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20 de Março de 2014 - 06:00

Tulipa Ruiz vem a Juiz de Fora pela primeira vez, tocando repertório de estúdio e lançando nova música

Por JÚLIA PESSÔA

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Cantora fala à Tribuna sobre suas raízes mineiras e seu processo de criação
Cantora fala à Tribuna sobre suas raízes mineiras e seu processo de criação

Apesar de a musicalidade ser uma constante - tanto no ramo Ruiz (da mãe) quanto no Chagas (do pai) - de sua família, Tulipa Ruiz, uma das maiores cantoras e compositoras da MPB de sua geração, demorou para "sair do armário" em relação à sua inegável vocação, iniciando a carreira musical somente em 2009, aos 31 anos, quando já era formada em comunicação social. "Demorei para pensar na música como carreira porque ela não era uma opção. Trabalhava em agência de comunicação e, nas horas vagas, gostava de cantar e desenhar. Aos poucos essas duas coisas foram ficando mais fortes do que as outras que eu fazia. Daí montei uma banda, gravei um disco e comecei a fazer música 'oficialmente'. O 'start' se deu em 2009, e gravei o 'Efêmera' em 2010. De lá pra cá, não parei mais", relembra a cantora em entrevista à Tribuna.

Fazendo seu début na cidade amanhã, em show que realiza um desejo antigo dos juiz-foranos, Tulipa prepara um repertório com conhecidas do público, de seus dois álbuns de estúdio, além de presenteá-los com novidades. "Vou misturar os dois discos que nunca foram tocados aí. E vai ter 'Megalomania', música fresca, que pintou agora no carnaval. Eu e a banda estamos no pique para esse show. Sempre é especial tocar em Minas. No caso de Juiz de Fora, ainda mais. São Lourenço não tinha muita opção de cursos universitários na minha época, então, a moçada ia estudar em Juiz de Fora. Tenho muitos amigos que moram aí, vai ser uma delícia reencontrá-los", conta a autointitulada mineira de São Lourenço ("Fui para lá aos 3 anos e morei até os 23. Então é minha cidade natal, né?"), que nasceu em Santos (SP).

Tulipa caiu nas graças do público e da mídia já em sua estreia com "Efêmera", considerado o melhor disco de 2010 pela revista "Rolling Stone", um dos melhores do ano pelo jornal "O Globo" e integrante da lista dos top álbuns da década da "Folha de S. Paulo". Avaliando sua trajetória, a cantora vê um grande peso de suas raízes mineiras para sua formação artística. "Cresci rodeada de música, com os discos do meu pai, que minha mãe trouxe de São Paulo. Minha mãe acordava e ligava a vitrola. E São Lourenço é uma cidade cheia de artistas, o pessoal lá faz muita música. Primeiro eram os amigos da minha mãe e depois os filhos, ou seja, os meus amigos. Minhas primeiras cantorias foram lá e sempre que volto tem algum festejo com música."

 

'Algumas músicas chamam a parceria'

A inserção do pai na vanguarda paulistana também foi uma rica fonte para a construção do repertório cultural e musical de Tulipa, em que figuram alguns favoritos como o ilustrador Robert Crumb, o poeta Manoel de Barros, a cantora Joni Mitchell e a artista plástica e musicista Yoko Ono. "Meu pai não morava com a gente, mas sempre me mandava som novo, pelo fato de ser jornalista, além de guitarrista. Ganhava de presente discos com release e 'kit imprensa', com camiseta da banda, caneta, caderno", recorda ela sobre o pai, Luiz Chagas, que atuou na imprensa cultural de São Paulo, tocou guitarra na Banda Isca de Polícia, de Itamar Assumpção, e também a acompanha em "Efêmera".

Seu segundo trabalho de estúdio, "Tudo tanto", foi lançado em 2012 pelo edital Natura Musical com 11 músicas, todas assinadas por ela, sozinha ou com parceiros, encontros, que, segundo Tulipa, surgiram cada um à sua maneira. "Algumas músicas chamaram a parceria, no caso de 'Víbora', com o Criolo, e 'Dois Cafés', com o Lulu (Santos). Elas foram acontecendo e, de repente, foram ficando a cara dos caras. Não tinha como fugir, a solução era chamar para a história. E funcionou. As outras parcerias são de amigos que me mandaram uma base, e eu desenvolvi a melodia e a letra", diz ela, usando como exemplo "Desinibida", com Tomás Cunha Ferreira e "Like this", com Ilhan Hersain. "O legal de fazer um disco é isso, juntar as pessoas que você gosta para fazer música com você", comemora a cantora, falando também sobre as participações de Rafael Castro e "a moçada do Rio de Janeiro": Kassin, Donatinho, Alberto Continentino e Stephan San Juan. "Foram pensadas porque são músicos que eu admiro e queria por perto", acrescenta.

 Antenada com os tempos, Tulipa faz, pessoalmente, postagens em suas contas em redes sociais e compartilha seus desenhos com os fãs no tumblr "Ateliê da Tulipa" (ateliedatulipa.tumblr.com). Quando lançou "Megalomania", em fevereiro, ela propôs aos fãs, em sua página no Facebook, que enviassem vídeos da faixa sendo tocada em bloquinhos de carnaval de todo o país para a criação de um clipe colaborativo. "A divulgação do meu trabalho começou no ambiente virtual e, só por conta dessa divulgação, consegui fazer um disco físico. Gosto de ter uma vida virtual ativa, posto conteúdos, divulgo a minha música, conheço pessoas e novos sons. Tenho a internet como uma aliada. O acesso ao trabalho de qualquer artista ficou mais fácil e democrático depois que passamos a usar a rede", opina a cantora.

Além do clipe de "Megalomania", Tulipa prepara vídeos de outras canções e continua com a turnê de "Tudo tanto", além de trabalhar remixes de algumas músicas, em um projeto que, segundo a artista, "é super surpresa". Ainda não há previsão de um novo trabalho, repleto, de costume, de suas composições com uma atenta - porém singela - observação do cotidiano, invariavelmente carregadas de personalidade. "A composição pode vir de um momento mágico e subjetivo, como também pode ser um exercício. Às vezes começo no violão e, a partir de uma harmonia, penso na melodia ou na letra. Outras vezes escrevo primeiro ou penso em um tema. Nunca o processo vem do mesmo jeito. A única coisa que se repete são as ferramentas ao redor: papel, canetas, violão e um computador com Garage Band."

 

TULIPA RUIZ

Amanhã, às 23h, no Cultural Bar (Av. Deusdedit Salgado 3.955).

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