de 25 anos, quando comprou um Chevrolet Fleetmaster 1948 de um amigo, que pensava em vendê-lo como ferro-velho. Hoje, além dos que aguardam restauração em seu quintal (incluindo ônibus e caminhões), estão um DeSoto 1952, um Ford Super DeLuxe 1941, um Ford 1953 que pertenceu a João Surerus (um dos primeiros agentes da Ford na cidade) e um Ford T 1926, que ele pretende modificar a pintura para a original (que era preta, quando a montadora ainda fabricava os carros com uma única cor). "Este comprei há dois anos em Foz do Iguaçu (PR), o dono anterior ficou com ele por 52 anos." O cuidado em manter os carros com o máximo de detalhes originais resulta em diversos pedidos para utilização dos veículos em casamentos e outros eventos.

Outro feliz proprietário de relíquias motorizadas é o jornalista Lúcio "Papaulo" Martins, com seu Puma 1977 e um Galaxie 81 (modelo 82). Segundo ele, a paixão pelos carros antigos vem desde a infância, quando tinha as suas miniaturas. Com outro automóvel para o dia a dia, o Puma e o Galaxie ficam para os passeios. Já o bancário aposentado João Batista de Carvalho mantém na garagem um Corcel 1977 e um Landau 1982. "Ter um carro antigo é algo que dá uma satisfação imensa. Nós participamos dos encontros, fazemos novas amizades, trocamos informações sobre peças, oficinas de manutenção. É difícil encontrar um bom mecânico para esse tipo de carro."

O técnico em segurança do trabalho Joel de Souza Vieira, que acompanhava as exposições e mantinha o desejo de adquirir a sua peça rara, comprou há quatro anos um Fusca 1966. "Ele estava bem ruim, precisou de uma boa reforma, arrumar mecânica, estofamento. O custo do serviço foi quase o mesmo do carro, é melhor comprar um em bom estado. Já estou juntando um dinheiro para o próximo. O Fusca é meu favorito, mas também gosto muito do Landau", diz ele, que participa de vários encontros por ano. "Pelo menos oito."

 

A paixão do grupo pode ser pelos carros de décadas passadas, mas é a modernidade que vem dando grande ajuda para manter as raridades em funcionamento. "A internet facilitou a nossa vida. Hoje você consegue até motor novo para o Ford T, assim como outras peças originais ou mesmo de segunda linha, incluindo adornos, tapeçaria etc.", observa Jorge Borboleta. "Isso para os carros dos Estados Unidos, no caso da Europa ainda é mais complicado."

Toda essa facilidade tem sido um fator importante para o aumento no número de pessoas que preservam seus carros preferidos, incluindo até mesmo as novas gerações. "Hoje temos aquele pessoal que lembra do pai com um Fusca, um Dodge, e eles querem pegar esses carros para reformar. Isso se dá mais com os nacionais, porque a maioria dos importados antigos foi perdida", lamenta o presidente da AVA-JF.

Seja por nostalgia ou curiosidade, fica a oportunidade de conferir neste final de semana alguns modelos clássicos, de um tempo em que os carros eram mais coloridos, com personalidade... E nem um pouco descartáveis.

 

XIII ENCONTRO AVA-JF

 

Sábado e domingo, das 8h às 18h

 

Pátio de Eventos do hipermercado Carrefour

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