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04 de Junho de 2014 - 06:00

Acompanhado de sua viola, Almir Sater retorna amanhã ao Cine-Theatro Central

Por Marisa Loures

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Cantor participará do novo CD de Paula Fernandes
Cantor participará do novo CD de Paula Fernandes

O público que esteve no Cine-Theatro Central em maio de 2011 precisou esperar três anos para voltar a ouvir a poesia e o som pantaneiros. Na contramão de produções grandiosas, Almir Sater encanta com sua voz afinada e o jeito simples de homem do campo. Chega com seu chapéu e toma conta do palco. Sob os holofotes, ele, a música e o instrumento que o consagrou. "Prefiro trabalhar desse jeito. Funciona melhor com meu banquinho e minha viola. Sem muita parafernália e de preferência em teatro", destacou o violeiro à Tribuna por telefone na tarde de ontem. Ele se apresenta no Cine-Theatro Central nesta quinta, às 21h.

Em família (o cantor vem acompanhado dos irmãos Rodrigo Sater (violão) e Giselle Sater (backing), Almir aposta nos sucessos que a plateia quer ouvir: "Um violeiro toca" e "Brasil poeira" (com Renato Teixeira), "Maneira simples" (com Paulo Simões), e "Trem do Pantanal" (Paulo Simões e Geraldo Roca). "Ando devagar/ Porque já tive pressa/ E levo esse sorriso/ Porque já chorei demais/ Hoje me sinto mais forte/ Mais feliz, quem sabe/ Só levo a certeza/ De que muito pouco sei/ Ou nada sei/ Conhecer as manhas/ E as manhãs/ O sabor das massas/ E das maçãs/ É preciso amor pra poder pulsar/ É preciso paz pra poder sorrir/ É preciso a chuva para florir", verseja o violeiro em "Tocando em frente", música composta com o parceiro Renato Teixeira e que também compõe o show em Juiz de Fora.

"Toco as músicas que funcionam em uma apresentação ao vivo. Fico refém das afinações que preparo para a viola", comenta ele, que segue o coração em suas criações. "Nunca experimentei nada. As pessoas falam isso, mas nunca experimentei nada. Meu trabalho é fruto das coisas que passam na minha cabeça, das coisas que gosto. Quando componho, passam na minha memória os momentos que vivi quando criança. Não é nada pensado. Quando gravo um disco, a primeira pessoa que tem que gostar sou eu. Gosto de sinceridade", diz o intérprete de "Chalana", de Mário Zan e Arlindo Pinto. "Oh! Chalana sem querer/ Tu aumentas minha dor/ Nessas águas tão serenas/ Vai levando o meu amor."

 

Na esteira de Tião Carreiro

Foi aos 20 anos que Almir Sater deixou Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, para estudar direito no Rio de Janeiro. Tentou ser advogado, mas o som da viola, companheiro desde os 12 anos, falou mais alto. Preferiu seguir na esteira de Tião Carreiro e formar a dupla Lupe e Lampião com um amigo. "Tentei trabalhar com outras coisas, e não deu muito certo. Tudo me levava à música, e acabei não tendo outra opção. Gravei meu primeiro disco, e foi bom. A viola caipira me ajudou muito. Tive sorte, mas também talento e dedicação", diz o artista, tido pela crítica como um dos responsáveis pelo resgate da viola de dez cordas. Sater mistura blues, rock, folk a um som erudito, popular e regional. "Venho de uma geração roqueira. Gosto de uma mistura de som. É difícil ter uma geração com tanto talento."

Apesar dos vários momentos marcantes, um, em especial, predomina em suas reminiscências. "O show que fiz à meia-noite no Vila Paulistana, em 1979. Chegou um diretor, o Antônio Carlos Carvalho, e me disse: 'meu filho, você não quer gravar um disco pela Continental'?", conta Almir, cujo LP de estreia foi lançado em 1980, com a participação de Tetê Espíndola, Alzira Espíndola e Paulo Simões.

Na noite da última segunda-feira, o cantor esteve em estúdio, mas não é desta vez que o músico volta a lançar um novo trabalho. "Aprendi que é preciso estar motivado para entrar em estúdio." Seu álbum, intitulado "7 sinais", último solo de uma lista de dez, saiu do forno em 2006. "Era para o CD da Paula Fernandes", comenta Almir, ciente de que a participação em novelas de televisão contribuiu para a divulgação do som sertanejo. Almir Sater ganhou fama nos anos 90 pelas novelas "Pantanal" (1990), "A história de Ana Raio e Zé Trovão" (1991) e "O rei do gado" (1996). A última aparição foi em "Bicho do mato" (2006), de Bosco Brasil e Cristianne Fridman. Depois disso, recusou o convite para integrar o elenco da novela global "Cordel encantado", exibida pela Globo em 2011.

"Não consigo conciliar mais minha agenda de shows com novela. Trabalho de março a dezembro, cuido da minha família tocando viola. Percebo que meu tempo em novela já passou. Deixa para o meu filho", ressalta, fazendo referência a Gabriel Sater, que estreou na Globo em "Meu pedacinho de chão", com direção de Benedito Ruy Barbosa. "É um menino que nunca fez nada. Está muito correto. A novela é muito bonita."

Segundo a biografia do compositor, no rastro do sucesso em televisão, veio o reconhecimento. Com "Moura" e "Tocando em frente", nos anos 1990, Almir Sater foi vencedor de dois prêmios Sharp. "Todo violeiro é diferente um do outro. Como a gente não tem muito professor, aprende sozinho, cada um tem o seu jeito de tocar, de pontear. A escola da viola mineira é a principal. Todo violeiro tem que passar por ela", destaca, para logo depois abusar do lirismo presente em suas composições. "Todo violeiro é romântico, e eu sou violeiro. Canto a lua, as estrelas e os amores."

 

ALMIR SATER

 

Amanhã, às 21h

 

Cine-Theatro Central

3215-1400

 

 

 

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