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13 de Maio de 2014 - 06:00

Atores e diretores juiz-foranos contam o que preparam para 2014

Por MARISA LOURES

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O texto de Hussan Fadel "A casa dos espelhos" é encenado por Vinícius Cristóvão dias 16, 17 e 18 de maio, no CCBM
O texto de Hussan Fadel "A casa dos espelhos" é encenado por Vinícius Cristóvão dias 16, 17 e 18 de maio, no CCBM

Se a cena teatral juiz-forana se mostrou tímida nos primeiros meses de 2014, com várias reapresentações, mas poucas estreias de grupos locais, resta aguardar pelas novidades prometidas para a partir de maio. A Tribuna conversou com alguns atores e diretores, que anteciparam o que vem por aí. Na relação, que inclui projetos aprovados pela Lei Murilo Mendes e vários montados com recursos próprios, há drama, comédia e infantil.Também tem quem aposte na pesquisa e formação do ator.

A temporada começa em 16 de maio no Forum da Cultura. José Luiz Ribeiro e o Grupo Divulgação já seguem em ritmo acelerado para a apresentação de "O conto da morcegada". Dirigida por Ribeiro, a montagem vai procurar conscientizar a criançada para a "importância dos morcegos na cadeia ambiental", conta a atriz Márcia Falabella. Antes de aportar na segunda edição da Mostra Tiradentes em Cena, o Corpo Coletivo apresenta, no CCBM, nos dias 16, 17 e 18 de maio, "A casa dos espelhos". Na escrita de Hussan Fadel, um homem começa a enlouquecer ao perceber sua imagem distorcida em uma casa repleta de espelhos. Um aperitivo já foi visto no 5º Festival de Cenas Curtas de Juiz de Fora. Nos dias 9 e 10 de junho, é a vez de a garotada do programa Gente em Primeiro Lugar realizar a quarta edição do Festival de Cenas Curtinhas, no CCBM.

Para os dias 13, 14 e 15 de junho e 6, 7 e 8 de julho, Rafael Coutinho, Léo Cunha, Bruno Quiossa e Priscila Hellena planejam a temporada de "Estação dos passageiros invisíveis", no CCBM. "Transportamos nossos estudos para a ideia de reapresentações de notícias de jornal e escolhemos uma para permear o enredo da peça. Ela retrata a relação de três cidadãos em situação de rua, que vivem em uma estação abandonada", conta Coutinho, que assina a dramaturgia.

Prestes a completar 30 anos de palco, Marcus Amaral integra o elenco de "Cartas musicais, notas pessoais". O projeto é composto pelos espetáculos "Mozart e seu pai" e "Bach e o divino". O primeiro faz parte das comemorações dos 164 anos de Juiz de Fora, desenvolvidas pela Funalfa, e está agendado para 1º de junho na Igreja do Rosário, no Bairro Granbery. Já o segundo está previsto para agosto, provavelmente no Pró-Música. "O projeto apresenta ao público um pouco da história desses compositores, através do teatro, com a execução de algumas de suas peças musicais ao vivo com orquestra ou músicos convidados", diz o ator.

Do blog intitulado hupokhondria, Gustavo Burla, José Eduardo Brum e Táscia Souza, autores das publicações, buscaram inspiração para o projeto "Alguma coisa você tem", que ocupará o CCBM entre 18 e 20 de julho. "É uma coletânea de cinco exercícios cênicos de linguagem, que lidam com diferentes gêneros, para que o foco seja o ator. A maioria dos textos é inédita. Só um meu, 'Fetiche', foi adaptado de um conto do blog. O 'Rolhas', do Gustavo, ficou em segundo lugar no Festival de Cenas Curtas, em 2012", diz Táscia.

Continuando com as comemorações dos 20 anos da GTMG Cia.Tralha (7 de março), que contou com a apresentação do espetáculo "Éramos tão felizes" no CCBM, no mês de abril, e exposição de material do grupo no mesmo local, o diretor Alexandre Gutierrez comenta que está prevista a montagem de "Dom Quixote". Dividirão o palco em local e dias ainda não definidos atores e bonecos. "É um projeto com uma grande cenografia, com cerca de 30 marionetes", diz Gutierrez. Também encabeçado pela GTMG, o projeto "Nesta sexta tem teatro" trará mais três atrações, sendo que duas já estão definidas: a adaptação das obras "A cartomante" e "Capitu", de Machado de Assis. Quem também vai recorrer ao universo de Miguel de Cervantes é a Isto Cia. Teatral, dirigida por Denise de Oliveira. A aventura de "Dom Quixote Mula Manca" está prevista para 11, 12, 18 e 19 de outubro, no CCBM.

