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25 de Março de 2014 - 06:00

No centenário da cidade de Guarani, editora da Tribuna Luciane Faquini lança o livro 'Guarany em preto e branco'

Por MARISA LOURES

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Antiga Rua do Comércio. No primeiro prédio à esquerda, o Cine-Theatro Guarany (sem data)
Antiga Rua do Comércio. No primeiro prédio à esquerda, o Cine-Theatro Guarany (sem data)

Logo ali, a 70 quilômetros de Juiz de Fora, ainda se pode respirar hábitos e costumes guardados na memória. O povoado já não é mais o mesmo, seguiu o crescimento imposto pelos novos tempos, mas ainda mantém o clima singular das cidades pequenas. "As pessoas ainda vão para a praça e ficam com o pé no chão. Guarani ainda é a cidade em que o carteiro te encontra na rua e diz ter uma carta para você. A praça ainda é o principal ponto de encontro", diz a editora de política da Tribuna Luciane Faquini, autora do livro "Guarany em preto e branco", lançado nesta terça-feira, às 16h, na Escola Municipal Francisco Peixoto.

Hoje, faz cem anos da emancipação política do antigo povoado do Espírito Santo do Cemitério. A Praça Antônio Carlos já não mais abriga as plantações de milho e arroz da dona Maria Teixeira, uma das personagens dessa história. Pelas ladeiras, já não se vê carros puxados por cabrito, transportando água para os moradores que residem na parte alta da cidade. Contudo, os momentos estão eternizados na memória de quem os vivenciou ou de seus descendentes.

Além do lançamento do livro, a festa do centenário de emancipação terá programação musical. Às 21h, o cantor Milton Nascimento se apresenta na Praça Antônio Carlos, seguido da cantora Fernamda Cá. Mais cedo, às 5h, a Lira Guaraniense Oscar de Oliveira Filho acorda os moradores com alvorada. Em seguida, às 8h, acontece o momento cívico. As celebrações ainda incluem entrega de comendas e lançamento do selo alusivo aos cem anos do município, a partir das 17h, no Clube dos Repentinos.

Para publicar "Guarany em preto e branco", Luciane bateu de porta em porta, garimpando imagens que lançam um olhar sobre cenas do cotidiano, eventos políticos e religiosos e álbuns de família. A maioria dos cliques foi feita por Theophilo Oliveira, Pedro Gomes Filho e Bráulio Simões, já falecidos.

Constituída por pouco texto e mais de 200 registros produzidos desde o final do século XIX até 1964, ano do cinquentenário, a obra é dividida em capítulos. A linha da narrativa segue o mesmo percurso de construção da cidade. Começa com a igreja matriz, em 1848, e continua com seu desenvolvimento ao longo das ruas traçadas no entorno.

Um circo que ocupou a região em 1915, o cemitério instalado atrás da capela, o coreto da Praça Antônio Carlos, desfiles de escolas de samba, o Cine-Theatro Guarany, times de futebol, a ponte de madeira sobre o Rio Pomba e até a antiga ferrovia, extinta em 1976, podem ser revisitadas nas 156 páginas.

Nascida em Guarani, mas radicada em Juiz de Fora há 20 anos, Luciane foi movida pela vontade de preservar uma história antes que ela se perca. Para narrá-la, foi preciso cruzar informações. "O que mais deu trabalho foi datar. Para isso, contei com livros já publicados sobre a história da cidade. Em alguns casos, tive que confiar na memória dos mais antigos. Muitas fotos estavam em caixas, mofadas e desbotadas. Digitalizei mais de 500 fotos", relata Luciane, que começou o trabalho há um ano. A inspiração surgiu quando ela passou a observar postagens de fotos de Guarani nas redes sociais. O trabalho contou com a supervisão da fotógrafa Cicéia Almeida e da memorialista e professora Maria Aparecida Gaudereto de Abreu. A editora de diagramação da Tribuna, Lena Sperandio, foi responsável pelo projeto gráfico e tratamento das imagem.

De acordo com a autora, "apesar de trazer, em sua maior parte, imagens de uma cidade que não existe mais", "Guarany em preto e branco" está longe de despertar qualquer "sentimento saudosista", mas revela uma relação de pertencimento. Os edifícios, simples, mas significativos, foram conquistados através do esforço dos próprios moradores. "Ao mesmo tempo em que criava o município, a Lei 556/1911 exigia dele a disposição de terrenos para logradouros, cemitério e edifícios para Casa de Câmara, escola de instrução primária e cadeia. E eram exatamente esses três últimos prédios que faltavam à co­munidade. No dia seguinte, o coronel Avelino (de Moraes Sarmento, líder político) mandou distribuir listas aos moradores pedindo do­ação de recursos para as obras", esclarece Luciane no livro, cujo título apresenta "Guarani" escrito com "y", uma alusão à grafia anterior.

Aliás, a obra ainda apresenta o curioso caso envolvendo a nomenclatura do município. Há quem diga ser uma homenagem à ópera de Carlos Gomes "O Guarani", tocada, pela primeira vez, em 1870. O professor e tabelião da região Raymundo Sarmento afirma que o nome surgiu a partir do romance "O guarani", de José de Alencar, de 1857. "É preciso que novas pesquisas confirmem a história aqui contada, mas fica, por ora, a versão de Raymundo Sarmento, que, desde 1969, iniciou seus estudos sobre a cidade. E o que o "Espírito Santo do Pomba" nos ilumine!", escreve Luciane.

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