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06 de Maio de 2014 - 06:00

Para comemorar o aniversário da cidade, Tribuna lança projeto 'Eu me lembro bem', com fotos antigas dos leitores reproduzidas na atualidade

Por JÚLIA PESSÔA

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O músico Daniel Manganelli em dois momentos  na mesma casa da Rua Barão de Aquino: o primeiro, em 1985, aos 3 anos, e hoje, aos 31
O músico Daniel Manganelli em dois momentos na mesma casa da Rua Barão de Aquino: o primeiro, em 1985, aos 3 anos, e hoje, aos 31

"Naquela época, a rua era nosso quintal, nossa rede social. Hoje em dia, até para atravessar a rua na faixa de pedestres está difícil", diz o músico Daniel Manganelli, depois de posar para uma foto em frente à mesma casa onde passou a infância, na Rua Barão de Aquino, no Alto dos Passos. Na primeira imagem, feita em 1985, o menino Daniel, de 3 anos, empunhava um pequeno violão na calçada, em frente a uma fachada que, 28 anos depois, em um raro caso na cidade, mudou bem pouco em relação ao registro do passado. Na versão atual, o que foi pose com o instrumento de brinquedo tornou-se profissão, e o hoje percussionista Daniel traz um pandeiro nas mãos, e não mais se prepara para uma quadrilha, como na foto de sua infância. "Eu estava indo para uma festa junina da escola, que ficava no meu bairro. Nessa época, o Alto dos Passos era muito tranquilo, quase não passavam carros por aqui", lembra o músico.

Em homenagem ao aniversário de 164 anos de Juiz de Fora, a Tribuna convida você a embarcar nesta viagem pelo tempo, como fez Daniel. No projeto "Eu me lembro bem", os leitores poderão enviar duas fotos que tenham sido feitas em Juiz de Fora: uma, tirada no passado, em algum ponto da cidade e outra, nos dias de hoje, mas com a presença das mesmas pessoas fotografadas no registro mais antigo, e feita no mesmo local de Juiz de Fora, assim como Daniel Manganelli, que aperece, nas duas imagens, em frente à mesma casa , no mesmo bairro.

As duas fotos, a antiga e a atual, devem ser enviadas para o e-mail eumelembrobem@tribunademinas.com.br até o dia 21 de maio, e todos os participantes poderão entrar na edição especial de 31 de maio. A ideia é mostrar a evolução da história de Juiz de Fora e seus moradores com o passar dos anos, por meio dos registros.

Para o professor da UFJF Jorge Felz, que ministra a disciplina "Fotografia: imagem e memória" na Faculdade de Comunicação, a fotografia é um importante documento histórico, mesmo quando não é concebida para tal. "A fotografia amplia a capacidade de memória do ser humano, isola um instante em um determinado espaço e tempo. Claro que existem outros recursos, como o texto e o vídeo, mas, de certa forma, estes fazem com que nós revivamos o 'momento' que estamos lendo ou assistindo, a fotografia não: olhamos para aquele registro congelado do passado com os olhos do presente, da vida que temos agora", observa o docente.

Na visão do colecionador de fotografias antigas Marcelo Lemos, criador do site Maria do Resguardo (www.mariadoresguardo.com.br), que reúne imagens antigas de Juiz de Fora, revisitar o passado por meio das fotos permite, muitas vezes, o acesso a uma realidade que não existe mais. "Se pegarmos uma foto da Avenida Getúlio Vargas nos anos 1980 e uma dos dias de hoje, a paisagem é completamente diferente. De certa forma, o passado foi apagado, e as fotografias permitem que pelo menos a memória dele continue viva", opina Marcelo.

O professor Jorge Felz acredita que registros pessoais, sem intuitos oficiais - como as fotos que a Tribuna convida os leitores a refazerem -, têm um papel importante na documentação da história de um local. "É por meio delas que se pode compreender mais e melhor sobre como foi uma cidade em determinado período, como ela se organizava e como as pessoas ocupavam e aproveitavam seus espaços, algo que raramente se consegue em arquivos oficiais." Para o docente, o avanço tecnológico e a digitalização das imagens pode fazer com que este resgate de tempos passados seja diferente para as próximas gerações. "Os arquivos digitais perdem-se muito facilmente. Talvez futuramente as pessoas precisem resgatar o passado observando o Facebook ou uma plataforma mais avançada, mas similar às redes sociais, para tentar compreender os tempos de hoje", observa Jorge.

Ele destaca, ainda, que o ato de reproduzir um registro feito no passado na atualidade possibilita uma documentação da passagem do tempo tanto para o espaço urbano quanto para as pessoas que o habitam. "Este intervalo entre fotos é uma expressão da evolução que muitas vezes não paramos para observar no dia a dia. Nós nos acostumamos muito facilmente às mudanças. Embora olhemos para a cidade todos os dias, não a vemos. Comparando uma fotografia do passado com uma de hoje, temos um olhar diferente, estrangeiro, atento às particularidades do decorrer do tempo, muito claras na cidade e nas próprias pessoas."

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