 

Clássicos e contação de história

"O marinheiro", de Fernando Pessoa, é a aposta do grupo CriArte, que deve subir aos palcos até agosto. Além de atuar, Anderson Ferigate, Bruno Nogueira e Tiago Fontoura também serão responsáveis pela direção. A supervisão das cenas será de Marcus Amaral. "A história gira em torno de três irmãos que estão no velório de uma irmã. É um drama curto e reflexivo. Também encaixamos trechos de outros poemas de Pessoa", adianta Ferigate.

Com o apoio recebido da Lei Murilo Mendes (cerca de R$ 27 mil), Marcos Marinho prepara para os dias 20, 21,22, 23 e 24 de agosto uma curta temporada de "Perdida! Eléctra num mundo de palhaços", no CCBM. Depois, a produção vai para a Sociedade Filarmônica de Juiz de Fora. Concebido e supervisionado pelo diretor chileno Alberto Kurapel, que também levanta recursos para apresentações em sua terra, a peça une os clowns comandados por Marinho à estrutura do clássico grego de Eurípides. Também com apoio do incentivo municipal (aproximadamente R$ 14 mil), o Teatrando escolheu o mito "Orfeu e Eurídice" para desenvolver um projeto de pesquisa sobre mitos e tragédias gregas. De acordo com a diretora Adryana Ryal, no segundo semestre, ocorrerão, no CCBM, um café filosófico (24 de agosto) e dois ensaios abertos (21 de setembro e 26 de outubro), com objetivo de compartilhar com o público a quantas anda o processo. Os estudos culminarão em um espetáculo programado para março de 2015.

Segundo a atriz e professora da Companhia Estação Palco, Cristina Braga, a proposta da trupe é levar para o CCBM o "Histórias divertidas", em 13 e 14 de dezembro. Com texto da repórter da Tribuna, Renata Delage, o espetáculo de contação vai ter direito a figurinos, cenários e música ao vivo. "Queremos fortalecer o trabalho de qualidade para o público infanto-juvenil, que é tão desprivilegiado de montagens cuidadosas", comenta Cristina, adiantando que, em agosto, começam os ensaios de "É proibido miar", de Pedro Bandeira.

Embora retorne com o mesmo espetáculo - "Sete minutos"-, Cristiano Fernandes, presidente da Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Juiz de Fora (Apac-JF), promete uma montagem renovada. Um novo elenco interpretará, em outubro, no CCBM, os personagens do texto de Antônio Fagundes. "Ficou aquele gostinho de quero mais. Queremos extrapolar os limites da cidade", diz ele, também entre os contemplados da Lei Murilo Mendes na categoria baixo custo (R$ 4.500). Conforme Cristiano, os preparativos para a Mostra de Teatro Infantil, realizada na segunda quinzena de julho, e a Mostra Apac de Teatro de Juiz de Fora, agendada para a segunda quinzena de agosto, paralelamente ao Festival Nacional de Teatro, já começaram. Vai ter seminário, oficinas e debates. Em novembro, a Funalfa volta a promover o Festival de Cenas Curtas, no CCBM.

Com relação às poucas estreias nos primeiros meses de 2014, ele ressalta a carência de locais para as apresentações. "O único espaço público e gratuito de teatro da cidade é o CCBM, que tem se firmado porque tem boa infraestrutura e equipe técnica. Vários grupos não conseguiram pauta lá por causa da concorrência. Os outros teatros são caros", observa Cristiano. Para Marcos Marinho, o fato de as companhias precisarem aguardar pela liberação do fomento municipal também interfere no calendário do teatro juiz-forano. "Os grupos só podem começar a gastar depois que recebem o dinheiro. Nós poderíamos estrear em maio e junho, mas tem a Copa do Mundo, o que se torna um agravante a mais", comenta Marinho.

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