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09 de Janeiro de 2014 - 07:00

Por BÁRBARA RIOLINO Repórter

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Nadja Dulci se transforma em mensageira do amor durante intervenção
Nadja Dulci se transforma em mensageira do amor durante intervenção

Em tempos em que os sentimentos estão cada vez mais efêmeros e radicais, o amor parece ter caído em desuso. A vida cada vez mais corrida nos impede de dedicar momentos a quem amamos ou simplesmente refletir sobre o amor. Numa tentativa de pausar a correria do dia a dia, a atriz e produtora cultural Nadja Dulci apresenta hoje, no Parque Halfeld, a intervenção urbana "Nós Marílias", com leitura de cartas de amor para pessoas que estiverem passando pelo local. "A proposta é criar um hiato na vida deste transeunte, trazendo-o para uma realidade completamente diferente daquela que está inserido, despertando o interesse e proporcionando uma pausa para o amor, para a literatura de anônimos", ressalta.

Natural de Santos Dumont, Nadja estudou artes cênicas na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), onde recebeu o convite para produzir a abertura do festival Para Gostar de Teatro, em maio de 2012. Como o evento seria realizado na casa do poeta inconfidente Tomás Antônio Gonzaga, autor do livro de poemas "Marília de Dirceu", em homenagem à sua amada Maria Doroteia, a atriz se propôs a homenagear a história do casal. "Quis elaborar um trabalho que conseguisse dialogar com aquele espaço. Após a Inconfidência Mineira, o poeta foi exilado em Moçambique, e Marília ficou no Brasil, à espera de cartas dele, que nunca chegaram. Por isso, propus ler cartas de amor à Marília, como se fossem mensagens enviadas por Dirceu", explica.

A partir desta apresentação, Nadja decidiu dar novos rumos ao projeto, que passou a ser realizado em ruas e espaços públicos. O conteúdo lido para os estranhos são obtidos por meio de cartas confidenciadas a ela pela internet (nosmarilias@gmail.com). Segundo a atriz, são histórias reais contadas por pessoas de todos os cantos do Brasil e até de países como Argentina, Espanha e Itália. "Durante a performance, nos tornamos Marílias e Dirceus, escritores de nossas histórias e do nosso amor."

Ao receber os relatos, Nadja tem o cuidado de transcrever à mão todas as cartas, mantendo em sigilo a identidade dos autores. Depois elas são colocadas em envelopes, lacradas e seladas, para que cada pessoa escolha a carta que deseja ser lida e compartilhada. "São histórias de estranhos lidas para outros estranhos, que de alguma forma se identificam com os relatos, se emocionam e ficam felizes."

Para aproximar as pessoas desta intervenção, Nadja utiliza um figurino inspirado no século XVIII, bem romântico, com saia de seda e blusa de renda que, de acordo com ela, chama a atenção de quem passa. "Digo que, além de escolher as pessoas, algumas me escolhem. É uma experiência muito interessante. O amor precisa deste tempo." A atriz hoje mora em Brasília. Na última segunda-feira, ela se apresentou em sua cidade natal - Santos Dumont - e, na semana que vem, deve passar por São João del-Rei e Tiradentes.

"Nós Marílias"

Hoje, às 17h

Parque Halfeld

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